Ativista anuncia travessia contra corrupção
Redação DM
Publicado em 1 de fevereiro de 2022 às 15:50 | Atualizado há 4 anos
“Temos a maior oportunidade em nossa história, mas falta mobilizar o povão”, sugere Carlos Valls, enquanto anuncia uma travessia de bicicleta, de San Francisco à New York, para entregar uma carta manifesto à ONU, contra a corrupção. “Temos que estar à altura desse ano histórico, a cidadania é responsabilidade de cada um”, conclama.
Ativista por natureza, Carlos Valls tem se surpreendido com a adesão de pessoas em diversos grupos de apoio ao ex-juiz Sérgio Moro, que criou nas redes sociais, «sem publicidade», como ele enfatiza. Ele produziu shows no DF com Olodum, Chiclete com Banana, Jards Macalé, assessorou o então governador José Aparecido, criador do Ministério da Cultura e da Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa. Militante desde a redemocratização do Brasil, quando colaborou na vitória do candidato da oposição no colégio eleitoral, com o boneco Tancredão, ele foi o articulador da primeira CPI que investigou um Tribunal de Contas por corrupção, em Goiás, que chegou ao STJ. Carlos Valls lançou no site Vaquinha online (http://vaka.me/2651572) uma campanha de apoio à Travessia. Quem quiser colaborar pode fazer doações de qualquer valor.
Como você vê o processo eleitoral neste ano?
Carlos Valls – Temos uma das maiores oportunidades para uma evolução civilizatória no Brasil. Sérgio Moro é o futuro, enquanto os outros são o presente e o passado. Mas o Podemos não é um partido de militantes. Temos que criar um exército de ativistas. É a velha luta entre o novo e o antigo. Ele é o novo. A deputada Renata Abreu cumpre um papel fundamental na história brasileira, precisamos ajudá-la nessa tarefa, ela está de parabéns. Alguns nomes precisam ser afastados definitivamente da vida pública.
O que falta para o candidato da terceira via?
Carlos Valls – Falta mobilizar o povão, como fizemos na época da transição do regime militar. O passado ficava nos assustando como um fantasma. Mas que foi encolhendo a medida em que o povo começou a se manifestar. Precisamos criar fatos positivos para canalizar essa indignação popular contra o sistema corrupto, que o ex-juiz contribuiu para desmascarar e que agora usa de todas as formas para se perpetuar.
O que fazer?
Carlos Valls – Fazemos a nossa parte. Criamos diversos grupos nas redes sociais, cuja adesão surpreende. Mas a guerra de “cliques”, que é importante, tem que ser complementada por ações práticas. Eu e outro amigo estamos preparando uma travessia de bicicleta de San Francisco(EUA), onde vivem brasileiros, até New York, sede da ONU, para entregar uma carta-aberta e manifesto contra a corrupção.
Como surgiu essa ideia?
Carlos Valls – Escrevi um artigo, publicado no DM, com uma carta aberta ao secretário-geral da ONU, denunciando o acordo do «bolsopetismo», no qual o atual presidente segura a onda para passar o poder para um ex-presidiário. O amigo Wilson Silva, que não vejo há trinta anos, disse que temos que amplificar isto e mostrar essa verdade. E para isto temos que ousar. A travessia é uma dessas iniciativas.
Por qual motivo fazer essa travessia no exterior?
Carlos Valls – Vivem hoje cerca de 4 milhões de brasileiros no exterior, mais do que a população de diversos Estados brasileiros. Os EUA é o país onde mais vivem brasileiros fora, sendo que muitos morreram tentando atravessar ilegalmente a fronteira.
Como está o projeto dessa travessia?
Carlos Valls – Durante a travessia de cerca de 5.000 km, vamos nos encontrar com comunidades de brasileiros e gravar depoimentos para um documentário, finalizando com a entrega do manifesto na sede da ONU. A travessia deve durar em torno de um mês, com saída prevista para 8 de março, com uma previsão de 150 a 200 km por dia. Estamos na fase de treinamento e de coleta de apoio para as despesas básicas como passagens, alimentação e hospedagem.