Política

“Não quero mais perder eleições”

Redação DM

Publicado em 23 de fevereiro de 2018 às 04:33 | Atualizado há 8 anos

Três vezes prefeito de Cata­lão e três vezes deputado es­tadual, Adib Elias é um dos nomes mais experientes do MDB, partido ao qual está filiado a 47 anos. “Me filiei ao MDB em 1971, quan­do era médico residente no Rio de Janeiro e o governador era Chagas Freitas “, conta. Com a experiência de quem disputou – e perdeu–, uma convenção no PMDB para escolha do candidato a governador, Adib Elias diz que este é o momento do partido evitar o desgate de uma fis­sura. Em 2006, ele foi pré – candida­to ao governo do Estado, e perdeu a convenção para Maguito Vilela. “Perdi, mas no meu discurso, pre­guei a união e apoiei a candidatura do Maguito”, recorda. Ao lado de ou­tros prefeitos como Ernesto Roller (Formosa), Renato de Castro (Goia­nésia) e Paulo do Vale (Rio Verde), Adib não esconde a simpatia pela candidatura do senador Ronaldo Caiado. Segundo ele, o MDB não pode mais perder eleições, e por isto deve discutir a possibilidade de uma aliança com o DEM.

JANELA PARTIDÁRIA

Sabtinado na Rádio 730 pelos jornalistas Kleber Ferreira, Eduar­do Horário e Rubens Salomão, Adib defende critérios para que o deputado federal Daniel Vilela (MDB) e o senador Ronaldo Caia­do façam o entendimento e saiam juntos na mesma chapa. Ele aler­ta que ninguém pode substimar a capacidade política do gover­no, e que o MDB não tem o direi­to de perder pela sexta vez a dispu­ta pelo governo do Estado.

DEFINIÇÃO

Adib adverte que vários prefei­tos e deputados querem uma defi­nição do MDB antes da chamada janela partidária ( prazo legal para troca de partido) que acontece no dia 07 de abril. “um dos grandes políticos de Goiás, hoje, não estou jogando no futuro não. O maior deputado que já me ajudou na cidade de Catalão. Eu não tenho certeza se conseguiria ser o que o Daniel é em Brasília hoje, em ter­mos de compreensão, em termos de entedimento e de respeitabili­dade. Agora, ele está à frente do partido, a qual eu ajudei a colocá – lo e todos estes (prefeitos) aju­daram, para que? Ele precisa sen­tar e conversar”, cobra.

 

ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

 

Qual é a proposta dos prefeitos caiadistas do MDB?

A minha relação com Ronal­do Caiado é desde 1974,no hospi­tal Miguel Couto no Rio de Janei­ro. Em 2002, na casa de Brasílio Caiado, ao lado do Castros Hotel, que promoveu encontro entre Bra­sílio, Ronaldo, Demóstenes, Iris, Maguito e Adib Elias, que culmi­nou no apoio de Demóstenes para eleição de Iris em 2004. Então esta relação é de quando fazíamos re­sidência médica no Hospital Mi­guel Souto. (Em 2014) o Caiado saia candidato ao Senado conos­co, teve um papel preponderante. Deu brilho para a campanha. Nos ajudou profundamente, e muita gente se afeiçoou ao Ronado Caia­do. E eu percebi isto na campanha do segundo turno de Iris Rezen­de, que o povo estava direciona­do para o nome de de Ronaldo Caiado. Nós nunca declaramos apoio a Ronaldo Caiado. Estamos conversando com ele. Nós quere­mos conversar com o partido. O MDB, tem gente que filiou, se há três anos e quer falar em nome do partido. Eu me filiei ao MDB do Chagas Freitas no Rio de Ja­neiro em 1971. Tem muita gente que foi da Arena e que acha que é mais emedebista que eu! Agora, eu não vou mais sacrificar a mi­nha cidade, há 20 anos na opo­sição, e a minha cidade me dig­nifica, pois me deu uma grande votação, como foi também na elei­ção de Ronaldo Caiado (ao Sena­do) e na maior votação propor­cional do Iris há três anos atrás. Mas eu não quero mais ficar na oposição. Até quero, se nós errar­mos, se nós se eu escolher errado e nós perdemos a eleição. Isto é uma causa, a outra causa é o que nós estamos fazendo.

E o que o MDB est á fazendo?

Nós não estamos disputando com neófito, não estamos dispu­tando com governador que não conhece política. O Marconi co­nhece profundamente a política, e nós perdemos a eleição de 1998 para ele, mas as outras quatro nós entregamos por erros do PMDB. O que nós, os prefeitos de Cata­lão,Goianésia, Rio Verde, Formo­sa de Turvânia e muitos outros, juntamente com os deputados es­taduais: queremos que o partido sente e discuta o que é melhor para as oposições. Se nós todos somos oposição é porque temos alguma coisa em comum, pensamos de maneira semelhante. E política é onde se agrupam pensam mais ou menos igual. Ninguém é obri­gado a pensar igual ao outro. Eu não penso como o Iris, nem ele como eu, ou o Maguito. Agora, o partido nosso definiu que a can­didatura era do Daniel e aí abro um parêntese: um dos grandes po­líticos de Goiás, hoje, não estou jogando no futuro não. O maior deputado que já me ajudou na cidade de Catalão. Eu não tenho certeza se conseguiria ser o que o Daniel é em Brasília hoje, em termos de compreensão, em ter­mos de entedimento e de respei­tabilidade. Agora, ele está à fren­te do partido, a qual eu ajudei a colocá-lo e todos estes (prefeitos) ajudaram, para que? Ele precisa sentar e conversar. Ontem pela pri­meira vez teve uma grande reu­nião: o Maguito, eu e o José Nelto e o ex-deputado Leo Mendanha, onde disse para o pai, a mesma coisa que disse aqui: precisamos ver a metodologia de escolha do nosso candidato. Não podemos nos dividir.

Nós nunca declaramos apoio a Ronaldo Caiado. Estamos conversando com ele. “Queremos conversar com o partido”

 

E qual deve ser a metodologia?

O candidato vai ser escolhi­do por pesquisa qualitativa, por pesquisa quantitativa, quem tem o maior tempo eleitoral (na pro­paganda de rádio e tv), quem tem o número de partido. E hoje tem uma reunião de prefeitos com Iris para fazer esta comunicação para ele. E o Iris é inteligente, ele não vai tomar posição agora. Vai ter que resolver. Mas hoje ele vai to­mar conhecimento de que tem um grupo muito grande, de cidades muito grandes, de um PIB políti­co muito grande, de que tem que sentar e conversar sobre o méto­do de escolha do nosso candidato.

Mas ele disse, na inauguração do diretório do MDB, de que o MDB não pode ficar sem candidato próprio ao governo do Estado, e que tem ser do MDB.

Ele estava muito emociona­do. Eu conheço ele, na verdade o Iris acha, e o Iris tem um envolvi­mento grande com o Maguito, mas hoje tem um envolvimento grande também com o Ronaldo Caiado. Na verdade o que ele quer, e o que ele entende é que não é só a sigla partidária que não será a respon­sável pela vitória da oposição em Goiás. De forma que acho que tem muita água para rolar debaixo desta ponte, e mais ainda: se ama­nha, nestes métodos que usados para escolher o candidato, se for o Daniel, eu estou em casa. Mas eu digo com a tranquilidade de quem tem 47 anos de filiação ao MDB, que só saiu uma vez para chegar à Assembleia Legislativa, em 1994, porque na verdade não me davam a oportunidade para ser candidato, e eu tive que sair praticamente sozinho, mas com ajuda de amigos e líderes políti­cos. Então tenho 47 anos de par­cerias dentro do MDB, de lealda­de ao MDB, e quero deixar muito claro que eu não quero mais per­der as eleições em Goiás. Eu não quero ser mandado por alguns po­líticos que não tem a mesma for­mação moral, intelectual e políti­ca que eu tenho, e ficar debatendo na Assembleia com homens e mu­lheres que não teriam nem condi­ções de estarem lá, mas estão por­que são filhos da propina goiana.

Se o MDB decidir que a candidatura é de Daniel Vilela numa convenção, o sr. segue com o partido, o sr. está em casa?

Eu estou dizendo que, após debater esta metodologia e for o Daniel Vilela que ganha a eleição, eu tenho certeza de que até o se­nador Ronaldo Caiado quer isto.

Mas com esta metodologia, o MDB apoiaria um candidato que não é do MDB?

Eu entendo que se for da opo­sição–e aquilo que eu falei, que nós estamos na oposição porque pensamos semelhante e não esta­mos de acordo com aquilo que está aí. Agora, na verdade neste mo­mento–e declaro pela primeira vez: eu quero ganhar as eleições e não quero mais ficar na oposição de brincadeira por erros técnicos profundos. Porque há dois anos atrás, todo mundo serviu para nos ajudar na campanha para prefei­to, na campanha de governador do Estado. Agora, porque não ser­ve mais para particpar conosco, não (apenas) o Ronaldo Caiado, ou outro da oposição que está co­nosco que ganha a eleição. Eu sei que muita gente está descontente. O pessoal do PR está desconten­te, o PTB está descontente, só que a maioria não tem esta liberda­de, esta facilidade que eu tenho.

Mas qual é esta metodologia?

A metodologia é quem tem voto. É quem na pesquisa qualita­tiva aparece bem, é quem na pes­quisa quantitativa… Eu queria é que todo mundo desse o exemplo que um rapaz, que foi prefeito lá em Catalão deu em 2006: eu sai candidato, na primeira vez que fomos (disputar) uma convenção política do PMDB: o Maguito saiu candidato eu cheguei com o Ci­dinho (Alcides Rodrigues) com 11% o Maguito tinha 53%, meu partido votou no Maguito, eu tive quase 30% e talvez sejamos gran­de amigos, como somos hoje ain­da. Este é o exemplo que eu dei. Eu perdi a convenção e entrei na campanha do Maguito. Escolheu o método, ganhou o Daniel, ou ganhou o Caiado, eu estou com qualquer um.

O sr. acha que existe alguma possibilidade da oposição sair rachada, e aí o Daniel sai candidato, e o Caiado sai candidato?

Eu vou falar para vocês, com muito respeito que tenho pelo Maguito, e ontem eu sen­ti que ele não quer isto. Nós te­mos que fazer das tripas coração. Política é o ato de sentar, deba­ter, discutir. Vai ter uma reunião com Iris, vai na outra semana, e se sentar e discutir você che­ga a uma conclusão. O que não pode é a pessoa não querer dis­cutir. Eu tenho o MDB na mão, e eu sou candidato como o Da­niel e isso ficar… Não. Então vai ter uma rachadura muito gran­de, e eu posso dizer, a rachadu­ra, a lesão que vai ter dentro do MDB é gravíssima e pode até dar a eleição defnitiva para o Ronal­do Caiado.

E como o sr.vê a possibilidade do Maguito vir a ser este candidato da união?

Hoje eu acho difícil. Eu vejo hoje que o Maguito, num grande acordo, o senador Ronaldo se sen­tir que não ganha eleição ele sai. Pelo menos é o que ele fala para nós. E também se não fizer aquilo que temos conversado não temos obrigação de seguí-lo. Eu não dei declaração que está com ele, nem o Ernesto e nem ninguém. Agora, o Maguito é um grande nome para qualquer coisa. Mas ele não dis­puta a governadoria, mas seria um grande nome numa chapa de senador da República.

Mas para ele ser senador, o Caiado teria que ser candidato a governador

Exatamente, qual é o pro­blema? E se ele não quiser ser, se amanhã for o Ronaldo Caiado, eu não vejo melhor nome do que o Daniel. É um rapaz de quali­dades acentuadíssimas, com 34 anos, que tem todo um futuro pela frente e eu disse ontem: pode até chegar à presidência da Repúbli­ca. O Maguito só foi governador do Estado porque estava na hora certa, no lugar certo. Ele foi um homem leal,descente como vice­-governador de Iris Rezende e a própria família de Iris em 1994 defendeu o nome dele.E estas são as circunstâncias e os exemplos. Perder eleição não é brincadeira não. Eu perdi a convenção e dei o maior exemplo para o meu parti­do, e fiquei com o candidato.Elei­ção é isso, você ganha, pode per­der, porque aquele não era o seu momento. Agora, não é fácil fazer 600 aobras como eu fiz na cida­de de Catalão de 2001 a 2008 sem governo do Estado. E eu quero te dizer que eu entrei muito pouco no Palácio das Esmeraldas,e eu quero entrar lá com um governa­dor que me ajude a administrar. Eu não vou sacrificar mais não. Não quero mais botar bandeira de que Catalão é uma cidade de oposição em Goiás. Pelo contrá­rio, eu amadureci, meus cabelos estão brancos e eu estou mais ma­duro, mas experiente, eu quero de­fender a minha cidade com um governador do meu lado.

Sendo escohido o Caiado, o sr. defende que o MDB siga junto, sendo o contrário, escolhido o Daniel, o sr. acredita que o Caiado vai junto?

Tenho absoluta certeza.Esta é a conversa mais contundente que temos com ele. O que ele que é que sejam escolhidos os métodos e quem tiver bem vai. Ele nunca falou para nós–e olha que é um grupo de pes­soas de um prefeito de Goianésia, um prefeito de Catalão, um prefei­to de Formosa, com a experiência de um Ernesto Roller, ninguém está alí brincando. E o Ronaldo cum­pre o que ele diz. Agora, não tem nada contra a grandeza do Da­niel. O que nós queremos é sentar para conversar. Nós não podemos ter fissura nesta campanha elei­toral. O PMDB, nas últimas elei­ções quantos partidos estavam co­nosco? Praticamente nenhum. Os partidos nanicos somam, pois tem vinte candidatos pedindo votos, e muitos deles ganham vagas para deputado federal.

Daniel Vilela é um jovem já experiente, tem um futuro político promissor em Goiás”

 

O MDB não é o maior partido, e por isto não tem a necessidade de ter candidato?

O PMDB é o partido de maior capilaridade em Goiás. Agora, o PMDB tem que entender que nós erramos. Ninguém aguen­ta acompanhar líder que perde eleição, e nós já perdemos cinco. Nós vamos virar um partido na­nico em Goiás. E não tenho dú­vida de que podemos convidar o Caiado a se filiar ao MDB. Não tenho dúvida nenhuma. Ele tem um problema em Brasília com o DEM, para ele seria difícil, mas ele convive conosco. O time polí­tico do Ronaldo Caiado está no MDB. Foram eles que nos ensina­ram a gostar do Caiado.

Mas aí ele se filiaria depois das eleições?

Claro, não vejo dificulda­de nisto.

O sr. já conversou isto com ele?

Tudo isto que estou falando aqui, eu falo depois que eu con­verso, depois que eu tenho certeza.

O sr. está falando em união da oposição, que se a oposição não se unir, perde as eleições. O PT é oposição em Goiás?

Não adianta você querer me colocar em dificuldade. O PT é oposição ao PSDB. O PT em Cata­lão está comigo. Como é que você vai falar de um partido que tem a grandeza de um Pedro Wilson, a Marina, que este partido é ruim. Mas eles estabeleceram critérios,q ue são os critérios que nós tam­bém temos que estabelecer, que só vão apoiar o candidato que der palanque para o presidente Lula. Então está definido o PT. E quem estava atrás disso era o Da­niel. E como é que o PT vai cami­nhar com o Ronaldo Caiado? Aí você fala, tudo pode. Mas isto é extremamente difícil. Tem vários companheiros do PT que estão trabalhando comigo na prefei­tura, e do DEM também. Ago­ra, temos que calçar a sandália da humildade, porque temos que entender que o PMDB começou a perder as eleições quando cal­çou sapatos de saltos altos. Acha­va que era só lançar candidato que ganhava eleição. Um gran­de amigo, o dr.Antônio Baiochi dizia que iriamos perder o poder em 2002, mas isto se adiantou em quatro anos e perdemos em 1998, porque o PMDB calçou sapato alto, largou de cuidar das bases no interior, que era quem sem­pre dava a vitória para o MDB, que era o interior, e não a capi­tal. E nós esquecemos do interior e perdemos as eleições.

O sr. defende a conversa antes do dia 07 de abril?

Os prefeitos estão dizen­do lá, e eu estou na frente para não deixar isto acontecer, estão entendendo que até o dia 15 de março tem que definir. Temos que ter hnumildade. As vezes você perde aqui para ganhar lá na frente. O PMDB tem capi­laridade, mas nós precisamos ganhar uma eleição.

Quem está hoje na base do governo que pode ir com o MDB e o DEM?

Eu participo das conversa­ções pelo acordo. O Eurípedes, que foi prefeito de Bela Vista as­sumiu o PSC e apoia o Ronaldo Caiado. A Assembleia de Deus que é enorme, uma instituição importante, o suplente dele é ir­mão do pastor Oides, e é claro que eles vão estar juntos. O PSC, o PSDC, e são oito partidos que es­tão com o Ronaldo Caiado, como o PMN, o PRTB. Agora, entendo que o tempo eleiltoral do DEM e do PMDB… E tenho a convic­ção de dizer o que eu vivi. A pes­soa pode criticar o Jovair Aran­tes no que quiser, mas tanto ele, quanto o filho dele são homens de palavra.Se disserem para você eles cumprem. O Vilmar Rocha está contrariadíssimo, ele já ar­rebentou a candidatura do go­verno. O Jovair está contraria­díssimo, a Magda Moffato está contrariada. Na hora da chapa do Senado vai sobrar um, a Lú­cia Vânia (PSB) ou o Wilder Mo­rais (PP), e eu quero te dizer: se a gente estiver unido do lado de cá esta gente tem coragem de se posicionar conosco, mas dividi­dos, eles não vem. Eles preferem o risco de estar ao lado do go­verno, do que ir para uma coisa que eles não sabem no que vai dar. Mas se estivermos unidos vamos ter muitas bases politicas se agruparão ao nosso projeto.

 

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