Imagem de artigo adulterada prejudica candidato
Redação DM
Publicado em 26 de abril de 2018 às 02:53 | Atualizado há 1 ano
O ex-vice-prefeito de Jussara e que foi candidato a prefeito nas eleições de 2016, Clézio Ascêncio (MDB), esteve na redação do Diário da Manhã esta semana para esclarecer seu posicionamento após a publicação da matéria ‘Articulista do DM tem material adulterado’, na última segunda-feira (23), em que o ex-governador do Tocantins e desembargador aposentado, Liberato Póvoa–que é articulista do DM, revelou ter sido vítima de um crime virtual em que um artigo de sua autoria publicado no jornal, em 2016, teve a imagem ilustrativa alterada pela foto de Clézio e cheques supostamente sem fundos.
Tanto Clézio quanto Liberato só tomaram conhecimento da adulteração da imagem que ilustra o artigo intitulado ‘As eleições municipais estão aí. Cuidado com os picaretas’–publicado originalmente em 28 de setembro de 2016 pelo Diário da Manhã–neste mês e, só então, estão tomando as providências legais. Liberato abriu inquérito no 7º Distrito de Polícia, em Goiânia, e o crime está sob investigação. Clézio também fez uma declaração do ocorrido e aguarda o desenrolar da questão.
Para Clézio, a falsificação da imagem original do artigo influenciou os resultados das eleições municipais e o prejudicou: “Disputei as eleições para prefeito de Jussara em 2016 e, durante o período eleitoral, foi divulgada pelas redes sociais, dois dias antes das eleições, a reportagem do Diário da Manhã em que tinha uma imagem minha e de cheques, que eram provenientes de desacordo comercial, mas aquela montagem passava o entendimento de que eram cheques sem fundos”, explicou e destacou que não conhecia o autor do artigo–Liberato Póvoa–e não entendeu o motivo da publicação, mas acreditava ser verdadeira.
“Como o autor do artigo falava sobre picaretas, ‘cuidado que as eleições estão aí’, dava a impressão que eu era o picareta. Naquele instante eu não sabia que era falsa, acreditei que era verdadeira. Não conhecia o dr. Liberato, sabia que era alguém importante e fiquei admirado como que alguém faria aquilo de publicar algo daquela natureza, fiquei indignado. Mas enfim, ficou por isso mesmo”, relatou Clézio.
FAKE NEWS
A imagem original do artigo era de uma urna eletrônica e a bandeira nacional, no entanto, a foto foi substituída pela de Clézio e os cheques do desacordo comercial. “A data do artigo continua a mesma, só mudou a imagem, como se eu tivesse feito isso”, indignou-se Liberato. O perfil do Facebook que divulgou o material adulterado–nome de Jonas Marcelo–provavelmente se trata de um perfil fake, como acredita o delegado Manoel Borges, que investiga o crime virtual.
Conforme Clézio, o artigo com a imagem adulterada foi amplamente divulgado e compartilhado pelas redes sociais da cidade, apesar do artigo não citar seu nome em nenhum momento. “Foi espalhado, principalmente, por Whatsapp. O artigo era do dia 28 de setembro, mas o perfil que compartilhou no Facebook–que deve ser fake–publicou dia 1º de outubro, dois dias antes da eleição. Se espalhou, me desmoralizou e isso prejudicou muito”, lamentou e completou: “Não tivemos tempo hábil para reverter essa situação e, até o início deste mês, acreditava que era uma matéria verdadeira. Mostrei para minha advogada e fomos verificar a edição do jornal e só então constatamos que era uma montagem”. Questionado se as pessoas que compartilharam o conteúdo não verificaram se era verdadeiro, Clézio revelou que até uma rádio do município repercutiu amplamente o artigo sem checar as informações.
Para Liberato, quem adulterou a imagem de seu artigo agiu de má-fé e com intenção de prejudicar o candidato à época. “Aproveitaram que meu artigo era sobre eleições municipais e enviaram pelas redes sociais. Provavelmente, quis difamar. Usou minha matéria, o jornal e tudo, só trocou a foto”, constatou e frisou: ‘Vim tomar conhecimento agora e estamos tomando as providência legais. O delegado disse que irá apurar, detectar a fonte de onde saiu essa montagem para poder processar a pessoa que praticou esse delito”.
RESPONSÁVEIS
Em relação aos possíveis responsáveis pela montagem e compartilhamento nas redes sociais, Clézio diz não querer acusar ninguém e aguarda pelo trâmite legal, mas supõe que quem teria motivações para fazer isso seria o grupo adversário competitivo. “Nos últimos momentos, de acordo com o pessoal da minha campanha, eu já estava à frente, mas não teve nenhuma pesquisa formal. Com essa publicação virou o jogo”, lembrou.
O ex-prefeito de Jussara reforçou que a polícia investiga o caso e com a descoberta da autoria serão as penalidades civis e criminais pertinentes, e não descarta a possibilidade de um processo na esfera eleitoral. “Se ao final acreditarmos ser cabível, depois de descobrir a autoria, vamos processar civil, criminal e eleitoral, em todas as instâncias possíveis vamos recorrer, mas depende da autoria que ainda deverá ser descoberta”, ressaltou Clézio.
Clézio reforçou sua preocupação com a divulgação e compartilhamento de notícias falsas e que as pessoas devem procurar se certificar se o fato é verdadeiro antes de compartilhar. “É justamente a questão dessas notícias falsas que influenciam o resultado de uma eleição, que poderia ser honesto, verdadeiro e as pessoas votarem em quem realmente acreditam. Mas vem uma notícia falsa e descredibiliza a pessoa. Acredito ser interessante que existam as mídias alternativas, mas elas também trazem grandes problemas com relação à credibilidade das matérias. É importante que as pessoas verifiquem essas notícia”, avaliou.
