Esquerda terá nomes para governo estadual
Redação DM
Publicado em 23 de fevereiro de 2018 às 04:23 | Atualizado há 1 ano
O Partido dos Trabalhadores vai lançar um candidato a governador e formar uma chapa majoritária com outros partidos de esquerda e centro-esquerda – PDT, PSB, PSol e PCdoB. A presidente estadual do PT, Kátia Maria Santos, afirmou ao Diário da Manhã que a decisão foi tomada após uma reunião da Comissão Executiva estadual e posterior respaldo da presidente nacional do partido, senadora Gleisi Hoffman.
O próximo passo é definir os nomes, que devem ser anunciados até abril. “Vamos entrar na fase de dialogar nomes internamente e vamos continuar dialogando com os partidos de esquerda”, anunciou Kátia Maria. Os outros partidos da chapa poderão lançar candidatos para vice-governador, dois senadores e dois suplentes de senador, totalizando oito nomes na chapa.
Um dos motivos da candidatura própria do PT foi a inviabilidade de uma aliança com o MDB e seu pré-candidato Daniel Vilela, devido ao contexto político nacional. A presidente estadual do Partido dos Trabalhadores já havia afirmado ao O Popular que a prioridade da sigla é criar um palanque para possível candidatura do ex-presidente Lula.
A Rede Sustentabilidade também cogita a possibilidade de lançar um candidato próprio, mas a questão ainda não foi decidida, informa ao Diário da Manhã a professora universitária e porta-voz da Rede em Goiás, Eva Cordeiro. Apesar de já terem dois possíveis nomes – um delegado da Polícia Federal e um procurador da República aposentados – o fato de serem um partido pequeno com Fundo Partidário reduzido dificulta essa ideia.
Outra possibilidade já discutida dentro do partido é lançar um vice-governador junto a outro candidato, desde que este não seja o senador Ronaldo Caiado nem o atual vice-governador Zé Eliton. “Ou a gente constrói uma candidatura autoral, baseada em redes sociais, ou a gente entra como vice e oferece o capital político da Marina a um candidato de terceira via. Sabemos que há outros nomes além dessa polarização entre Caiado e Marconi”, explica Eva Cordeiro.
Semelhantemente ao PT, o interesse maior da Rede em Goiás é viabilizar a candidatura de Marina Silva (Rede) e para isso procura se aliar a partidos e nomes não envolvidos na Lava Jato, como é o caso da pré-candidata à presidência. As conversas com partidos começaram na segunda-feira e uma outra reunião está marcada para esta sexta-feira.
POLARIDADE POLÍTICA
Nos últimos 35 anos, o governo de Goiás tem sido comandado por governadores de apenas dois partidos: PMDB e PSDB, sendo que este último ocupou o governo nos últimos 20 anos. Confrontada com essa tradição eleitoral em Goiás, a presidente estadual do PT analisa que essa polarização precisa ser quebrada, pois ela traz para o Estado um retrocesso.
“O eleitor nesse momento mostra um cansaço, um esgotamento com esse nível de política. E o PT tem dialogado com a população, elaborando um projeto que chamamos de Goiás e o Brasil que o povo quer, a fim de apresentar uma alternativa para o eleitor goiano sair dessa polaridade”, avaliou Kátia Maria.
ATUAÇÃO
Os partidos de esquerda sempre lançaram candidatos majoritários – governador e senador nas eleições em Goiás, mas ainda não conseguiram êxito nas urnas. As candidaturas majoritárias serviram, entretanto, para oferecer contribuição à eleição para cargos proporcionais – deputado federal e estadual.
A chamada frente de esquerda não vingou em pleitos passados, com os partidos atuando em faixa própria. PT, PCdoB, Rede, PSol, PCB e PSTU marcaram presenças em pleitos goianos, com nomes próprios a governador e senador.
Desde a redemocratização do País, em 1989, com a volta das eleições diretas para a presidência da República, as legendas de esquerda participaram ativamente dos processos eleitorais do Estado, com chapas diversificadas tanto para o pleito majoritário quanto para o proporcional.
