Cotidiano

Guerra comercial entre EUA e China beneficia o Brasil

Redação DM

Publicado em 15 de abril de 2018 às 03:15 | Atualizado há 1 ano

Perspectivas da economia e da agropecuária brasileira foi o tema levantado por Ale­xandre Mendonça de Barros, en­genheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, e sócio diretor da MB Agro. O doutor em Economia Aplicada pela USP atendeu a convite da Agrope­cuária Grande Lago, sediada em Goiânia e com sistemas modernos de confinamento no município de Jussara, no Vale do Araguaia, e falou a confinadores sexta-feira à tarde no auditório da Faeg, nesta Capital.

Na visão de Mendonça de Bar­ros, a “guerra comercial” entre o pre­sidente americano Donald Trump e a China beneficia o Brasil na for­te demanda de grãos e carnes. A úl­tima cartada foi de Trump, que dis­se à semana passada, que pretende impor mais US$ 100 bilhões em ta­rifas sobre produtos chineses, além dos US$ 50 bilhões já anunciados. A afirmação é uma resposta à decisão da China de retaliar o país e cobrar taxas sobre vários produtos ameri­canos, como aço, alumínio, grãos, algodão e carnes. “A China impor­ta US$100 milhões de soja dos Esta­dos Unidos e do Brasil”, adicionou.

Para o conferencista, a “cobrança de 25% de impostos pelos america­nos em cima dos chineses é um prê­mio indireto para os brasileiros, que se beneficiarão da guerra comercial na oferta de soja”. A guerra comercial provocada pelos americanos con­tra a China resultou num prêmio de dois dólares a mais aos exporta­dores de soja brasileiros.

O cenário atual favorece, tam­bém, o Brasil no segmento do al­godão. Mendonça de Barros mos­tra-se bastante otimista com as perspectivas nacionais. Ele toma por base a recuperação econômi­ca, lenta mais firme, o crescimen­to do PIB em 3%, inflação baixa e os juros em queda. Em sua opinião, a Taxa Selic deve ficar em 6%, em­bora o Ministério da Fazenda tenha falado em7%, a economia pede 5%.

CENÁRIO POLÍTICO

Se Barros traça uma economia equilibrada para o decorrer do ano, chama atenção, no entanto, para as eleições de outubro, quando se­rão eleitos novos deputados, sena­dores, governadores e presidente da República. O cenário político eleitoral tem suas nuances preo­cupantes. Dependendo dos can­didatos com boas perspectivas ao Palácio do Planalto, em Brasília, pode haver um cenário de incer­tezas e conseqüente inseguran­ça. A economia pode sofrer con­seqüências com relação a déficit fiscal, dívidas do setor público, des­valorização do Real, receita, taxa de câmbio, queda no Produto Interno Bruto (PIB) e reforma da Previdên­cia. “Podemos cair numa Venezue­la”, observa, demonstrando preo­cupação com os investimentos nacionais e internacionais no País.

Segundo ele, com a macro-eco­nomia arrumada, o Brasil “tem tudo para crescer”. A atividade agrope­cuária será amplamente favorecida. O agronegócio em geral. A deman­da de carnes este ano “não mete medo”, disse voltando-se para os pe­cuaristas. No segmento dos grãos, Mendonça de Barros foi mais cau­teloso. Chamou a atenção para os fenômenos La Niña e El Niño nas regiões produtoras. “La Niña pre­nuncia boas chuvas para os Cerra­dos, favorecendo a cultura da soja. Mas, não para o Sul”, acrescentou.

Pelos dados da Cia. Nacional de Abastecimento (Conab, a safra de soja alcançará 116 milhões de tone­ladas e do milho, 26 milhões, segun­da safra. A Conab divulgou sexta-fei­ra que o 7º levantamento da Safra de Grãos 2017/2018, apontou que a co­lheita de grãos deverá ser a segunda maior do País, com uma produção que pode chegar em 229,5 milhões de toneladas. De acordo com o ór­gão, apesar da queda de 3,4% em comparação à safra passada, que chegou a 237,7 milhões de tone­ladas, o número é ainda bastante elevado se considerada a média de produção no Brasil em condições atmosféricas normais.

DEMANDA POR CARNES

Mendonça de Barros prevê de­manda forte por carnes no mundo como um dado positivo. No País, os preços do frango caem no mer­cado de consumo devido aos blo­queios sanitários do Ministério da Agricultura, questão de alojamen­tos, entre outros fatores. Com os ajustes, a tendência é de reativa­ção da atividade, com equilíbrio entre a oferta e a procura. As cota­ções de carne de frango e suína no mercado externo correspondem.

O maior rebanho do mundo, em número de animais está na Ín­dia, seguido do Brasil, China, Es­tados Unidos e União Européia. O rebanho mundial está em torno de 998,3 milhões de animais, sendo que a Índia representa 30,3% des­se total, com mais de 300 milhões de bovinos em seu território.

O Brasil, com 226,0 milhões de bovinos, tem 22,6% do total de ani­mais do planeta. O importante é destacar que os cinco maiores reba­nhos mundiais detém mais de 70% dos animais ao redor do mundo.

Os Estados Unidos são os maiores produtores de carne bo­vina, com cerca de 11,6 milhões de toneladas ao ano (18,8% do que é produzido no mundo). Ape­sar de possuírem apenas quar­to maior rebanho do planeta, os EUA são os mais eficientes na pro­dução de carne bovina. O Bra­sil, União Européia, China e Índia completam a lista dos principais produtores de carne bovina, com 9,2, 7,8, 6,9 e 4,2 milhões de to­neladas anuais, respectivamente.

No primeiro trimestre de 2018 o Brasil faturou US$1,29 bilhão com a venda de carne bovina para o ex­terior. Isso representa uma alta de 20,1% sobre o mesmo período de 2017. E é importante destacar que esse é o segundo melhor trimes­tre em termos de receita, perden­do para o ano de 2014 na base tri­mestral de comparação.

Contudo, o volume de embar­ques de carne bovina no 1° trimes­tre de 2018 é recorde histórico, com o País atingindo 319,0 mil tonela­das e superando o recorde ante­rior de 2014 (305,5 mil toneladas).

Reabertura de frigoríficos re­duz rentabilidade dos frigoríficos

A rápida expansão da capaci­dade de abate de bovinos do par­que frigorífico nacional, viabiliza­da pela reabertura de abatedouros que estavam fechados há muitos anos, está reduzindo a rentabili­dade dos frigoríficos.

Além disso, os preços baixos da carne de frango e da carne suí­na pressionam as cotações da car­ne bovina no mercado brasileiro, o que dificulta eventuais repas­ses de preços dos frigoríficos para recompor as margens, afirmou o analista da consultoria MB Agro, César Castro Alves.

Na exportação, a diferença en­tre o preço da carne bovina em­barcada e o do boi gordo ficou em 4% na média dos primeiros três meses do ano, de acordo com le­vantamento da MB Agro. A média histórica do indicador calculado desde 1997 é de 21%. No ano pas­sado, o indicador ficou em 11%.

No mercado doméstico, o pre­ço da carcaça bovina represen­tou 97% do preço do boi gordo no primeiro trimestre, também se­gundo a MB Agro. Normalmente, esse indicador de margem bruta é mesmo negativo porque os fri­goríficos só entram no azul ape­nas depois de venderem os sub­produtos como o couro e cortes de carne de maior valor agrega­do. Nesse sentido, a diferença ne­gativa entre o preço da carne bo­vino e do boi não é uma novidade na indústria de carne.

O grande problema para as em­presas é que o atual quadro é bas­tante diferente daquele que justifi­cou o movimento de reabertura de frigoríficos. No ano passado, em meio ao encolhimento dos aba­tes da JBS, a carcaça valia 101% do preço do boi.

“A animação com a expansão dos frigoríficos era fantasiosa”, ava­liou um alto executivo de um dos maiores exportadores de carne bovina do país. A avaliação é que, mesmo que a oferta de boi tenha aumentado em razão do ciclo pe­cuário, a expansão de capacidade ficou além da conta.

Na Marfrig Global Foods, por exemplo, a reabertura de frigo­ríficos ampliou a capacidade de abates em 70%. Grupos menores como o frigorífico Frigol, do inte­rior paulista, também expandiram os abates em mais de 50%.

 

Tecnoshow registra R$2,5 bi em negócios

Otimismo foi a palavra de or­dem durante a 17ª edição da Tec­noshow Comigo, em Rio Verde, no Sudoeste Goiano. A feira mo­vimentou mais de R$ 2,5 bilhões em volume de negócios no perío­do de 9 a 13 de abril. O número é recorde, se comparado às edições anteriores, já que em 2017 o volu­me atingiu R$ 1,7 bilhão e em 2016, R$ 1,3 bilhão. Mais de 106 mil pes­soas visitaram o Centro Tecnoló­gico (CTC), que neste ano contou com a presença de 550 expositores de diferentes segmentos. A Coope­rativa Agroindustrial dos Produto­res Rurais do Sudoeste Goiano (Co­migo) já confirmou também a data da feira para 2019: será de 8 a 12 de abril, em Rio Verde.

Segundo o presidente da Co­migo, Antonio Chavaglia, em en­trevista coletiva no encerramento da feira este foi um ano promissor em todos os sentidos, tanto para os produtores rurais quanto para as empresas presentes na feira. “Os números de 2018 foram bastan­te expressivos e gratificantes, por­que mostram o resultado do traba­lho em equipe e a importância da união de esforços em prol de viabi­lizar o agronegócio. Pessoas de vá­rios estados visitaram a feira e pu­deram perceber a integração que existe entre produtores, a Coope­rativa e o público”, ressaltou.

Chavaglia enfatiza ainda que ocorreram desafios ao longo do último ano, econômicos e políti­cos. “Mas nós, produtores rurais, estamos acostumados a desafios e enxergamos 2018 com otimismo. Apesar de tudo ao que estava acon­tecendo no País, trabalhamos para promover renda e sustentabilidade. Cada vez mais vamos continuar a produzir alimentos”, destacou.

Durante os cinco dias de Tec­noshow foram apresentadas tec­nologias e novidades em máquinas, veículos e equipamentos agrope­cuários, insumos e resultados de pesquisas, além de demonstrações e lançamentos de novas variedades de cultivares, plots agrícolas em vá­rios experimentos, apresentações, palestras com especialistas reno­mados e dinâmicas de animais.

Aproximadamente cinco mil pessoas buscaram conhecimento por meio de mais de 100 palestras/ dinâmicas realizadas nos cinco dias do evento nos auditórios do CTC, Casa da Embrapa, Sistema Faeg Se­nar Sebrae, Emater, UniRV e nos es­tandes de alguns expositores.

DINÂMICAS DE PECUÁRIA

Novas tecnologias, informação, exposição de animais, dinâmicas, equipamentos que auxiliam no au­mento de produtividade e opções de investimentos foram atrações da área de pecuária no evento. O público pode acompanhar novi­dades de raças de bovinos, equí­deos, ovinos, peixes, entre outros. Foram mais 1,5 mil participantes das dinâmicas e mil animais pre­sentes, sendo que a maioria estava disponível para comercialização.

Entre as novidades em 2018 es­tava o maior número e diversidade de dinâmicas, incluindo temas tec­nológicos como a criação de uma nova linhagem de Nelore com mus­culatura dupla, manejo racional de bovinos indicando técnicas que agregam maior desempenho na produção e consequente aumen­to de receita na atividade, além de técnicas para um melhor aprovei­tamento das forrageiras, avaliação de risco sanitário em confinamen­tos, saúde dos cascos e seu impac­to na atividade leiteira.

Também estiveram em deba­te manejo de bezerras, vantagens na utilização de raças para cru­zamento industrial, manejo de ordenha, manejo nutricional de equinos, escolha de um bom re­produtor ovino, uso de cães au­xiliando o manejo de rebanhos, benefícios da modernização da gestão, através do programa Su­per Pec, além de muita expecta­tiva nas negociações de animais, produtos e serviços veterinários”, acrescentou o médico veteriná­rio Aurélio Souza Silva – coorde­nador de pecuária da feira.

 

Plantas daninhas e lagartas terão combate eficaz, promete a Monsanto

Os índices de produção de soja crescem a cada safra em Goiás, colo­cando o Estado no ranking dos qua­tro maiores do País. Este fato se deve à introdução de novas tecnologias, se­mentes melhoradas e conseqüente manejo. Para contribuir com o pro­dutornessecrescimento, aMonsanto deu um novo passo com o desenvol­vimento de biotecnologias objetivan­do o potencial aumento de produti­vidade do sojicultor.

Os agricultores goianos que esti­veram na Tecnoshow Comigo, em Rio Verde, conheceram os benefí­cios da nova soja em desenvolvimen­to pela empresa. A Intacta2 xtend, segundo Fábio Passos, líder de lan­çamentos da Monsanto para a Amé­rica do Sul, “proporcionará soluções para a proteção e eficiência na lavou­ra e impactará também a produtivi­dade do agricultor”.

Em um estande exclusivo para a marca, a empresa apresenta pela primeira vez no Estado os atributos da nova plataforma. A Intacta 2 deve­rá ser lançada no mercado em 2021 e os testes pré-comerciais entre os anos 2019/2020. O produto tem o ob­jetivo de combater a lagarta e plantas daninhas que costumam causar da­nos às lavouras. No município goia­no de Santa Helena foram feitos en­saios, de um total de quinhentos no País todo, com a nova tecnologia os resultadosforampromissores, segun­do adianta ao Diário da Manhã o ex­perto Fábio Passos. “A eficácia foi de 95% no combate às lagartas”, complementou. O especialista não precisou, no entanto, os possíveis custos, sob a justificativa de que cada região tem os seus percalços climáticos, de solo entre outros possíveis fatores. “Nes­te período, também, colocaremos à disposição do produtor variedades de alto potencial produtivo para refú­gio, que não serão apenas tolerantes ao glifosato, mas também ao dicam­ba”, diz. Paraacrescentarque“quando o agricultor utiliza métodos de ma­nejo integrado de pragas, como o re­fúgio, conseguimos dificultar a sele­ção de insetos resistentes e preservar osbenefíciosdatecnologiaBt, encon­trada nas sojas com tecnologias Inc­tata2 xtend e Intacta RR2 Pro”, refor­ça, ao observar que a empresa tem como parceira principal a Embrapa.

 

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia