Estelionato cresce 429% em sete anos e supera 2,2 milhões de casos no Brasil
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 23 de julho de 2026 às 13:35 | Atualizado há 41 minutos
Crescimento dos golpes digitais impulsionou alta dos registros de estelionato no país ao longo dos últimos sete anos | Foto: Lim Weixiang/Zeitgeist Photos/Getty Images
O estelionato atingiu um novo patamar no Brasil em 2025 e passou a representar um dos principais desafios da segurança pública no país. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que foram registrados 2.261.055 casos no ano passado, número que representa um aumento de 429,8% em comparação com 2018, quando a série histórica começou.
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O avanço dos golpes ocorreu de forma contínua ao longo dos últimos anos. Em 2019, o país contabilizou 523.820 ocorrências. Já em 2020, os registros quase dobraram e chegaram a 927.898. A marca de mais de 1 milhão de casos foi ultrapassada em 2021, com 1.312.964 notificações. Nos anos seguintes, os números seguiram em alta: foram 1.816.438 casos em 2022, 2.000.960 em 2023 e 2.193.122 em 2024.
O levantamento aponta que a expansão dos crimes está ligada principalmente ao crescimento dos golpes praticados no ambiente digital, impulsionados pela popularização dos serviços bancários online, pelo uso do Pix e pelo acesso cada vez maior dos criminosos a dados pessoais.
São Paulo aparece como o estado com a maior taxa de estelionatos em 2025, com 1.808,3 ocorrências para cada 100 mil habitantes. Na sequência estão Distrito Federal (1.717,0), Paraná (1.339,1), Rondônia (1.329,6), Santa Catarina (1.294,8), Espírito Santo (1.254,7) e Goiás (1.075,6).
Apesar do volume expressivo de registros, a resposta criminal ainda é considerada baixa. Dos mais de 2,2 milhões de boletins de ocorrência feitos no país, apenas 63,7 mil deram origem a processos na Justiça. No mesmo período, 4,8 mil pessoas foram presas por envolvimento em crimes de estelionato.
O cenário significa que a ampla maioria das vítimas que procuram as autoridades não vê o caso chegar à fase judicial. Para o Anuário, essa dificuldade de responsabilização contribuiu para uma mudança no perfil dos golpes, que deixaram de ser praticados apenas por criminosos isolados e passaram a fazer parte da atuação de grupos organizados.
Medo de golpes digitais cresce entre brasileiros com avanço do crime online
A preocupação da população acompanha o crescimento das fraudes virtuais. Segundo o levantamento, 83,2% dos brasileiros afirmam temer sofrer algum golpe pela internet ou pelo celular.
O estudo destaca que os aparelhos móveis se tornaram uma das principais portas de entrada para criminosos. Com celulares roubados ou furtados, golpistas conseguem tentar acessar aplicativos bancários, redes sociais e informações pessoais das vítimas, ampliando as possibilidades de fraude.
Entre as estratégias mais utilizadas estão golpes envolvendo cartões, nos quais criminosos conseguem dados bancários por meio de páginas falsas, máquinas adulteradas ou vazamentos de informações. Há também casos de troca física do cartão para realizar compras sem autorização.
Outro método bastante difundido é o golpe pelo WhatsApp, em que fraudadores utilizam contas invadidas ou se passam por familiares e amigos para solicitar transferências. A falsa central bancária também segue entre as práticas recorrentes, com criminosos fingindo representar instituições financeiras para convencer vítimas a compartilhar informações ou realizar operações.
O Pix também se tornou uma ferramenta explorada pelos golpistas, principalmente em falsas vendas, pedidos de ajuda financeira e transações feitas após o acesso indevido a contas. Além disso, continuam frequentes mensagens falsas sobre supostas irregularidades no CPF e anúncios de lojas ou leilões inexistentes, usados para roubar dados ou receber pagamentos por produtos que nunca são entregues.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que o combate ao estelionato exige mudanças na atuação das forças de segurança, com integração entre órgãos, melhorias nas investigações e maior capacidade de responsabilização dos envolvidos. Segundo o estudo, o crescimento dos golpes revela uma transformação no crime patrimonial brasileiro, cada vez mais associado ao ambiente digital e à atuação de organizações criminosas estruturadas.