“Terei o apoio da Câmara para governar”
Redação DM
Publicado em 14 de maio de 2017 às 02:24 | Atualizado há 1 ano
O prefeito Iris Rezende (PMDB) afirmou que, mesmo tendo o PMDB e aliados minoria no plenário da Câmara Municipal de Goiânia, acredita que terá o respaldo da “quase unanimidade” dos vereadores à sua administração. “Quando os vereadores, repito, entenderem os objetivos do nosso trabalho, tenho certeza que vou contar senão com a unanimidade ou quase a unanimidade de respaldo do plenário do Legislativo”.
Ele lembrou que, em 2005, assumiu a Prefeitura de Goiânia com apenas dois vereadores do PMDB e nem por isso deve ter qualquer dificuldade para a aprovação de projetos pelo Legislativo. “Na vida pública, às vezes se tem que aprovar projetos que nem sempre são simpáticos, mas necessários”.
Atualmente, dos 35 vereadores, o Paço Municipal conta com apoio de 13 a 15 e trabalha para construir maioria em plenário (24), o que lhe garante aprovação à Lei Orgânica do Município.
Em entrevista ao Diário da Manhã, em seu gabinete no 5º andar do Paço Municipal, na última sexta-feira, Iris Rezende anunciou que, já este mês, dará “novo ritmo” à administração em Goiânia, com o início do programa “Mutirão nos Bairros” e retomada das obras paralisadas na gestão anterior, como o corredor BRT Norte-Sul. O prefeito anuncia que, ainda este ano, vai iniciar a pavimentação de 25 bairros da cidade.
Iris Rezende reafirma a “convivência republicana” que tem com o governador Marconi Perillo (PSDB), mesmos sendo adversários políticos. “Eu e o governador nunca tivemos atrito de ordem pessoal. Eu sempre o respeitei e ele sempre me considerou. Nunca existiu nem existirá qualquer empecilho para um bom relacionamento da administração de Goiânia com o governo de Goiás”.
Mais uma vez, o prefeito enfatiza que só irá tratar de eleições em 2018, porque o foco este ano é a administração de Goiânia. “Só vou tratar de eleições quando estiver com a situação da prefeitura à altura da expectativa da população goianiense. Aí eu posso tirar um pouco do meu tempo para me envolver com eleições futuras”.
Iris ressalta a amizade que tem com o presidente da República, devido à militância no PMDB, e diz que, enquanto Michel Temer estiver no Palácio do Planalto, Goiânia contará com o seu respaldo aos projetos administrativos de interesse da cidade.
A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA
A partir de agora, quais são as ações administrativas que o senhor vai imprimir em Goiânia?
– A máquina administrativa está quase assentada. Colocamos em ordem o processo de arrecadação, A população vai se motivando com o pagamento dos impostos, reduzimos despesas. Todos os gastos dispensáveis o fizemos. A preocupação primeira é colocar em ordem as finanças da prefeitura. Goiânia inteira sabe que eu recebei a prefeitura com aproximadamente R$ 600 milhões de dívidas só de serviços prestados. Não é resultado de financiamento disso ou daquilo, não. São os prestadores de serviços das mais variadas áreas e dívidas da prefeitura com próprios institutos da previdência e da assistência médica do município. Era mais de R$ 200 milhões que a prefeitura retirava da folha dos funcionários e não depositavam nas contas do Imas e do IPSM. Por que a cidade ficou naquela situação? Quando assumi a prefeitura, as ruas emporcalhadas de lixo e papel, as ruas tomadas de buracos. Por que? Porque as empresas forneciam o material para pavimentar e tapar buracos no asfalto não recebiam o que tinham direito e aí suspenderam o fornecimento dois meses antes de minha chegada na prefeitura. As empresas que alugavam veículos, máquinas e caminhões para a prefeitura também suspenderam dois, três antes do encerramento do mandato porque estavam com mais de R$ 100 milhões para receber. E assim era todo mundo. E a prefeitura ficou sem pé nem cabeça. Assumi, chamei esses prestadores de serviço, após a posse, disse a eles que não discutiria agora dívidas, mas que, a partir de agora, pagaria em dia os serviços prestados à prefeitura. Hoje, a cidade não tem buracos, as ruas estão limpas, os bairros não estão tomados de lixo.
E qual a realidade que o senhor encontrou em relação às obras da prefeitura?
– Todas as obras estavam paralisadas. Todas as obras realizadas com a participação do governo federal estavam paralisadas, caso, por exemplo, do BRT, porque a prefeitura deixou de pagar a contrapartida. As obras construídas com recursos do município estavam também paralisadas porque a prefeitura não pagava os empresários. Agora, vamos iniciar os mutirões. O objetivo do mutirão é o de envolver a população com a administração, fazer com que a comunidade participe, efetivamente, em tudo o que a prefeitura realiza.
Então, a partir de agora, o senhor dá ritmo à administração, com o BRT, os mutirões e a pavimentação em 25 bairros…
– Temos mandato de quatro anos, mas quero começar agora a pavimentação de alguns dos vinte e cinco bairros que surgiram em Goiânia após a minha saída. Vamos construir mais Cmeis e escolas de tempo integral. Tinha Cais fechado há dois anos. Tomamos decisões importantes na área da saúde, os médicos voltaram a participar do nosso programa de trabalho. Vamos reformar Cais e, se necessário, construir outros. Em pouco tempo, posso dizer que a saúde em Goiânia será referência nacional. Vamos partir para um recadastramento na área da saúde, porque Goiânia tem hoje um milhão e duzentos mil habitantes. O cadastro do sistema de saúde de Goiânia tem quatro milhões e duzentos mil pessoas. A prefeitura não vai deixar de atender nenhuma pessoa porque a estrutura que temos é a maior do estado. O que é preciso fazer é debitar às prefeituras de origem das pessoas atendidas na capital.
A Comurg é recuperável ou o caminho da companhia é a liquidação?
– A situação administrativa e financeira da Companhia de Urbanização de Goiânia é uma das mais graves. A Comurg tem mais de oito mil servidores. As administrações anteriores criaram tantas regalias para grupos de servidores que levaram a companhia quase a uma situação de insolvência. Vou lutar até o último minuto para recuperar a Comurg, desde que venha, por parte dos trabalhadores a cooperação, enfim, o entendimento necessário para que a companhia, que tem a sua história em Goiânia, não venha a sofrer um processo de liquidação.
Como o senhor vê as posições críticas de um bloco de vereadores oposicionistas à sua administração?
– Eu assumi, como disse, uma administração complicada. Tão logo fui eleito, encontrei uma composição da Câmara Municipal como nunca tinha visto. Vinte partidos têm representantes no Legislativo. Cada partido tem a sua doutrina, o seu princípio, a sua filosofia. Então, eu entrei muito devagar. Só para ilustrar, na minha gestão anterior, eu fui eleito com apenas sete candidatos a vereador na chapa do PMDB e elegemos dois. E, mesmo em minoria, nunca tive problemas com a Câmara Municipal. Estou certo que quando os vereadores entenderem a profundidade dos meus objetivos e meus princípios que sempre apliquei nas minhas administrações, estou certo que não me faltará apoio da Câmara Municipal de Goiânia. Tenho certeza absoluta disso. Terei o apoio para desenvolver o projeto político-administrativo que a cidade está a exigir de todos nós. Na vida pública, às vezes se tem que aprovar projetos que nem sempre são simpáticos, mas necessário . Quando os vereadores, repito, entenderem os objetivos do nosso trabalho, tenho certeza que vou contar senão com a unanimidade ou quase a unanimidade de respaldo do plenário do Legislativo.
A convivência com o governador Marconi Perillo tem sido republicana?
– Tem sido muito boa. Nós nunca tivemos atrito de ordem pessoal. Eu sempre o respeitei e ele sempre me considerou. Nunca existiu nem existirá qualquer empecilho para um bom relacionamento da administração de Goiânia com o governo de Goiás.
O senhor espera do presidente Temer apoio para a liberação de verbas para o município de Goiânia?
– O meu relacionamento com o presidente Temer é fraterno, de irmãos. Temos uma vida política juntos. Praticamente eu e ele nascemos aí, nacionalmente, na política juntos. O presidente jamais negaria qualquer pleito à prefeitura de Goiânia. Agora, eu para levar um pleito ao presidente, tenho que entender a situação grave, as dificuldades que vive o país, o governo federal. Tenho certeza que contarei, enquanto Michel Temer estiver na presidência da República, a compreensão e o respaldo para que nós consigamos implementar os programas definidos para a cidade de Goiânia.
O senhor acha que o PMDB deve tratar agora da sucessão estadual ou deixar para o início de 2018?
– Logo após a posse, em 1º de janeiro, recebi a pergunta de um jornalista a respeito de 2018 e eu disse que estaria desrespeitando a população de Goiânia se na primeira semana da minha administração eu me envolver com a sucessão estadual de 2018 quando recebo a cidade com problemas os mais graves e preocupantes. E eu continuo assim: só vou tratar de eleições quando estiver com a situação da prefeitura à altura da expectativa da população goianiense. Aí eu posso tirar um pouco do meu tempo para me envolver com eleições futuras.
Mas o PMDB vai ter candidato próprio a governador em 2018…
– Claro. O PMDB é um partido histórico, sempre disputou eleições com candidato próprio, pois é o principal partido de oposição no Estado.
“Eu e o governador nunca tivemos atrito de ordem pessoal. Eu sempre o respeitei e ele sempre me considerou”“Só vou tratar de eleições quando estiver com a situação da prefeitura à altura da expectativa da população goianiense”
“Tomamos decisões importantes na área da saúde, os médicos voltaram a participar do nosso programa de trabalho. Vamos reformar Cais e, se necessário, construir outros. Em pouco tempo, posso dizer que a saúde em Goiânia será referência nacional”