Frei, um craque do futebol que uniu diversas gerações da bola
Redação DM
Publicado em 28 de junho de 2017 às 00:58 | Atualizado há 9 anosNo dia 25 de junho ele completou 49 anos de vida, com muita alegria e experiência. Um atleta que jogou no Fluminense, mesmo torcendo pelo querido Flamengo. Um homem simpático em cada diálogo e relacionamento público ou privado. Lindomar Pires, o Frei, uniu diversas gerações e hoje é professor das escolinhas de base e comentarista esportivo da Rádio Morada do Sol, em Rio Verde. Começou sua brilhante carreira no futebol de Rio Verde e correu o Brasil, jogando pelo Matsubara, Friburguense, Itumbiara, Vila Nova de Goiás, São Raimundo e Fluminense do Rio de Janeiro. O filho de dona Creusa e do senhor Vicente fez uma biografia corajosa e invejável, sendo o descobridor de diversos talentos das categorias da base, como Xuxa, Amaral, Vinícius, Cléber, Maicon, Mário Neto, Rangel, Eduardo, além de outras promessas do futebol goiano, que não tiveram o devido apoio na carreira. Ganhou o apelido de Frei porque não saía da Igreja Católica e foi até coroinha. Depois o amigo Lourivam Parreira fez um trocadilho e de “fei” passou para Frei, numa reverência aos rachas do Colégio Martins Borges. E da quadra foi jogar até na Praça da Igreja! Fé, futebol, fibra.
Fez uma carreira brilhante e esteve jogando ao lado de Renato Gaúcho no Fluminense. Fez bastantes amigos no futebol como Gláucio, Jailton, Cleuber, Niltinho, Pereira, Gustavo, Vampeta, saudoso Ednaldo, Jairo, Zé de Oliveira e teve o desafio de marcar o vibrante artilheiro Túlio Maravilha. Procura ser coerente em seus comentários no rádio e na convivência com sua esposa Cristina depois de ter passado por um primeiro relacionamento com outra atleta, que gerou dois filhos. Frei é sinônimo de conhecimentos e tradições, seja no rádio ou nas quatro linhas, valorizando a bela herança moral de sua bela família. É o treinador do Sub-17 do Independente. Assim ele caminha para meio século de vida e tem muita história para contar, como no dia em que foi expulso porque deu uns empurrões num gandula em pleno estádio Serra Dourada, jogando de zagueiro pelo Vila Nova. Colecionou bons momentos como ter a honra de marcar (pelo Friburguense) o baixinho Romário e depois ganhar a querida camisa dele ainda jogando pelo Flamengo. A sua comemoração dos 49 anos foi de forma discreta na AABB de Rio Verde e reuniu alguns amigos como Niltinho, que veio de longe para dar um abraço no craque Frei. Ganhou um bolo da presidente Kelly Vilarinho. Alguns dizem que quem nasceu para ser Frei um dia poderá chegar a Papa, numa analogia de fé e esporte. Ele joga no futebol máster de Rio Verde e no próximo ano deverá fazer parte do grupo dos “cinquentões”, com muito orgulho e saúde. No Esporte Clube Rio Verde fez dupla de zaga com Toninho Xerife e Pereira num passado remoto. Depois de abandonar o futebol profissional Frei se transformou em técnico das categorias de base, sendo uma bússola para muitos garotos da região, o professor ideal para quem deseja bater bem na bola. Uma relíquia de nosso futebol, sendo uma reserva moral dos comentários ao lado do professor Antônio Edson Guerra e outros mestres da boa comunicação. Foi campeão no Futebol Terrão da Vila Canaã, jogando pelo Carrinho Pinturas e também levantou o caneco pelo time máster da AABB no gramado, mostrando seu estilo de craque refinado colocando a bola onde queria. Uns dizem que para sair na foto tirada pelo fotógrafo Lela precisa ficar ao lado Frei, numa fofoca sem maldade, já que Lela é seu grande amigo desde os tempos dos rachas do Martins Borges. Afirma que Rio Verde só terá títulos no futebol goiano quando valorizar a sua base.
Entre dribles e caneladas navega a biografia de Frei, jogador, técnico de futebol e comentarista esportivo, sabendo transmitir para o público a linguagem da bola, citando vocábulos como “caixote”, termo que o boleiro assimila. Não ganhou fortunas no futebol, mas teve uma estabilidade econômica para cuidar de sua família e fazer um pagode animado nas horas de folga. Ainda cuida de algumas terras deixadas pelo seu pai Vicente. Chegar aos 49 anos foi uma conquista singular, e ele pretende continuar tratando bem a bola dentro e fora de campo. Colocou ao lado de Serginho Mentira (Sérgio Alves) Rio Verde no mapa esportivo do Brasil e foi um zagueiro elegante, clássico, mesmo tendo surtos de indisciplina, principalmente quando jogavam Vila Nova e Goiás. Correu o mundo e hoje passa um pouco de sua experiência em cada comentário e chute, sabendo unir prática e teoria. Em todas as preleções e comentários o filho de Dona Creusa recorda que a bola é como uma mulher, devendo ser tratada com muito carinho. Um jogador que venceu como cidadão e atleta, sabendo que todos nós somos apenas instrumentos de Deus. Dentro e fora de campo. Será que domingo terá missa na Matriz ou jogo no Mozart Veloso?
(José Carlos Vieira, o Lela, escritor, jornalista, fotógrafo da Secretaria de Esportes de Rio Verde e E-mail lelabalela1@hotmail.com)