Política

Caiadistas cobram definição no MDB para final de março

Redação DM

Publicado em 6 de fevereiro de 2018 às 01:07 | Atualizado há 1 ano

A ala caiadista do MDB tem pressa. Os prefeitos eme­debistas Ernesto Roller (Formosa), Adib Elias (Catalão), Paulo do Vale (Rio Verde) e Rena­to de Castro (Goianésia) entendem que é preciso se render aos fatos: Ronaldo Caiado (DEM) lidera as pesquisas, a campanha é curta e a oposição não pode perder tempo, por isto, entendem que o deputa­do federal Daniel Vilela deve bus­car a composição com o senador.

Na defesa da candidatura pró­pria, os prefeitos Gustavo Menda­nha (Aparecida de Goiânia) e Gil­mar Alves (Quirinópolis) avaliam que o momento político é de re­novação, e por isto entendem que é a vez de Daniel e não de Caiado.

O imbróglio emedebista está longe de solução. Além de pré­-candidato ao governo, Daniel Vi­lela é presidente do partido. Ele advoga que 35 prefeitos eme­debitas defendem que o parti­do tenha candidatura própria.

O deputado estadual Wagner Siqueira, o Waguinho, vai em sua defesa, lembrando que nem sem­pre quem está melhor nas pesqui­sas antes da eleições termina na frente, citando exemplo a própria campanha de Caiado ao govenro em 1994, quando era líder abso­luto e terminou em terceiro lugar.

O aperto da ala caiadista aten­de a dois objetivos: testar a resi­liência de Daniel Vilela e ter tento para o Plano B. Conforme foi re­velado aqui no DM, a ala caiadis­ta do MDB flerta com a possibili­dade de mudar de legenda para agregar volume à campanha do senador. Uma das hipóteses aven­tadas é o Podemos, do senador Al­varo Dias. A sigla está à disposi­ção, desde que o DEM não lance candidato próprio à presidência da República–hipótese que cres­ce à medida em que o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, se entusiasma com a ideia de ser presidenciável. Sem o Podemos, o grupo pode buscar outra legen­da que tenha sido recém-criada, evitando assim problemas de infi­delidade partidária. O prazo final para troca de partidos é 7 de abril.

GRUPO DOS VILELA

Para o grupo que respalda a can­didatura de Daniel Vilela, as pes­quisas quantitativas feitas no ano passado não refletem, necessa­riamente, o humor do eleitor nes­te início de pré-campanha, e tam­pouco significam que este será o quadro que se repetirá ao final da eleição. Os danielistas apostam na capacidade de crescimento do seu candidato ao longo do pleito. Ava­liam também que são grandes as possibilidades de Daniel Vilela ir ao segundo turno com José Eliton ou com o próprio Ronaldo Caiado.

Considerando que esta elei­ção caminha inevitavelmente para ter dois turnos, o MDB da­nielista acredita que o deputado terá mais possibilidades de anga­riar apoios na segunda etapa da eleição do que o próprio Caiado. Lembram que o senador dificil­mente terá apoio dos partidos de esquerda em Goiás (PT, PCdoB, PSol) e tampouco deve angariar apoios significativos nos partidos que fazem parte da base governis­ta. Por isto, por mais que os prefei­tos caiadistas batam o pé, Daniel não deve arredar um milímetro.

Principal coordenador da campanha emedebista, o ex-pre­feito, ex-senador e ex-governa­dor Maguito Vilela diz que não vê sentido na dictomia. Ele tem sido enfático em afirmar que o MDB já tem candidato, que in­clusive conta com apoio da base, conforme ficou assegurado nos encontros regionais que a legen­da fez ao longo do ano passado– processo este que foi consolidado com o grande encontro realiza­do em dezembro na Capital.

 

Tradição X renovação: o dilema vivido pelos emedebistas

Desde a redemocratiza­ção no início dos anos 1980 o PMDB sempre lançou candi­dato ao governo do Estado. Em 1982, o partido elegeu Iris Re­zende, que passou o bastão para Henrique Santillo em 1986. Em 1990 Iris retornou ao poder, elegendo como sucessor Ma­guito Vilela em 1994. Em 1998 perdeu para a coligação forma­da pelo PSDB, PTB, PP, PFL.

O PMDB nunca teve me­nos de 30% dos votos no pri­meiro turno. Em 2002, com Ma­guito Vilela o partido ficou com 32,79%. Em 2006, Maguito Vi­lela recebeu 41,17%. Em 2010, Iris marcou 36,38% no primei­ro turno, e em 2014, 30% dos votos válidos. É com esta per­formance que Daniel Viela con­ta para estar entre os finalistas nestas eleições. Os seus adver­sários no partido alegam que, apesar do partido ter este histó­rico, a legenda vem encolhen­do. Em 1998, apesar de perder o governo do Estado, o PMDB elegeu 11 deputados federais e 25 deputados estaduais, nas eleições seguintes não foi assim.

Em 2002, o PMDB ele­geu quatro federais e onze es­taduais; em 2006 foram cinco federais e outra vez onze esta­duais, em 2010, quatro federais e oito estaduais e em 2014, dois federais e cinco estaduais.

Para os emedebistas que são críticos à candidatura própria, é hora de o partido unir forças com outros partidos de oposição, ce­dendo a cabeça de chapa (leia-se candidato a governador) aquele que está melhor colocado nas pesquisas (Caiado), e compor uma chapa forte para o Senado e para o Legislativo (Câmara Fe­deral e Assembleia Legislativa).

Os danielistas rebatem dizen­do que o DEM de Ronaldo Caia­do não tem chapa própria para deputados (estaduais e federais) e sequer da chapa majoritária. Avaliam que o PMDB, por ser o maior partido de oposição do Estado, não pode abrir mão de ter candidato próprio, sob pena de encolher nas próximas elei­ções. Há aqueles que lembram o que ocorreu com o PPB (atual PP), que nas eleições de 1998 era o maior partido de oposição em Goiás, mas ao longo dos go­vernos marconistas definhou, e hoje sequer tem representan­te na Assembleia Legislativa.

A guerra de declarações deve persistir. Tudo indica as­sim como nas eleições de 2010 e 2014, o PMDB/MDB vai marchar dividido – pelo me­nos durante o primeiro turno.

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