Proclamação da República, primeiro passo de uma longa estrada
Redação DM
Publicado em 13 de novembro de 2015 às 21:51 | Atualizado há 11 anosUm levante político-militar instaurou a Republica Federativa Presidencialista em nosso país, pondo fim a monarquia constitucional parlamentarista do Brasil com a Proclamação da República brasileira em 15 de novembro de 1889. Conforme o contexto histórico, com a perda do prestígio da Monarquia Brasileira, o império português com os aliados e beneficiários do reino, tentou salvar o império, que já perdia o apoio de suas bases econômicas, militares e sociais tanto da parte dos grupos conservadores pelos sérios atritos com a Igreja Católica, quanto pela perda do apoio político dos grandes fazendeiros em virtude da abolição da escravatura ocorrida em 1888, sem a indenização dos proprietários de escravos. Em linhas gerais, além das conseqüências da guerra do Paraguai, das questões abolicionista e outras, as insatisfações com a ausência de um sistema de ensino universal com altos índices de analfabetismo e de miséria, destacava-se o afastamento político do Brasil em relação a todos demais países do continente, que eram republicanos. Embora se argumente que não houve participação popular no movimento que terminou com o regime monárquico e implantou a república, também não houve manifestações populares de apoio à monarquia, ao imperador ou de repúdio ao novo regime. Mas, a maioria da população brasileira da época, sem a total consciência da importância dos fatos, assistiu à histórica proclamação da república. Fortalecia assim, a busca da soberania da nação com a república, que era vista popularmente, antes e depois da proclamação, como um regime que traria o desenvolvimento ao país. Por tudo isso, não por acaso, a propaganda republicana teve por marco inicial, a publicação do manifesto Republicano em 1870 (ano em que terminou a Guerra do Paraguai), seguido pela Convenção de Itu em 1873 e pelo surgimento dos clubes republicanos, que se multiplicaram a partir de então, pelos principais centros no País. Vale lembrar que o movimento de 15 de novembro de 1889 não foi o primeiro a buscar a república, contudo, foi o que mais conquistou apoio tanto das elites nacionais e regionais quanto da população de um modo geral, talvez por isso, tenha alcançado o objetivo. A história não omite a “Inconfidência Mineira”; a “Revolução Pernambucana”; a “Revolução Farroupilha” e outros movimentos revolucionários.
Somos uma república federativa, vivemos no regime presidencialista onde os entes federados possuem suas autonomias e temos o presidente como figura máxima da representação política e diplomática em nossa jovem democracia. Na república, temos a organização de um governo que deveria dar mais autonomia aos estados e maior direito de participação política aos cidadãos do país. Precisamos, a exemplo dos que sonharam e lutaram pelo estabelecimento da república, dos que buscaram e conseguiram uma crescente conscientização a respeito do novo regime e as aprovações pelos mais diferentes setores da sociedade brasileira, aprender a viver na república que tem em sua bandeira a inscrição “ordem e progresso”. Estamos aprendendo muito lentamente como nos comportar em uma verdadeira democracia, nossos governantes parecem não saber que o poder político que é dado pelo povo é para servir o povo, e muitas vezes o utilizam em benefícios próprios. Graças aos avanços, a relativa transparência e a globalização, a população consciente toma conhecimento de escândalos de corrupções e outras falcatruas que tanto envergonham e empobrecem a nação.
O feriado de 15 de novembro comemora a proclamação do regime republicano brasileiro, que aconteceu em decorrência da crise do poder imperial, ascensão de novas correntes de pensamentos políticos e interesses de determinados grupos sociais. Aquele marco histórico ocorrido em 1889 foi apenas um primeiro passo de uma longa estrada a se construir. É preciso que ocorram mudanças e adaptações individuais e coletivas, para enfim, conquistarmos mais respeito ao nosso país e nossa gente, bem como, fortalecer nossa jovem democracia, para tanto, temos que alcançar um nível melhor de consciência, mais sincronismo e confiança entre governantes e governados, talvez assim, vamos repatriar muitos brasileirinhos que sofrem em outros países em busca de melhores condições futuras para suas vidas e quem sabe tenhamos mais orgulhos de sermos brasileiros.
(Natal Alves França Pereira, servidor público, graduado em Ciências Contábeis, filiado à Associação Goiana de Imprensa)