Saúde

"A saúde mental é o que manda no nosso contexto", diz psicóloga

De acordo com a médica a pandemia fez com que a população ficasse duplamente mais ansiosa

diario da manha

Um estudo publicado em um relatório das Organizações Pan-Americanas de Saúde (Opas) mostra que diversas pessoas do planeta foram afetadas com problemas mentais como depressão e ansiedade durante a pandemia provocada pela Covid-19. Conforme os dados divulgados, ao serem analisados esses problemas no Brasil, o número de pessoas ansiosas é de 44% enquanto os outros 61% sofrem com depressão.

O levantamento publicado no relatório da Opas não é único, uma outra pesquisa, que foi divulgada em outubro do ano passado mostra que o número de casos de depressão aumento 50% e de ansiedade teve um aumento de 80% no país, conforme os dados levantados pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Os números em si sugerem que a população brasileira ficou ainda mais ansiosa em virtude da pandemia, pelo menos é o que diz a Psicóloga Ana Beatriz Sahium, e que isso ocorre em função da pandemia ter agravado esses quadros.

“O que a gente consegue perceber é que o Brasil, a população brasileira é realmente uma das populações mais ansiosas do mundo. A gente lidera esse ranking da ansiedade e da depressão, e que agravou ainda mais com a pandemia da Covid-19. Então, nós já tínhamos uma sociedade ansiosa, uma sociedade imediatista, querendo as coisas muito rápido, necessitando das coisas muito rápido. E a pandemia só veio para piorar isso, então as pessoas que já estavam com a saúde mental fragilizada, o Covid só agravou, então a gente agora tem pessoas duplamente mais ansiosas”, afirma.

Saúde mental não é valorizada pela sociedade brasileira

Outro fator importante lembrado pela médica é que a saúde mental no Brasil não é valorizada pela sociedade brasileira, vale ressaltar inclusive que estamos no Janeiro Branco, que é o mês destinado aos cuidados com a saúde mental. De acordo com Ana Beatriz a sociedade brasileira não é capaz de entender ainda a importância de cuidar da saúde mental.

“Então acaba que a saúde mental fica sempre em segundo plano, depois eu resolvo isso, “ah estou me sentindo mais triste, não, depois eu resolvo isso’, “estou comendo demais, não, depois eu resolvo isso”, não tenho tempo agora, depois eu resolvo isso. E vem a pandemia e coloca tudo isso em jogo, nos coloca em casa, e nos coloca de novo, mais a frente ainda dos nosso problemas. E assim a gente tem uma sociedade que não entende a importância do cuidar do mental”, salienta.

A psicóloga lembra que há um aumento dos sintomas, mas que não tem uma “receita de bolo” para evitar os mesmo e que assim eles possam desencadear outras patologias. Ana Beatriz coloca também que o primeiro passo para não ficarmos ansiosos é ter a saúde mental bem trabalhada e estar atentos aos sinais.

“Eu entendendo os meus limites, entendendo o que eu sou capaz, o que eu não sou capaz, esse é o primeiro passo para a gente não se descontrolar tanto com tudo isso que vem acontecendo. Então é a gente cuidar da gente, entender quem nós somos, o que eu gosto, o que não gosto, e fortalecer cada vez mais as ações que me geram prazer como: estar com pessoas que eu gosto, fazer atividades que eu gosto, e procurar fazer isso. E é preciso estar de olho, observar o sono, quando eu tenho um aumento do sono, quando eu tenho um aumento de não gostar de não fazer mais nada, até mesmo de ações que eu gostava de fazer antes, que param de me gerar prazer. Então nós temos que estar muito ligados a nossa saúde mental, e perceber a necessidade de dar importância que a saúde mental precisa, esse é o ponto chave, a gente entender que é a saúde mental que manda no nosso contexto”, finaliza.

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