Política

Divergências distanciam oposições

Redação DM

Publicado em 29 de dezembro de 2017 às 01:32 | Atualizado há 1 ano

Os principais partidos das oposições devem marchar em separado em 2018, pelo menos no primeiro turno. É o que se deduz das entrevistas dos seus principais dirigentes. Apesar do dis­curso de “união da oposição” feito pelos presidentes do MDB, Daniel Vilela, e do DEM, Ronaldo Caiado, nenhum deles está disposto a abrir mão do direito de disputar o gover­no do Estado em favor do outro. Tanto o deputado federal Daniel Vilela quanto o senador Ronaldo Caiado controlam os seus partidos e por isto estão relativamente confor­táveis nas suas posições de mando.

No PT ocorre o mesmo. A pre­sidente estadual da legenda, Kátia Maria Santos, faz parte do grupo que majoritariamentedetémasdecisões da legenda no Estado, e o foco dos petistas passa longe da disputa entre MDB e DEM: o partido mira a elei­ção presidencial e trabalha pela vol­ta do ex-presidente Lula ao poder.

O senador Ronaldo Caiado é favo­recido pelas últimas pesquisas, como o candidato com maiores chances de vencer as eleições. Os últimos levantamentos publicados aqui no DM trouxeram situações distintas. Na pesquisa Serpes, feita a pedido da Acieg (Associação Comercial e Industrial de Goiás), Caiado vence a disputa no primeiro turno contra todos os seus possíveis adversários.

A surpresa fica pela inclusão de Otávio Lage Filho (PSDB), ex-pre­feito de Goianésia e atual presiden­te da Adial (Associação Pró Desen­volvimento Industrial de Goiás). Em duas das estimulações feitas, Lage mostra maior potencial de votos que outros nomes ligados ao Palá­cio das Esmeraldas, indicando que poderia ser um candidato compe­titivo no decorrer da eleição.

Noutro levantamento, realiza­do pelo Instituto Paraná a pedido da TV Record Goiás, abre-se a pos­sibilidade de segundo turno quan­do a pesquisa inclui o nome do ex­-prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (MDB).

Se por um lado as pesquisas mostram favoritismo de Caiado, revelam também que a eleição ain­da não está definida.

Tanto os apontamentos fei­tos pelo Serpes quanto pelo Para­ná Pesquisas deixam claro que o MDB tem candidatos competiti­vos. Daniel Vilela vence os candi­datos governistas em todos os ce­nários analisados. O mesmo ocorre com Maguito Vilela, que inclusive aparece colocado a Caiado na si­mulação feita pelo Paraná Pesqui­sas. Com a disputa indefinida e os candidatos do MDB com poten­cial de vitória, fica difícil falar em união no primeiro turno.

HánoMDBaquelesquenãocon­sideram prudente deixar para o se­gundo turno o entendimento entre os principais candidatos da opo­sição. O prefeito Iris Rezende, por exemplo, deixou claro que unidos MDB e DEM podem vencer as elei­ções no primeiro turno. A fala de Iris foi reverberada pelo líder do MDB na Assembleia Legislativa, deputa­do estadual José Nelto e encontrou eco no prefeito de Catalão, Adib Elias.

Os líderes identificados com o prefeito Iris apostam no favoritis­mo de Caiado, as lideranças liga­das ao ex-prefeito Maguito lem­bram que nas últimas eleições o PMDB/MDB iniciou o processo eleitoral na liderança e terminou atrás do PSDB. Esta observação foi feita pelo prefeito de Quirinópolis, Gilmar Alves, que também recor­da que em 1994, Caiado liderou na pré-campanha mas ao final do primeiro turo terminou em tercei­ro lugar, atrás de Lúcia Vânia (PP) e Maguito Vilela (PMDB).

Alheios a esta queda de braço entre MDB e DEM, os dirigentes do PT se animam a cada pesqui­sa que confirma a liderança do ex­-presidente Lula na corrida ao Pa­lácio do Planalto.

PALANQUE PARA LULA

O desafio dos petistas é garan­tir um palanque amplo para Lula, que também lidera a preferência dos goianos. Kátia Maria já enta­bulou conversas com o PCdoB e com o PDT, mas ambos partidos também têm candidatos à presi­dência. Os comunistas lançaram a pré-campanha da ex-deputada Manuela d´Avilla e os pedetistas o ex-ministro Ciro Gomes. A priorida­de para estes três partidos é manter as respectivas bancadas na Câma­ra Federal e na Assembleia Legis­lativa, e nas contas de Kátia Maria, uma chapa PT-PC do B-PDT, con­servaria os mandatos dos depu­tados federais Rubens Otoni (PT) e Flávia Morais (PDT) e dos esta­duais Luis Cesar, Humberto Aidar e Adriana Accorsi (PT), Isaura Le­mos (PCdoB) e Karlos Cabral (PDT).

Os partidos de centro-esquer­da ainda não definiram candida­tos ao governo, e nada impede que venham a se posicionar entre um dos três candidatos em disputa: Ro­naldo Caiado (DEM), Daniel Vilela (MDB) e José Eliton (PSDB). O de­correr da campanha vai dizer qual será o rumo da oposição. O cená­rio mostra que a disputa está aber­ta e em que pese o favoritismo de um ou de outro, o debate suces­sório só começa de fato após as convenções de junho. Até lá ainda vai ter muito emedebista exigindo que Caiado pague a dívida com o partido pela sua eleição ao Sena­do em 2014, e de outro lado, alia­dos do senador tentanto conven­cer o MDB de que ele é o melhor nome para enfrentar a Casa Verde.

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