Política

Sandro Resende: “Podemos não é sigla de aluguel”

Redação DM

Publicado em 20 de janeiro de 2018 às 01:19 | Atualizado há 8 anos

O presidente do Podemos em Goiás, Sandro Resende, afirma que o partido não está na vitri­ne para ser negociado à conve­niência de nenhum personagem da política goiana. Sandro pro­curou o DM, após a publicação da matéria “Podemos, o plano B dos Caiadistas do MDB”, que cir­culou na edição de quarta-feira (17). Segundo ele, a agremiação tem dialogado com lideranças de todos os matizes com base em critérios muito bem defini­dos, o principal deles o compro­metimento com a candidatura presidencial do senador para­nanese Álvaro Dias.

De acordo com Resende, “o Podemos não é sigla de aluguel. Existe esse vício em Goiás de que todo partido pode ser negociado, o que é terrivelmente nocivo à evolução da política no Estado”, assegura Sandro. Para ele, a po­pulação condena esse balcão de negócios e está bastante atenta às movimentações. “Engana-se quem acha que o eleitor é gado. A sociedade evoluiu muito nos últimos anos e nós, os políticos, precisamos, no mínimo, acom­panhar essa evolução”, acredita.

Questionado sobre o cami­nho que o Podemos deve se­guir na sucessão estadual, San­dro rejeita o rótulo de base ou de oposição. Diz que tem sido procurado por prefeitos e parla­mentares nos níveis municipal, estadual e federal, “fenômeno muito bem-vindo”, e que dialoga com todo mundo em bases pro­gramáticas: “Conversamos com qualquer um que queira discu­tir um projeto de Estado e de País. Esse discurso maniqueísta de base e oposição é muito con­veniente para os dois partidos que se revezam no poder em Goiás desde o começo da déca­da de 1980. Tem sido uma bem­-sucedida estratégia de aprisio­nar o eleitor nessa bipolaridade, mas que faz mal à renovação e à democracia. O Podemos quer acabar com isso.”, discursa.

Sandro pondera, entretan­to, que no atual cenário de primazia do interesse do co­mando nacional, o caminho natural e pragmático do parti­do em Goiás é alinhar-se à opo­sição. “Por uma razão simples. A tal base aliada, liderada pelo PSDB, já tem candidato a presi­dente, que é o (Geraldo, gover­nador de São Paulo) Alckmin. Nosso foco é o agrupamento que oferecer as melhores condi­ções para que o senador Álvaro Dias possa trazer suas propostas e, no momento, ele se posiciona no campo da oposição”, explica.

Sandro estranha, porém, a tentativa de vincular o Podemos ao projeto do senador Ronaldo Caiado (DEM), que, como ele mesmo pontua, tem muito boa relação com Álvaro Dias. “Ora, hoje o Democratas tem candi­dato ao Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ). Isso dificulta a união com o DEM em Goiás. Mas ve­mos um cenário aberto, ainda é muito cedo”, diz.

Sandro afirma categorica­mente que o Podemos não se prestará a propósitos divisionis­tas. Até porque, avalia, seria mui­to mais interessante que as opo­sições em Goiás encontrassem a unidade: “Nesse contexto, tan­to Caiado, como Maguito Vilela (MDB, ex-prefeito de Apareci­da), como Daniel Vilela (depu­tado federal do MDB) são no­mes excepcionais. Mas é claro que a isso precederia um apoio contundente ao senador Álva­ro,” resume.

PROJETO

Sandro Resede assumiu o co­mando do Podemos com a des­filiação do hoje ministro das Ci­dades, Alexandre Baldy (sem partido). Ele revela intensas mo­vimentações para reorganizar os diretórios municipais, visando a formação das chapas proporcio­nais para as eleições de outubro. O partido quer eleger em Goiás pelo menos um deputado fede­ral e vê chance de fazer até cinco estaduais. “Estamos conversan­do com muita gente, indistinta­mente. Temos um critério basi­lar: como representantes de uma nova política, queremos nomes com afinidade com a socieda­de. Não priorizamos os meda­lhões, os campeões de votos, de discurso viciado e práticas não­-republicanas”, afirma.

O Podemos pretende formar uma chapa pura de candidatos a deputado estadual, cada um com potencial entre 4 mil e 5 mil votos, para que o capital social, a militância, o mérito e o esforço individual sejam os fatores deter­minantes na definição dos elei­tos. “Defendemos causas; jamais o poder financeiro”, diz.

 

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