Pastores são investigados por golpe de R$ 263 mil no Mercado Livre
Léo Carvalho
Publicado em 9 de junho de 2026 às 15:53 | Atualizado há 1 hora
Mercado Livre perde R$ 263 mil em golpe de pastores, diz investigação | Foto: Bloomberg
A Polícia Civil de São Paulo realizou nesta terça-feira (9) uma operação contra uma organização suspeita de aplicar golpes por meio de vendas falsas no Mercado Livre. Segundo as investigações, o grupo teria causado um prejuízo de pelo menos R$ 263 mil à plataforma.
Dos oito mandados de prisão expedidos pela Justiça, cinco foram cumpridos. Entre os investigados estão dois pastores apontados como líderes do esquema, que atualmente são considerados foragidos e estariam na Espanha. Um terceiro suspeito estaria nos Estados Unidos. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
De acordo com a investigação conduzida pela 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes Cibernéticos (DCCiber), do Deic, os suspeitos anunciavam produtos que não existiam e simulavam operações de compra e venda dentro da plataforma.
Segundo o delegado João Carlos Miguel Hueb, responsável pelo caso, comprador e vendedor faziam parte do mesmo grupo criminoso. Após a suposta venda, o valor era liberado ao vendedor e rapidamente transferido para contas ligadas aos investigados.
Na etapa seguinte, o comprador contestava a cobrança junto à administradora do cartão de crédito, alegando desconhecimento da compra. Com a aprovação do estorno, a plataforma ficava responsável pelo prejuízo financeiro.
“Eles fingiam vender um produto, recebiam o dinheiro e depois o comprador contestava a operação. A plataforma acabava absorvendo o prejuízo”, afirmou o delegado.
Em nota, o Mercado Livre informou que a apuração teve início após uma denúncia feita pela própria empresa ao identificar indícios de fraude nas operações.
A plataforma afirmou que nenhum comprador ou vendedor foi prejudicado diretamente, já que os valores envolvidos foram absorvidos pela empresa. O Mercado Livre também declarou que continua colaborando com as autoridades e mantém equipes especializadas no combate a fraudes, além de sistemas baseados em inteligência artificial para monitoramento das transações.
A fraude investigada ocorreu em dezembro de 2024. Até o momento, não há indícios de que o grupo tenha continuado praticando o mesmo golpe após aquele período, mas os investigadores buscam identificar outras empresas que possam ter sido vítimas do esquema.
A análise das transações e da movimentação financeira levou os policiais a identificar a participação de um casal de pastores, apontado como responsável por coordenar as operações.
Além das prisões, a Justiça autorizou o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em endereços localizados na capital paulista, em Guarulhos e em São Caetano do Sul.
O inquérito apura os crimes de estelionato e associação criminosa. (GABRIELA CECCHIN/Folhapress)