A repercussão negativa no STF e Planalto do vídeo em que o vice- líder do governo insulta Moraes
Redação DM
Publicado em 8 de julho de 2020 às 17:53 | Atualizado há 6 anos
O deputado federal (PSC-RJ) Otoni de Paula, é um dos vice- líderes do governo Bolsonaro na Câmara, divulgou um vídeo em suas redes sociais agredindo e insultando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. No vídeo o parlamentar critica o ministro Moraes pela resolução que liberou o blogueiro Oswaldo Eustáquio, mas o impediu de usar as redes sociais.
Publicado em 6 de julho, no vídeo Otoni chama Moraes de “lixo”, ” tirano”, e “canalha”, entre outros. “Por isso é chamado de cabeça de ovo, porque respeito, Alexandre de Moraes, não se impõe, se conquista”, refere trecho do vídeo. “Você é um lixo, você é o esgoto do STF, a latrina da sociedade brasileira”. O deputado também fez uso de ameaças ao ministro do STF.
O ministro Alexandre de Moraes é o relator do inquérito que apura a divulgação de fake news e investiga o financiamento de manifestações antidemocráticas.
O impacto do vídeo abalou integrantes do STF e do próprio governo, por ter sido revelado no momento em que o Planalto afinca a mudança na entonação de Bolsonaro no STF. O Planalto demonstra preocupação com o avanço de investigações na corte, que repercutem no próprio governo, aliados e famíliares.
O entendimento nos bastidores da corte, partilhado por ministros do governo que pregam a diminuição do rompante de Bolsonaro nas agressões, é a mesma de que se trata do vice- líder do governo, e sendo um cargo de confiança do presidente da República. São 14 vice- líderes escolhidos pelo presidente.
Nas últimas semanas o Planalto pediu a seus aliados que reduzam agressões contra o STF e vetou, por exemplo, o uso da tribuna na Câmara por aliados, com o tempo de liderança do governo, para fazer ataques ao STF. Mas aliados de Otoni destacaram, ao comentar o vídeo, que não existem formas de controlar as redes sociais dos vice-líderes.
Entretanto, ministros do STF, repercutem o vídeo e avaliam que a manutenção de Otoni como um dos vice-líderes de Bolsonaro reflete a desconfiança de alguns, que a mudança de comportamento do governo em relação a ataques ao STF não é validada.
Aliados defendem que um dos caminhos seria tirar o vice-líder do governo do cargo, para reforçar as intenções de pacificação do governo com o STF, mas a idéia sofreu resistências, até o momento.
*Com informações do G1