Brasil

O amor firme como um coral

Redação DM

Publicado em 2 de julho de 2017 às 02:43 | Atualizado há 9 anos

Os corais vivem nos oceanos e abrigam uma infinidade de vidas que deles se acercam. Ao seu redor a vida pulsante é notável e prova que tudo o que é belo, bom e vibrante são demonstrações inequívocas de que o amor que o Grande Arquiteto Do Universo tem para com a humanidade se materializa nessas belezas colocada aos nossos sentidos. Sendo orgânicos e em perfeita simbiose com o meio arrematam a certeza de que a vida só se prolifera onde o bem e o agradável estão presentes.

O amor surge em várias formas e diversos momentos de nossas vidas. Mas, há um instante em que ele é mais profundo e fecundo, produzindo frutos que se perpetuam pela história. É quando um homem entrega sua vida para que uma mulher refaça nele o misterioso ciclo da existência. Juntos eles vão refazer o carrossel da perfeição de sentimentos que unem almas que se completam. Unidos eles serão a metade que se acopla ao outro e materializam o ideal de espíritos que se abraçam em luminosidade intensa e dissipam as trevas, mostrando a verdadeira luz que somente do amor puro se origina.

Quero falar do amor de um homem bom e uma mulher virtuosa que se conheceram jovens e se entregaram a um amor perfeito. Sérgio e Márcia tiveram seus caminhos interligados lá em Uberlândia, onde o capricho histórico quis que se apaixonassem. Em 3 de julho de 1982 eles uniram suas vidas de forma indissolúvel e pactuaram que somente o amor existiria entre eles. Eram tempos em que os jovens sonhavam com a liberdade, porque já não mais concebiam viver sob o jugo do arbítrio que impedia os amores de se declararem livremente. Era o tempo em que as músicas falavam de sonhos e corações poéticos, como na melodia de Djavam: “O amor é como um raio, galopando em desafio. Abre fendas, cobre vales, revolta as águas dos rios. Quem tentar seguir seu rastro se perderá no caminho. Na pureza de um limão ou na solidão do espinho”.

Eram tempos de limite, esses 1982. Gonzaguinha cantava “O que é o que é” e arrematava com maestria “a alegria de ser um eterno aprendiz” e Zizi Possi entoava “Asa Morena”, com versos maviosos assim: “me faz pequena, asa morena. Me alivia a dor. Aliviando a dor que mata, me faz ser teu amor…” e a vida seguia com sonhos, suor e lágrimas. Sérgio e Márcia cresceram em vida e confiança nas comunidades seguidoras do Deus vivo que quer que “todos tenham vida e tenham vida em abundância”. Pertenceram a comunidades onde a fé e a esperança brotavam do compromisso de libertação do povo de Deus com um mundo melhor, mais justo e fraterno.

Sérgio e Márcia construíram juntos sua vida com o amor plantado em rocha bruta, que não se abala. Sofre ventanias, aridez do sol escaldante, tempestades brutais. Mas, não desanima. Porque somente a força que brota do amor vivifica a existência e renova as esperanças de que cada dia será melhor que o outro. Chegam agora aos 35 anos de vida a dois, celebrando as Bodas de Coral. A vida brotou ao redor desse coral e produziu novos rebentos que dão testemunho de que o amor valeu a pena, e vale sempre. Sérgio Filho, João Paulo e Ana Cecília nasceram no seio de uma família que os ensinou valores e virtudes que transcendem a gerações.

Fazem parte em alma e sentimentos de uma família onde a harmonia e a concórdia são compromissos renovados a cada dia. E essa família se confraterniza com eles desejando que suas vidas se perpetuem em alegrias e realizações por mais tantas gerações quantas sejam da vontade do Pai. Que vocês sejam a luz de cada dia um do outro. Que o sopro de vida seja o ar de um que dê ao outro a força para seguir em frente. Que vossas almas completem um ao outro enquanto a vida que Deus lhes dá siga por toda a eternidade. Que assim seja.

 

Hélmiton Prateado, é jornalista e fã do Sérgio e da Márcia

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