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Conforme gostos pessoais Facebook pode mandar anúncio só para você

O estudo têm preocupado especialistas que não acreditavam que fosse possível alcançar grupos tão pequenos de usuários

diario da manha

Um novo estudo monstra que os interesses no Facebook permitem que com apenas 4 interesses raros ou 22 gerais seja possível mandar um anúncio a um único de usuário do Facebook entre os mais de dois bilhões no mundo.

“Não me surpreendeu muito o número de interesses necessários para identificar um usuário. O que me surpreendeu muito é que pudéssemos fazer uma campanha para um só indivíduo. Eu esperava que o Facebook tivesse um monte de controles, mas a verdade é que foi muito fácil”, afirma o professor da Universidade Tecnológica de Graz, na Áustria David García.

Os resultados do estudo têm preocupado especialistas que não acreditavam que fosse possível alcançar grupos tão pequenos de usuários. “É um dos 10 artigos científicos sobre privacidade mais importantes da década até agora. O Facebook permitia a microssegmentação ao definir muito bem as audiências. Este experimento prova que também permite a nanossegmentação, reduzindo o foco do anúncio ao mínimo. Minha surpresa se deve a que não acreditava que este tipo de segmentação já fosse possível: eu achava que a audiência mínima seria maior que um, e que estivesse limitada”, afirma o pesquisador e consultor independente para questões de privacidade Lukasz Olejnik.

O artigo ressalta os perigos dessa possibilidade que também poderia servir para abordagens indesejadas ou para estabelecer comunicação quando outros canais estiverem bloqueados.

“Se eu tenho um cliente que talvez pense em mudar de fornecedor, atualmente posso através do Facebook lhe mandar uma série de mensagens prejudicando a concorrência”. São coisas mais cirúrgicas, que não necessariamente têm a ver com invasão de privacidade. Pode servir para se fazer chantagem com um anúncio do Facebook em lugar de phishing, e dizer: ‘Gravei você vendo pornô e você mora em tal lugar’. Ver isso no Facebook seria chocante”, diz o pesquisador da Universidade Carlos III de Madri e também coautor do artigo, Ángel Cuevas.

Segundo Olejnik, “Poderia ir desde publicidade política a desinformação e hackeamento, de algo inocente a guerras cibernéticas. O problema possível são as ideias que podem ocorrer a pessoas que se dedicam a tais assuntos. Uma coisa é certa. Quem souber superar o tamanho mínimo de audiências terá um conhecimento realmente valioso. Dará consultoria por muito dinheiro”, afirma.

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