Cotidiano

A voz que serve de alerta sobre o risco das chuvas nos morros

Redação DM

Publicado em 20 de janeiro de 2016 às 03:06 | Atualizado há 11 anos

RIO — Valéria Vasques tem 49 anos, é pedagoga, sambista da Império da Tijuca, agente da Defesa Civil e, desde o último dia 11, a voz que alerta os moradores de áreas de risco sobre o perigo de chuvas fortes. Até então sem experiência como locutora, ela foi escolhida para a tarefa porque conseguir “acalmar um mar revolto”.

— Eu faço atendimento por telefone e presencial na Defesa Civil a pessoas que perderam suas casas por deslizamentos de terra e desabamentos. Elas vêm com desespero e tristeza, esperam encontrar um atendimento mais burocrático e ficam surpresas por encontrar uma voz afetuosa — explica Valéria, que trabalha há mais de 10 anos na Defesa Civil.

Nascida e criada no morro da Casa Branca, na Tijuca, onde morou até os 35 anos, a agente conhece de perto a realidade dura de quem vive em área de risco:

— Minha casa já foi alagada diversas vezes e uma vizinha minha morreu soterrada após um deslizamento. Então, fico muito feliz por ajudar nesse trabalho de prevenção.

O alerta dá lugar às sirenes utilizadas desde 2009. Se há risco de chuva forte, os meteorologistas do Alerta Rio, da prefeitura, mandam uma mensagem para os agentes comunitários de saúde que atuam nas 103 favelas do Rio. São eles os responsáveis por acionar a voz de Valéria, que diz na gravação: “Atenção, atenção! A Defesa Civil informa a possibilidade de chuvas fortes nas próximas horas. Fiquem atentos”.

— Essa informação é muito importante para evitar uma calamidade. Vinda de uma voz suave, acho que as pessoas assimilam melhor — observa o presidente da Associação de Moradores do Morro do Salgueiro, Sebastião Gonçalves.

Após o alerta, os moradores são encaminhados a pontos de apoio: locais seguros, como igrejas, escolas e ginásios, localizados nas próprias comunidades. Nas 103 favelas com áreas de risco no Rio, que concentram 18 mil moradias, há 194 pontos de apoio.

— Nas chuvas de 2010, tivemos uma trágica marca de 67 mortos e, desde 2011, quando as sirenes foram instaladas, não temos nenhuma vítima, apesar dos deslizamentos e desabamentos — afirma o subsecretário de Defesa Civil, Marcio Motta.

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