Caiado: “Oposição precisa ter nome único já no 1º turno”
Redação DM
Publicado em 16 de janeiro de 2018 às 23:36 | Atualizado há 8 anos
O líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado, afirmou, ontem, que o momento político de Goiás não permite que a oposição cometa erros primários nas eleições deste ano. Segundo ele, a união é hoje a “chave-mestra” para o sucesso e que, pelos novos moldes do pleito, não se pode adiar um entendimento para o segundo turno. “São várias as lideranças do MDB que compartilham da tese de termos candidato único desde o primeiro turno. Teremos uma campanha mais curta que começa em 15 de agosto e em 7 de outubro já ocorre o primeiro turno. O segundo turno será três semana depois. Esse entendimento (acerca do candidato) deve ocorrer antes disso”, defendeu.
Nas palavras do senador, o projeto das oposições não pode ser individualista. “O momento político de Goiás é de não cometermos erros primários que levem a divisão das oposições. A chave-mestra de 2018 é termos a unidade. É o que vai consolidar o processo de perspectiva real da vitória, do início de um novo modelo político para Goiás. Precisamos buscar com critérios um candidato. Projeto de eleição majoritária não é sedimentado na vontade de A ou de B. Está embasado na capacidade de competitividade e no respaldo popular do candidato”, reforçou.
Ao fazer uma retrospectiva de seu histórico como político, Ronaldo Caiado lembrou de vitórias e derrotas que já enfrentou. “Não podemos repetir o que não deu certo no passado. Sou pré-candidato com muita humildade. Conheço vitória e derrota. Se tive a oportunidade de ser eleito senador é porque tive a humildade de construir uma aliança e me comunicar com a população. Tive a humildade de mostrar que a base da candidatura não é o interesse pessoal. O que vale é interesse coletivo. Eu trabalho em equipe”, garantiu.
SITUAÇÃO DE GOIÁS
Para o democrata, o maior desafio de qualquer nome que ocupar o Palácio das Esmeraldas será lidar com o caos das contas públicas. Ele afirmou que está finalizando um levantamento, mas comentou que tem conhecimento do relatório do Tesouro Nacional e do Tribunal de Contas do Estado sobre as dificuldades financeiras do Estado.
“A realidade é de um Estado que não cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal. Goiás fez um empréstimo recente de R$ 600 milhões com a Caixa Econômica Federal descumprindo as regras de endividamento. O governo comprometeu todos os ativos do Estado, vendeu a Celg por valor irrisório, fez concessões a JBS no mesmo valor da venda da empresa de energia. Sabemos do sucateamento da Saneago. Em nome do projeto de poder, Goiás foi dilapidado. O dinheiro público foi usado de forma eleitoreira e não para atender o interesse do cidadão”, enumerou.
Para ele, a única solução é um choque de gestão. “A forma de gestão deve ser mudada e é o que faremos se chegarmos ao governo. A situação é grave, mas sabemos da capacidade e potencial de reagir do Estado”, acrescentou. O parlamentar lembrou ainda das cerca de 400 obras inacabadas do governo Marconi Perillo e da crise de abastecimento de energia e de água que o Estado vive.
Sobre segurança pública, o presidente regional do Democratas falou sobre o clima de terror que a população convive com guerra de facções criminosas. E enumerou ações possíveis para dirimir tantos problemas, como a parceria com o setor privado. “O PCC está disputando território com o Comando Vermelho dentro das prisões. Cadê o Estado? Não podemos deixar que ele seja governado por duas facções criminosas. O cidadão goiano tem medo de denunciar. Nós, se chegarmos ao governo, em primeiro lugar, não vamos perder verba federal. Foram repassados pela União R$ 44 milhões e só R$ 7 milhões foram utilizados pela total falta de gestão, dito pelo próprio ministro da Justiça. Sei da realidade difícil que vamos enfrentar, temos que ter prioridades. É preciso por exemplo buscar uma maior sintonia com o empresariado, por meio de parceiras público-privadas”, apontou.
Ronaldo Caiado enfatizou que é possível implantar um modelo de gestão no Estado sem promessas ilusórias. “Não podemos é ter projetos fictícios, dizer que vamos resolver tudo da noite para o dia. O cidadão precisa saber que um novo modelo de gestão não terá promessas ilusórias, e não terá o avanço no seu bolso com a máfia das placas, com multas, com aumento de carga tributária”, garantiu.
Em relação ao Detran, o parlamentar lembrou da polêmica acerca do emplacamento de veículos. “O governo descumpre lei federal ao querer colocar apenas uma empresa para emplacar os carros e uma para vistoriar. A lei federal diz que o Detran pode credenciar empresas, mas não dar concessão para uma empresa apenas fazer o serviço. Credenciamento é diferente de concessão. Estão cobrando R$ 215 pela placa em mais R$ 149 pela vistoria. A denúncia é que essa máfia das placas é um caixa paralelo que pode chegar a R$ 9 milhões. São 50 mil placas por mês em Goiás”, denunciou.
A saúde também foi lembrada pelo senador, que enumerou a série de obras de hospitais paradas em Goiás. Entre elas as de Santo Antônio do Descoberto, de Valparaíso, Novo Gama e Uruaçu. Para ele, é preciso levar atendimento também para o interior. “Na saúde, tenho uma luta para aprovarmos a carreira de médico de Estado, – projeto de minha autoria, – para termos estabilidade na carreira e levarmos profissionais para o interior”, citou.