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Portal para outro mundo

Redação DM

Publicado em 13 de julho de 2018 às 22:48 | Atualizado há 1 ano

Há quem diga que existem portais espalhados pelo planeta para outros uni­versos. Locais, que de tão be­los, parecem fazer parte de outro mundo. Em Goiás, a Chapada dos Veadeiros é um desses pon­tos. Com certeza, a região é en­volta de mistérios e misticidade. Tirando esse caráter mais subli­me, pode se afirmar que ao me­nos durante os dias do Encon­tro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros a região se torna sim um portal. Nesse local, entre os dias 13 e 28 de julho, o contato com os povos tradicionais, vivências e troca de saberes, cria essa sensação de outro mundo, ainda mais no caso de moradores de grandes capitais, que têm pouco contato diário com a natureza. Esta é a décima oitava edição do evento, que conta com uma Aldeia Mul­tiétnica, na Vila São Jorge.

A programação deste ano in­clui apresentações com giros de folia, alvoradas, congadas, ofi­cinas, vivências indígenas, es­petáculos, shows, exibição de filmes, exposições, palestras e ro­das de prosa. Nesta edição, a Al­deia Multiétnica tem como tema “Festa das Crianças” e aborda­rá processos educacionais dos povos indígenas, com a partici­pação das etnias Krahô, do To­cantins, Kayapó, Mebêngokrê, do Pará, Fulni-ô, do Pernambu­co, Guarani Mbyá, de São Paulo, Xavante, do Mato Grosso, e dos povos do Alto Xingu, também do Mato Grosso. São 12 anos de Al­deia Multiétnica, realizada den­tro da programação do Encon­tro, com o intuito de valorizar os povos tradicionais e proporcio­nar uma união entre estas diver­sas etnias. Além disso, o projeto busca a aproximação da popu­lação não-indígena, valorizando assim a preservação de saberes tradicionais e regionais.

Seguindo a programação do evento, a partir do dia 21 de Julho, inicia a segunda etapa do Encon­tro, onde o foco são as comunida­des tradicionais, remanescentes quilombolas e artistas da cultura popular. A abertura desta parte da programação, também realizada no espaço da Aldeia, contará com a presença de representantes do Sítio Histórico Kalunga, que se­rão homenageados na inaugu­ração da Casa Kalunga. Também participam da cerimônia o Terno de Moçambique do Capitão Júlio Antônio, de Minas Gerais, e Sus­sa de Natividade, de Goiás. Ao fi­nal do dia, celebrando o pôr-do­-sol, a programação conta com um pocket show especial do mes­tre Mateus Aleluia, reforçando a atenção do festival para a cultu­ra afro-brasileira. Após o show, as tradições populares tomam conta da Vila de São Jorge, com a procis­são com candeias, o levantamen­to do mastro do Divino Espírito Santo e a apresentação de dança sussa. O Encontro contará ainda com os cortejos e procissões do Congo de Niquelândia (GO), a Caçada da Rainha de Colinas do Sul (GO), a Catira e Folia de São João D’Aliança (GO), e o Tambo­res do Tocantins (TO).

MATEUS ALELUIA

Mateus Aleluia (nascido em Ca­choeira) é um cantor e compositor brasileiro, remanescente da forma­ção original do conjunto musical Os Tincoãs. Se mudou para Angola em 1983 onde passou a desenvolver um trabalho de pesquisa cultural para o governo angolano. Em 2002 regres­sou ao Brasil e em 2010 estreou com “Cinco Sentidos”, seu primeiro ál­bum solo, produzido pelo selo Ga­rimpo e patrocinado pela Petrobras. Em 2017 lançou “Fogueira Doce”, um novo álbum produzido de ma­neira independente.

LUEDJI LUNA

Luedji Gomes Santa Rita, mais conhecida como Luedji Luna (Sal­vador, 25 de maio de 1987) é uma cantora e compositora de música popular brasileira. Com o CD “Xê­nia”, Luedji Luna alcançou desta­que importante em festivais e mui­tos elogios da mídia nacional.

AÍLA

Aíla Magalhães (Belém, 11 de novembro de 1988), mais conhe­cida pelo nome artístico de Aíla é uma cantora e compositora brasileira.[1] Nascida no bairro da Terra Firme, periferia da ci­dade de Belém.

ALESSANDRA LEÃO

Alessandra Leão é cantora, percussionista, compositora per­nambucana, reside atualmente na cidade de São Paulo (SP). Ini­ciou sua carreira em 1997 com o grupo Comadre Fulozinha e já atuou ao lado de músicos como Antônio Carlos Nóbrega, Siba, Jorge Du Peixe, Isaar, Silvério Pes­soa, Kimi Djabaté (Guiné Bissau), Florencia Bernales (Argentina), Kiko Dinucci, Metá Metá, Rodri­go Campos e Rafa Barret

LÍVIA MATTOS

Lívia Mattos começou a sua carreira artística no circo, onde despertou o interesse pelo acor­deom como recurso cênico. A partir de então incursionou no meio musical, em bandas e espe­táculos, dando início, em 2008, ao seu trabalho solo.

A dança tem espaço especial na programação da 18º edição do Encontro de Culturas Tradicio­nais da Chapada dos Veadeiros. A coreógrafa, instrutora e dança­rina Rosângela Silvestre, ministra programa de dança com a Técni­ca Silvestre, criada pela própria artista em pesquisa por expres­sões diversas da dança contem­porânea, folclórica e danças tra­dicionais em países como Índia, Egito, Senegal e Cuba. Também ministra uma oficina de dança nesta edição, Nãnan Matos, tra­zendo um repertório adquirido em sua pesquisa sobre a cultura do Oeste Africano, além da músi­ca popular brasileira, o afro-beat e o funk, principais estilos musicais pesquisados pelo artista.

O público, nesta edição, pode­rá ter um contato mais profundo com as culturas e expressões ar­tísticas regionais. Além das ofici­nas citadas acima, a programa­ção também prevê uma oficina de Ilú, tambor utilizado em Pernam­buco nos rituais de Candomblé, Umbanda e Jurema. Por fim, tam­bém ocorre uma oficina de ensi­namentos sobre os ritmos aplica­dos e canto da Yakandi/Makru, dança popular típica da etnia Sou­ssou, oficina de pífano, flautas tra­dicionais do sertão nordestino, e oficina “A roda viva do brincar”, com Tião Carvalho. Os ingressos para oficinas, Aldeia e shows po­dem ser adquiridos no site do En­contro de Culturas (http://www. encontrodeculturas.com.br).

FEIRA DE EXPERIÊNCIAS

Outra atração do Encontro é uma feira de produtos sustentá­veis do Cerrado. Entre os dias 21 e 28 de julho, o público poderá visitar e desfrutar da Feira de Ex­periências Sustentáveis do Cerra­do, um espaço de troca de saberes com cerca de 18 estandes. A fei­ra contará com produtos e artesa­nato típicos do cerrado brasileiro, integrado às redes de produção da Chapada dos Veadeiros. A Fei­ra será montada na Praça do En­contro, localizada de frente à Casa de Cultura Cavaleiro de São Jorge. A ação também fortalece a pro­dução familiar e promove a eco­nomia regional da Chapada dos Veadeiros, dando espaço aos mo­radores e comerciantes da região.

Realizado desde a primeira edição pela Casa de Cultura Cava­leiro de Jorge (CCCJ), o Encontro de Culturas Tradicionais da Cha­pada dos Veadeiros tem como um de seus objetivos o fortalecimento da sociobiodiversidade brasileira, promovendo uma grande integra­ção de povos e culturas em um País com mais de 270 línguas vi­vas e de dimensões continentais. “Fortalecer é dar vozes para que essas populações também sejam ouvidas e possam transmitir seus conhecimentos. O nosso encon­tro é o fortalecimento da diversi­dade que forma o povo brasilei­ro”, afirma o presidente da CCCJ, Juliano Basso.

“É por isso que gostamos de di­zer que, há 18 anos, um Brasil pro­fundo se encontra na Chapada dos Veadeiros. Profundo geografica­mente e em sua sabedoria. Aqui nos reconectamos com as nossas origens. Um reencontro do Bra­sil consigo mesmo”, finaliza Basso.

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