Paulo Daher faz cobranças do Estado na área da saúde
Redação DM
Publicado em 5 de maio de 2018 às 01:12 | Atualizado há 8 anos
O vereador Paulo Daher (DEM), vice-presidente da Comissão Especial de Inquérito da Saúde, instalada na Câmara Municipal de Goiânia, defendeu-se da acusação de que estaria politizando a comissão. Ele diz que o convite ao ex-governador Marconi Perillo para ser ouvido na CEI teve motivações estritamente técnicas, já que o tucano comandou Goiás por quatro mandatos, tendo inclusive responsabilidade para com a saúde no Estado.
Daher voltou a afirmar que o Governo de Goiás não teria aplicado o mínimo constitucional em ações e serviços públicos de saúde, que é de 12% sobre a receita própria do Estado, nos anos de 2014, 2015 e 2016. Para o democrata, isso foi determinante para que a saúde no Estado fosse impactada negativamente nos últimos anos e, segundo o vereador, acabou repercutindo também na saúde de Goiânia. “Quase R$ 600 milhões deixaram de ser investidos nas ações e serviços públicos de saúde nesses três anos”, explicou.
REABERTURAS
Outro ponto defendido por Paulo Daher é a reabertura imediata dos hospitais públicos do Estado para atendimento de urgência e emergência. Na última reunião da CEI, inclusive, Daher teve aprovado requerimento de sua autoria em que pede oficialmente ao Estado que reabra as portas do Hugo, Hugol e Materno Infantil para que a população tenha acesso aos atendimentos de urgência e emergência, como era feito no passado.
ÍNTEGRA DA ENTREVISTA
Apoiadores do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) afirmam que a convocação do tucano, depois transformada em convite, para comparecimento à CEI da Saúde foi um ato político da parte do senhor. Foi de fato uma maneira de politizar os trabalhos da CEI?
Paulo Daher – De maneira alguma. Marconi Perillo comandou o EstadodeGoiásporquatromandatos. Foram praticamente 16 anos como governador. Inclusive, foi no terceiro mandato dele que os hospitaispúblicosforamentreguesàsOrganizaçõesSociais e foi daí pra frente que esses hospitais, principalmente o HUGO, passaram a ser regulados e a negarem atendimentos de urgência à população. O convite ao ex-governador teve a intenção de esclarecer pontos que eu acredito que impactaram na saúde como um todo e que acabaram prejudicando a população de todo o Estado. Portanto, nada mais pertinente do que ouvir um gestor que, desde 1999, comanda Goiás e que foi o principal responsável pelas medidas tomadas na saúde durante todos esses anos.
O senhor afirma que o governo de Marconi Perillo não investiu o mínimo constitucional nas ações e serviços públicos de saúde, que seria de 12% da receita própria de impostos, principalmente nos anos de 2014, 2015 e 2016. Ele afirma que investiu. Quem tem razão?
Paulo Daher – Quem tem razão é o relatório técnico elaborado pela Gerência de Controle de Contas do Tribunal de Contas do Estado de Goiás. De acordo com a auditoria que tivemos acesso, e que está à disposição de quem se interessar no site do TCE-GO, nos anos de 2014, 2015 e 2016, a aplicação dos recursos em ações e serviços públicos de saúde, assim definidas, aqueles serviços que atendam o que estabelece o artigo 6º da Lei Complementar 141/2012 e que devem respeitar o princípio da universalidade, gratuidadeeigualdade, ficaramaquémdo mínimo legal. Em 2016, por exemplo, a unidade técnica do Tribunal de Contas do Estado foi taxativa e afirmou, sem meias palavras, que existe uma grave situação de insuficiência financeira camuflada pela metodologia de centralização de recursos adotada pelo Poder Executivo estadual. E, por essa magnitude, este fato não poderia ser desprezado quando se apuram os índices de vinculação constitucional. Assim, os auditores concluíram que, como os saldos restantes na Conta Centralizadora e Conta Única do Tesouro (Cute) estariam totalmente comprometidos com restos a pagar de exercícios anteriores, a aplicação em ASPS não deveria considerar os valores referentes a restos a pagar não processados inscritos no exercício de 2016 (R$ 194,8 milhões), pois não havia respaldo financeiro para inclusão deste grupo no cálculo dos recursos mínimos aplicados, como determinado pela Lei Complementar nº 141/2012. Sendo assim, o valor efetivamente aplicado se reduziu a R$ 1,6 bilhão e o índice a 10,76% da receita própria.
O senhor também acusa o governo Estadual de não implantar os 16 Complexos Reguladores Regionais nas diversas regiões do Estado, o que seria uma determinação do Ministério da Saúde. De fato não foram implantados?
Paulo Daher – Essa é outra omissão do governo de Goiás que tem impactado negativamente a saúde pública nos 246 municípios do Estado. Por força da Portaria 1.559, de 1º de agosto de 2008, o Estado de Goiás deveria ter implantado 16 Complexos Reguladores Regionais. Esses complexos reguladores teriam, segundo o próprio Estado, a missão de agilizar e qualificar o fluxo de acesso do cidadão aos serviços e ações de média e alta complexidade em saúde, de forma organizada, colocando-se a serviço da defesa do direito à saúde e à vida. O Estado não cumpriu essa determinação. Dos 16 complexos reguladores que deveriam ter sido implantados, apenas três efetivamente funcionam: Aparecida de Goiânia, Rio Verde e Anápolis. Sem esses complexos, a gestão da saúde nos municípios fica prejudicada e não consegue regular seus pacientes. O resultado é que todos vêm para Goiânia, a medida que se exigisse esses complexos, muitos pacientes não necessitariam vir à Capital.
O senhor também pede que os hospitais de urgência de Goiás, especialmente os localizados em Goiânia, como Hugo, Hugol e Materno Infantil, abram suas portas para o atendimento de urgência e emergência. Qual a justificativa?
Paulo Daher – O fechamento das unidades hospitalares estaduais ao acesso da população, e a redução dos atendimentos de urgência por esses hospitais, impactaram de forma muito clara e absurda a saúde pública municipal. Essa diminuição no atendimento de emergência pelos hospitais públicos, que deveriam fazê-los e não os fazem, tem sido crescente nos últimos anos. Apenas para exemplificar, o Hugo atendia cerca de 800 pacientes/dia antes de se tornar um hospital regulado. Depois de ser entregue à OS, não atende mais do que 120 pacientes/dia. Para que possamos fazer uma relação, as unidades próprias da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia fizeram, apenas em 2017, mais de 770 mil atendimentos.
O senhor alega, ainda, que a falta de hospitais regionais no Estado é outro complicador para a saúde pública de Goiânia. Por que?
Paulo Daher – Os hospiais regionais são promessas de campanha de Marconi Perillo que se repetem a cada pleito. Em 2015, por exemplo, constava do plano de governo do tucano a promessa de resgatar para o Governo do Estado de Goiás os dez hospitais regionais municipalizados. Isso, segundo a sua promessa, seria feito em comum acordo com os municípios, promovendo a reforma e ampliação dessas unidades. Isso não aconteceu. Se tivéssemos hospitais regionais espalhados pelas diversas regiões do Estado, e se tivéssemos os Complexos Reguladores Regionais em pleno funcionamento, a saúde prestada à população nos 246 municípios do Estado seria, indiscutivelmente, melhor. O paciente não precisaria se deslocar centenas de quilômetros para buscar atendimento na Capital e isso evitaria não só os riscos que esse paciente corre no seu traslado até Goiânia, como também permitiria uma redução no tempo de atendimento, o que, muitas vezes, é o que determina se esse paciente vai viver ou morrer.
O convite ao ex-governador teve a intenção de esclarecer pontos que eu acredito que impactaram na saúde como um todo e que acabaram prejudicando a população de todo o Estado”