Desativada 2

Fazendo uma nota valer mil

Redação DM

Publicado em 16 de setembro de 2015 às 22:28 | Atualizado há 1 ano

Por: Walacy Neto

O Blues é um estilo musical enraizado no espiritual. Sua origem tem ligação direta com os cantos de igrejas cristãs dos Estados Unidos. Desde os primeiros acordes do estilo, tudo se referia ao universo entre a alma e a rotina dolorosa do negro no século XIX. Nas plantações de algodão, durante as horas e horas sobre o calor que castiga, as canções de trabalho, ou worksongs, auxiliavam no passar das horas. Daí também surge às primeiras manifestações do que seria chamado de blues. Porém, o conceito só se tornou conhecido em outras partes do mundo com o fim da Guerra Civil americano, quando o estilo musical passou a vocalizar as sensações e o espírito da população afro-americano. Melancólico, sofrido e dotado de angústias e tristezas, o blues passou a se alojar nas plantações do delta no Mississipi.

Com os anos, o estilo musical popular focado na população marginalizada e negra ganha notoriedade e mais adeptos. Na década de 30, Robert Johnson surge e arremata boa parte das atenções sobre o gênero. No Mississipi e na mesma década, nasce outro grande nome do estilo musical, que ao lado de Robert Johnson, explorou dos mínimos até os máximos das sensações propostas pelo blues. No dia 16 de setembro de 1925 nasce Riley Ben King, conhecido futuramente como B. B. King. O músico, durante quase toda sua vida se dedicou para a música e, especificamente, para o blues. Foram quase 90 anos sobre os palcos, ciclo encerrado em 14 de maio deste ano, quando B. B. King faleceu enquanto dormia, devido a complicações da diabetes, que o acompanhava por 20 anos.

Blues Boy King

A infância de Riley Ben King, assim como a da maioria dos negros da época, foi difícil. Aos nove anos de idade já trabalhava em uma fazenda de algodão, de onde tirava todo o seu sustento. Aprendeu a tocar guitarra com o primo, o bluesman Bukka White, que também deu ao jovem Riley Ben King sua primeira guitarra.

No ano de 1947, quando tinha 22 anos, se muda para a cidade de Memphis, no Tennessee levando quase nada em dinheiro e sua guitarra nas costas. A cidade era um dos grandes casulos da música e como tinha pretensão de se sustentar através da música, logo Riley Bem King estava ao lado de pessoas que ajudariam a traçar seu caminho e o futuro do blues. Logo em seguida, Django Reinhardt, Blind Lemon Jefferson, Lonnie Johnson, Charlie Christian e T-Bone Walker já haviam se tornando grandes fãs de Riley Ben.

Foi no rádio que tomou o nome de B. B. King pra si, quando trabalhava no programa de Sonny Boy Williamson, no ano de 1948. Na estação KWEM, em Mepmphis, o primeiro nome encontrado não seria fixo por muito tempo: Beale Blues Boy – uma referência à música Beale Street Blues. O apelido seria abreviado um pouco depois para Blues Boy King e, eventualmente, para o nome que é conhecido e imortalizado, B. B. King.

Carreira

B. B. King atuou no ramo musical durante quase toda sua vida. Entre os altos e baixos que esse ramo propõe uma coisa o músico levou ao fundo: o blues. Durante os anos de carreira, chegou a se apresentar, no ano de 1956, cerca 340 vezes ao lado de sua banda. É um dos poucos e grandes artistas que conseguiram desenvolver seu trabalho em cima de um gênero específico e se fixar nas páginas de livros da histórica como estrelas no céu. Dentro do blues, B. B. King desenvolveu seu próprio estilo musical repleto de solos e notas razoavelmente básicas.

Essa era sua veia dentro da expressão artística: fazer do pouco muito, ou melhor, fazer uma nota valer mil, como o próprio B. B. King afirmava. Com seu talento, é considerado como uma influência pelos músicos como Mike Bloomfield, Albert Collins, Buddy Guy, Freddie King, Jimi Hendrix, Otis Rush, Johnny Winter, Albert King, Eric Clapton, George Harrison e Jeff Beck. Em um ranking montado pela revista Rolling Stones, no ano de 2003, foi considerado um dos três maiores guitarristas de todos os tempos – ao lado de Eric Clapton e Jimi Hendrix.

Desta forma, lembrar um nome como B. B. King não é apenas este tom de saudosismo. Mas é entender que boa parte do que se viu de bom dali pra frente tem sua marca estampada nos timbres da Gibson. Enfim, fica a homenagem.

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