Brasil

Geração Z: Uma perspectiva psiconeural

Redação DM

Publicado em 7 de dezembro de 2020 às 16:15 | Atualizado há 6 anos


Por Wemerson Nunes da Cruz

O desenvolvimento do cérebro é fundamental para a saúde do indivíduo. Segundo a doutora em neurologia infantil Marcilia Lima Martyn, seu início ocorre ainda na fecundação e os primeiros anos de vida de um indivíduo é um período especialmente importante para a conectividade das sinapses cerebrais.

Considerando o progresso dos meios modernos de comunicação e as novas tecnologias, percebe-se uma grande transformação nas formas de interação que crianças e adolescentes passaram nas últimas décadas. A geração digital que surge a partir de 2010 – como bem pontua Joe Nellis, professor da escola de negócios Cranfield, no Reino Unido – vê o mundo através das telas e dos aparelhos digitais. A geração Z (como é chamada) nasce em um momento em que a internet domina todo o cenário e a informação viaja na “velocidade da luz” cercada de rápidas conexões e de redes sociais.

O médico e pesquisador francês, Michel Desmurget, especializado em neurociência cognitiva demonstra que uma criança de 2 anos passa em média 3 horas por dia sobre as telas, já quando a faixa etária muda para 8 anos vê-se esse dado mais que dobrar sendo 5 horas diárias e adolescentes usa mais de 7 horas diárias. Desmurget considera que vivenciamos atualmente uma verdadeira “orgia digital” que impossibilita o desenvolvimento cerebral completo nas crianças e adolescentes causando alguns distúrbios, impulsividades, estresse, ansiedade e hiperatividade, além de aumentar a obesidade e sedentarismo.

O historiador israelense Yuval Harari afirma que vivenciamos atualmente uma nova revolução, a revolução tecnológica. Essa nova revolução tem moldado as pessoas a partir de uma estrutura que é fundamental: a psiconeural. O reflexo disso nas novas gerações é a potencialização da construção de vínculos pessoais cada vez mais frágeis, ambivalentes, fragmentados e instantâneos, a geração Z tem demonstrado ser muito mais prática, pois não conseguem esperar pelos resultados, desse modo, temos crianças e adolescentes cada vez mais imediatistas. Isso porque o cérebro humano precisa ser nutrido e as telas são sem dúvida uma das mais fracas ferramentas para isso. A leitura, o esporte, a música, o teatro, a relações familiares e as artes são mais eficazes. As evidências dessa realidade já são visíveis, testes de QI têm apontado que as novas gerações são menos inteligentes que anteriores.

Cada vez mais observa-se uma geração hiperconectada através de aparelhos tecnológicos e desconectada de conexões reais humanas, que se distanciam da realidade e se afogam em um mundo paralelo. Substituir amplamente as vivências sociais, entendidas pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, como autênticas, pode desencadear diversos transtornos, como a solidão, sentimento de exclusão social e de não pertencimento. A geração Z tem demonstrado dificuldades em lidar com frustrações e decepções, não porque a tecnologia implica numa total negatividade, mas pelo mau uso que se faz dela. Quem são os responsáveis disso tudo? É possível reverter todo esse processo? Esses são os questionamentos que o tempo trará juntamente com suas consequências.

Wemerson Nunes da Cruz, acadêmico de Direito da UnirAraguaia. Texto orientado pela Profª Drª Lilian Suzuki.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia