Política

Partidos sem unificação, na base e no bloco oposicionista

Redação DM

Publicado em 10 de janeiro de 2018 às 01:46 | Atualizado há 8 anos

No dicionário a palavra “par­tido” encontra vários sig­nificados. Como substan­tivo, partido significa “grupo de pessoas unidas pela mesma opi­nião, mesmos interesses e mesma ação política”. Mas como adjetivo, partido é aquilo que “se partiu, está dividido em partes, fragmentado”.

Em Goiás há mais partidos no adjetivo do que no substantivo. Seja na base governista, seja na oposição, as partidos estão divi­didos, salvo raríssimas exceções.

O PP (Partido Progressista) é um exemplo de fragmentação. A legenda que já foi a maior sigla de oposição no Estado, e após as elei­ções de 1998, ainda era a maior le­genda do chamado “tempo novo”, hoje é mera lembrança dos tem­pos em que teve nos seus quadros figuras como o ex-prefeito de Rio Verde Paulo Roberto Cunha, o ex­-governador Alcides Rodrigues Fi­lho e dezenas de prefeitos. A sigla está paralisada pela disputa inter­na entre o senador Wilder Morais, cristão novo no pepismo e o de­cano Roberto Balestra, com oito mandatos no Parlamento.

O PSD também não vive seus melhores dias. A sigla que elegeu cinco deputados estaduais nas últi­mas eleições conta agora com ape­nas dois. Embora ainda conte com outros dois deputados federais, o PSD vive uma crise de direção. An­tigo fiador da aliança governista, o presidente da legenda, Vilmar Ro­cha, está em discordância com sua base. Vilmar vê risco de desconti­nuidade do projeto que levou ao poder, há 20 anos, a aliança que go­verna o Estado. Francisco Valle Jú­nior, deputado estadual e Thiago Peixoto, deputado federal, discor­dam. Vilmar pleiteia vaga na cha­pa ao Senado e quer o PSD aliado com o PSDB na corrida presiden­cial. Sua preferência é o apoio ao governador Geraldo Alckmin (PS­DB-SP), posição que se contrapõe ao desejo do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de representar o PSD na sucessão do presidente Michel Temer (MDB-SP).

Maior partido de oposição em Goiás, o MDB também vive um di­lema: apostar no novo, com a can­didatura do deputado federal Da­niel Vilela ou se arriscar na aliança com o DEM, lançando o senador Ronaldo Caiado ao governo do Es­tado. O MDB/MDB nunca deixou de ter candidato próprio à sucessão estadual, desde que disputou a pri­meira eleição em 1982. A liderança de Caiado nas pesquisas motiva si­nalizações de apoio de várias lide­ranças emedebistas, que se ressen­tem das cinco derrotas do partido nas eleições estaduais desde 1998.

O PTB do deputado federal Jo­vair Arantes almeja um lugar na chapa majoritária, indicando o candidato a vice-governador ou ao Senado. Aparentemente não há divisão na sigla e três nomes são apresentados indicações do parti­do para a compor a chapa: o ex-se­nador Demóstenes Torres, o pre­feito Hildo do Candango (Águas Lindas) e o deputado estadual Hen­rique Arantes (filho de Jovair). A de­pender de quem vai e de quem fica, o partido se arranja ou desarranja.

O PT, em seu histórico, registra eleições na capital, Anápolis e em várias cidades importantes do in­terior do Estado e votações na casa dos 10% a 15% dos votos nos plei­tos estaduais. Com o maior tempo de televisão, a legenda é um parcei­ro de peso em qualquer aliança. A legenda tem como principal proje­to o retorno do ex-presidente Lula à presidência. Enquanto enfrenta di­ficuldades na costura de uma alian­ça com outros partidos de esquerda, o PT vive o dilema de arriscar-se ou­tra vez numa candidatura própria ou aceitar o convite do MDB para uma chapa conjunta. Kátia Maria Santos preside o PT em Goiás, que tem um deputado federal e quatro estaduais.

Há no entanto aqueles parti­dos cujas principais lideranças são algo parecido como os do­nos da legenda, como o PSDB do governador Marconi Peril­lo, o PSB da senadora Lúcia Vâ­nia, o DEM do senador Ronaldo Caiado, o PR da deputada fede­ral Magda Moffato e o PDT da deputada federal Flávia Morais. Estes partidos seguirão o rumo que seus líderes determinarem.

HUMOR DOS ELEITORES

Além de unificar discursos e po­sições internas, o dilema dos gran­des partidos nestas eleições será o de entender o humor dos eleitores. As pesquisas realizadas nos meses de outubro e dezembro por insti­tutos como Ibope, Datafolha e Vox Populi, apontaram um grande de­sencanto do eleitor com a política, principalmente com os seus repre­sentantes no Legislativo. Ao lon­go das eleições a estatística registra maior interesse dos eleitores em vo­tar nos cargos majoritários, em de­trimento dos mandatos legislativos. A incógnita deste pleito é se irá pre­valecer em outubro a intenção hoje demonstrada por 77% dos brasilei­ros de não reeleger os atuais deputa­dos estaduais, federais e senadores.

Novas siglas foram inventa­das no ano passado: Avante, Li­vres, Novo, Podemos, Patriotas e outras foram repaginadas como o MDB que num estilo “retrô” voltou a utilizar o nome MDB. Nenhuma destas “modernidades” parece ter sensibilizado o eleitor. O levanta­mento do DataFolha feito em ou­tubro mostrou que dois terços dos eleitores não têm preferências par­tidárias, entre aqueles que mani­festam simpatia por alguma sigla, 18% citaram o PT, 5% o MDB e 4% o PSDB. Outra pesquisa, esta en­comendada pelo diretório nacio­nal do DEM em setembro, procu­rou medir a rejeição aos partidos, e o resultado foi que o próprio DEM tem 60% de desaprovação, o PT 62% enquanto PSDB e MDB em­patam, respectivamente com 75%.

O desafio das lideranças partidá­rias este ano é unificar as legendas e motivar os eleitores para o pleito elei­toral que se avizinha. Por enquan­to, nenhum partido ou coligação pode dizer que já tem uma chapa completa para a Assembleia Legis­lativa, Senado ou Câmara Federal.

 


Daniel Vilela: “Não é momento para definir candidaturas

 

DA REDAÇÃO

O deputado federal Daniel Vile­la (MDB) defendeu maior diálogo entre os partidos da oposição antes de se tomar uma decisão sobre can­didaturas majoritárias e disse que é importante analisar com cautela o cenário político para determinar a melhor estratégia. O pré-candida­to a governador do MDB tem feito um trabalho de buscar mais parti­dos para a aliança da oposição, in­clusive da base do governo estadual.

“Precisamos daqui até o momen­to eleitoral estar sempre conversan­do, discutindo e trocando informa­ções sobre o cenário político para que a gente tome as melhores deci­sões, no momento em que a legisla­ção determina. Isto nós da oposição já estamos fazendo e temos certeza que vamos acertar”, afirmou Vilela.

Daniel avaliou que a oficialização dos nomes e também das alianças ocorrerá mais próximo às conven­ções partidárias, a partir de julho, quando haverá maior clareza sobre o ambiente eleitoral. “Existem es­tratégias. Tem quem acredite que é positivo definir antes, mas também tem o lado negativo. Pode ser que a decisão se mostre precipitada por al­guma razão e lá na frente tenha que ser modificada, o que é um pro­blema. O momento adequado é o do calendário eleitoral e acho muito difícil que ocorra nesta eleição de forma tão antecipada.”

Agora é difícil estabelecer cri­térios para a escolha de um úni­co candidato de oposição e a pos­sibilidade de se lançar mais de um nome tem que ser conside­rada. “Cada eleição tem um ce­nário, tem uma circunstância, e num cenário de duas candida­turas é possível também a opo­sição sair vitoriosa. Sabemos que numa eleição é difícil estabele­cer critérios de escolha. Posso ter 10, 20 critérios que sejam favorá­veis a uma candidatura do meu partido. O outro partido pode ter 10 ou 20 critérios que favorecem seu candidato. Não é fácil conci­liar, tem que haver muito diálo­go”, afirmou o deputado.

“Mas o fato é que o MDB está fazendo o dever de casa, se forta­lecendo, motivando a nossa mili­tância e nossos líderes, para que no momento oportuno tome­mos nossa decisão interna. Aí de­pois nós vamos para o ambien­te externo buscar as alianças, que são fundamentais para o suces­so eleitoral”, completou Daniel

 

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