Por que defender Dilma
Redação DM
Publicado em 12 de outubro de 2015 às 22:39 | Atualizado há 11 anosAécio Neves quer o impeachment de Dilma Rousseff; ele e o PSDB em peso. O querer do partido de Aécio tem legitimidade quanto a sua condição opositora, porém, como político de representação nacional, suas intenções são antidemocráticas e seus argumentos exalam o que há de pior na política brasileira: o oportunismo. Seu querer é o poder pelo poder, nada mais. Prova? O que o PSDB de Aécio teria a oferecer ao Brasil na atual conjuntura macroeconômica em face da geopolítica em que estamos inseridos? Junta-se a isso a pior desgraça política desse pais, o PMDB. Diria Nietzsche, assim como disse em seu O Anticristo com relação ao judaísmo e ao cristianismo: “O PMDB é uma desgraça mil vezes pior que o PT”. O PMDB consegue ser pior que o PSDB, por que pelo menos o PSDB possui selo de “oposição”.
Um capítulo à parte nessa história recente que assombra o País é o PMDB. Esse partido circula nos corredores escuros do governo como se fosse um morcego. Michel Temer se comporta como um Nosferatu à paisana que espreita a goela suculenta e fragilizada de uma atordoada Dilma Rousseff, tudo isso para, na hora oportuna, dar o bote final. Maquiavélico, ele articula nas sombras através de seu serviçal Eduardo Cunha, presidente da Câmara, para tornar o que está ruim algo muito pior. E, sem nenhum pudor, vem a público dizer que o País precisa de alguém que o lidere – certamente se referiu a ele, claro.
O país está sem governo, sem respaldo social que o valide e sem base política que o sustente – não há mais dinheiro para negociar com a tal base aliada (PP e PMDB).
O que será desse governo?
Em uma nação cujo governo só se sustenta com base no troca-troca (parlamentarismo de coalizão à brasileira), o resultado não poderia ser outro: a falência múltipla dos órgãos. O País faliu. As instituições estão derrocadas; os valores, invertidos; as liberdades, maximizadas; o discurso social legalizado em detrimento da ordem pública está imposto à sociedade. Tudo isso tem sua origem no discurso democrático sem limites que permitiu o vale-tudo.
O resultado disso é: Mensalão, Petrolão e tudo que representa nossa curta e nefasta história política. Sobre a perda da legitimidade do Estado, podemos observar que o Brasil é palco de arrastões em praias, chacinas policiais, soltura de bandidos; o presídio de Pedrinhas-MA é exemplo do que nos tornamos como povo. A educação no Brasil é o mais alto exemplo de nosso inferno existencial; não há disciplina porque disciplina é antidemocrática, e por aí vai.
A culpa disso? Em grande parte é do sistema político brasileiro, e o PMDB, na pessoa de seu mais ilustre demônio, Ulysses Guimarães, foi seminal para o desgraçamento do Brasil, pois foi ele que, junto com seus comparsas de partido, validou nossa tão afamada lei eleitoral herdada do regime militar que a usava para impor sua vontade no Congresso. Como relator da constituinte e líder de seu partido, ele acampou e não vetou as coligações partidárias, o financiamento privado de campanha e as eleições proporcionais.
Tudo isso customizou o processo político brasileiro para a consolidação das tais “liberdades democráticas” – um erro crasso de quem se julga líder político por achar que bandidos e mocinhos devem estar sob a mesma sombrinha da democracia.
É bom lembrar que esse processo de corrupção alienante se repete em todas as instâncias eleitorais no País, em todos os órgãos e em todas as instituições onde impera a eleição pelo voto. Desde a Sereníssima República machadiana até a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de agora. Em tudo, a palavra de ordem é: corrupção.
A tábua de salvação, hoje, são os juristas do Supremo Tribunal Federal (STF). Colocados de forma espetaculosa pelo PT em cargos-chave, como os ministros do Supremo (veja os exemplos das aberrações: Ricardo Lewandowski, Dias Tófolli e outros). Isso nos dá um diagnóstico do que está se tornando o Brasil de todas as liberdades.
A democracia brasileira está passando por uma de suas crises mais agudas, e nenhuma medida no curto prazo dará resultado para aliviar as tensões provocadas pela gastança do PT em dar aos pobres o que era dos ricos. Essa é a realidade: o PT tirou de quem tem para dar a quem não tinha, isso é o populismo na sua mais pura acepção.
Engrossa esse caldo o pensamento sintetizado na sociedade de nomes como os de Ronaldo Caiado (DEM), com seu discurso de truculência; Jair Bolsonaro (PP), que aposta na desgraça social (bancada da bala); a bancada evangélica, que atua na “consciência do irmão para granjear o voto” (João Campos PSDB) e muitos outros que estão apostando no quanto pior melhor, inclusive Temer e seu PMDB. A atual crise estabelecida no governo é um arbusto nocivo plantado na gestão Lula, regado por Dilma e que agora está dando seus frutos; é o cardo com seus espinhos. Mas sempre é bom lembrar que a ocasião faz o ladrão. É o sistema político que oportunizou ao PT fazer do Brasil um País temerário e não Dilma; ela é apenas mais uma peça desse tabuleiro com peões divididos em peças pretas e brancas.
(Waldemar Rêgo, jornalista, escritor e artista plástico – [email protected])