Esportes

Força e vitalidade “Da Roça”

Redação DM

Publicado em 3 de dezembro de 2017 às 04:00 | Atualizado há 9 anos

Quem chega nas quadras em cima do viaduto da Aveni­da Araguaia, logo vê Wag­nér Oliveira batendo bola com seus meninos, como ela ca­rinhosamente chama. Nos altos de seus 68 anos, além de coman­dar um projeto social, a goiana é a única jogadora do time feminino de máster de Goiás.

Como foi a última que restou, “Da Roça’’, como é mais conhe­cida entre os praticantes da mo­dalidade, precisa sempre estar procurando seleções de outros estados para jogar. Mesmo com as dificuldades, Wagnér está “em­prestada’’ para o time da Paraíba e ganhando títulos. Foi campeã do Campeonato Brasileiro de Mas­ters, em Maceió (AL).

“Goiás não tem time de más­ters feminino, apenas masculi­no. Só eu sobrei da minha gera­ção. As outras ou morreram, ou machucaram. Esses dois últimos anos estou jogando pela Paraí­ba, mas já joguei pelo Rio de Ja­neiro (14 anos), Brasília (4 anos), Paraíba, em uma passagem an­terior (4 anos), São Paulo e Bah­ia (1 ano). Joguei 14 anos no Rio de Janeiro, foi bom enquanto du­rou. No ano passado pela Paraíba e nós fomos campeãs, esse ano vencemos de novo’’, falou Wag­nér sobre as suas passagens pe­las seleções de másters do Brasil.

Apesar dos títulos e da experiên­cia, Wagnér ainda tem aspirações dentro das quadras. Com apenas Rio de Janeiro e Paraíba em sua ca­tegoria, a goiana espera que mais estados comecem a ter seus times, para quem sabe jogar ao lado de suas inspirações.

“Meu sonho é jogar por São Paulo, ao lado da Suzete, que foi armadora da Seleção Brasileira, ao lado da Hortência, Paula, Mar­ta, entre outras. São Paulo ainda não tem minha categoria, mas em 2018 talvez tenha. Enquanto isso vou treinando 400 arremessos por dia, giros de pivô, de olho no Pan. Espero ser convocada para compor a Seleção Brasileira Mas­ter em Natal (RN)’’, explicou ela sobre seus planos para o futuro.

Ela tem longa experiência no basquete, apesar de ter começa­do tardiamente. Para continuar atuando, Wagnér treina de tudo um pouco para seguir atuando nos torneios.

“Eu comecei velha, com 20 anos, quando eu entrei na facul­dade. Eu jogava um pouquinho de vôlei. Eu não tive base. Foi na base da raça e dedicação. Eu che­gava na faculdade uma hora mais cedo, treinava os fundamentos que o professor dava, saía uma hora mais tarde, e treinava para igualar o pessoal que era da seleção uni­versitária. Atualmente eu jogo na lateral, de armadora, vai depender da necessidade do time durante o jogo, quando eu jogava na Eseffe­go eu era pivô. Agora eu treino de tudo um pouco’’, contou Wagnér sobre sua trajetória no basque­te profissional até os dias de hoje.

Além de jogar os campeona­tos de másters, Wagnér dá aula em um projeto social, os Atletas de Cristo. Com crianças e adoles­centes, além de ensinar basquete, ela também faz um trabalho so­cial, voltado principalmente para a formação e educação dos seus atletas. Para ela, formar atletas é secundário. O mais importante é a formação de cidadãos de bem.

“O meu foco é dar uma qua­lidade de vida melhor para eles. Eu vejo como um projeto de in­clusão social e eles ainda podem ganhar uma bolsa nas faculdades, pois elas sempre dão para os meus meninos. Além das amizades, eles vão evitar as más companhias, vão saber escolher com quem andar e fazer o seu melhor. Meu foco é educar, fazer um acompanhamen­to junto com os pais para que eles se saiam bem na escola, que não deixe o basquete atrapalhar, que eles devem estudar bastante para fazer a diferença. O projeto é tirar esses meninos das drogas, más influências e que eles possam fa­zer a diferença através do espor­te’’, finalizou Wagnér sobre a prin­cipal função do seu projeto social.

 

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