Brasil

Figuras carimbadas em sucessão

Redação DM

Publicado em 7 de março de 2017 às 02:33 | Atualizado há 9 anos

Faltam 15 meses, talvez um pouco mais, para que os partidos realizem suas convenções e apresentem aos eleitores, e não eleitores, seus candidatos á presidência da República e a governadores de estado. É muito pouco tempo diante de um quadro político absurdamente confuso, onde ninguém sabe o que irá acontecer e quem vai sobrar para entrar numa disputa eleitoral. Os partidos, além de desconhecerem totalmente como se dará a disputa, não sabem se terão nomes com representatividade para lançar. Líderes ninguém tem. Os que pensávamos ser, se mostraram com pés de barro e totalmente vulneráveis para enfrentar uma campanha. Analisem. Em que condições, considerando as atuais circunstâncias, Lula, Aécio, Alckmin – você se lembra de mais alguém – entrariam numa campanha? Seriam todos alvos fáceis dos adversários. Mas este nem seria o maior problema. Com candidatos carimbados com as denúncias que aí estão notem que não digo se verdadeiras ou não, o processo eleitoral será campo fértil para o surgimento dos populistas sem escrúpulos, travestidos de salvadores da pátria. Este caminho, conhecemos bem.  Colocamos aqui foco maior na disputa presidencial, mas o caos da falta de lideranças atinge também os estados. Infelizmente, damos muito pouca atenção à pobreza de líderes nos Parlamentos, até porque, voltamos sem critério. Usamos o voto para homenagear alguém, pagar algum favor recebido. Daí resulta aquilo que o velho Ulisses Guimarães dizia: a cada eleição nossas Casas Legislativas pioram suas composições. E a cada piora, mais distante fica a limpeza purificadora, pois os bons se afastam, evitando a contaminação e a inevitável observação do ‘são todos iguais’. Se algum consolo podemos  ter, é o de que todo poço tem um fundo, e não podemos estar distante, ou tão distante dele. O que precisamos é estimular a indignação. É mexer com os sentimentos das gerações mais novas, acabar com a inércia, com a alienação. Durante muitos anos gerações de brasileiros foram sufocadas, proibidas de se manifestarem politicamente. Estes tempos  já estão distantes. Deixaram marcas de medo, de alienação. Já não há motivos de medo.Quando os bons se retraem, os oportunistas assumem. E como temos oportunistas posando de sérios.

 

(Paulo Cesar de Oliveira, jornalista e diretor-geral das revistas Viver Brasil e Robb Report)


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