Um mundo maravilhoso de um músico
Redação DM
Publicado em 4 de agosto de 2015 às 00:28 | Atualizado há 11 anosWalacy Neto,Especial paraDMRevista
De lugares inférteis sempre nasce algo bonito, é verdade. “Até no lixão nasce flor”, conforme diz a letra do grupo de rap Racionais Mc’s. Alguns dos grandes artistas que deram um tempo aqui na terra e marcaram a história, tem a infância difícil como principal motor criativo. Uma mãe prostituta, devido à falta de dinheiro, e um pai ausente devem ter de alguma forma influenciada na produção artística do músico Louis Armstrong. Nascido em um bairro pobre da cidade Nova Orleans, no dia 4 de agosto de 1901, Louis foi cantor, compositor, instrumentista, trompetista, cornetista, saxofonista, escritor, letrista, arranjador, produtor musical, dramaturgo, artista plástico, ator, tenor, maestro e ativista político. Não bastasse tanta importância no meio cultural, Louis é considerado o maior representante do jazz até os dias atuais.
Dá infância difícil Louis tira de saldo positivo o seu primeiro trompete, comprado com dinheiro emprestado de uma família imigrante russo-judaica chamada Karnofskys. Eles consideravam o jovem como um familiar e cuidavam do mesmo enquanto a mãe trabalhava. Aos 11 anos, Louis formou seu primeiro grupo musical: um quarteto que tocava nas ruas a fim de conseguir alguns trocados. Na corneta ficava Bunk Johnson que ensinou Louis a tocar Dago Tony’s Tonk, apenas de ouvido. Nesse período a música de Louis se desenvolve bruscamente, momento em que ele começa a tocar trompete em uma banda chamada “New Orleans Home for Colored Waifs”.
Durante esse mesmo período, Louis começou a expressar grande rebeldia frente à luta diária e sem muitas recompensas. As dificuldades com o temperamento deliquente de Louis chamaram a atenção de outro membro, o professor Peter Davis. Ele ensinou disciplina ao novo músico e eventualmente Louis assumiria o título de líder da banda. Durante sua adolescência, Louis viveu em cidades diversas, mas sempre tocando em alguma banda e em contato com músicos dos Estados Unidos.
Jazz
É fato, caso não fosse o músico de Nova Orleans, muito do estilo musical estaria bastardo. Na verdade, caso não tivesse Louis Armstrong na história da música, o jazz seria algo totalmente diferente e nem vale a pena imaginar. Verdade é que a conhecida “Era do Blues” foi escrita com base nos instrumentos e nas mãos de Louis. A voz grave do músico é quase uma síntese dos significados que englobam o jazz. A cidade de nascimento, por exemplo, Nova Orleans é conhecida até os dias atuais como um dos grandes berços da música. É desse local que boa parte dos artistas que marcam a história da música saem e dão vôos por outros cantos do mundo.
Além da infância difícil, as apresentações que realizou por volta de 1922, também iriam marcar a carreira e a produção de Louis. Na zona de prostituição da cidade, a Storyville, conheceu nomes importantes do jazz como Sidney Bechet e Joe Lindsay. Em pouco tempo a zona de prostituição fora fechada pela marinha, obrigando os músicos a juntar suas poucas tralhas e instrumentos para partir em direção a Chicago. Na cidade, Louis conseguiu gravar suas primeiras apresentações e no ano de 1938 partiu em direção a Europa. A popularidade do músico aumentava na medida em que o rádio se tornava cada vez mais comum nas casas. Mais tarde, os filmes e a televisão também impulsionariam a carreira do músico.
Mundo Maravilhoso
Uma das músicas mais conhecidas de Louis Amstrong, What a Wonderful World, foi escrita por Bob Thiele e George David Weiss. Em 1967, a canção ganhou vida e palco nas cordas vocais de Louis Armstrong. Os timbres e todo o trabalho feito por Louis casam confortavelmente com o título, acordes e tudo mais que What a Wonderful World deve ter. A letra é simples, chegando a ter indícios poéticos devido aos detalhes propostos pelo autor. Cada verso é um suspiro. Apesar do tom otimista, a canção também tem indícios de crítica a sociedade da época. Com todo o trabalho e influência na música contemporânea, Louis Armstrong é um dos grandes, na verdade, é o maior. Com sua voz rouca, meio depressiva, o músico conseguiu mostrar como é bonito esse mundo. E não é?