Brasil

A estabilidade monetária sob FHC e PT

Redação DM

Publicado em 30 de julho de 2015 às 23:11 | Atualizado há 11 anos

Quando o presidente Fernando Henrique Cardoso passou o poder ao sucessor, a 1º janeiro de 2003, o Brasil vivia uma fase azul de bonança. O Plano Real, cujos méritos se devem inicialmente então ao presidente da República, Itamar Franco, e ao seu ministro da Fazenda, ora o próprio FHC, e aos economistas pais do Real, notadamente o ex-ministro Rubens Ricupero, havia tirado enfim, sob a condução rigorosa e segura do ministro Pedro Malan, a economia brasileira da escalada inflacionária, introduzindo-a “em um círculo virtuoso de crescimento com estabilidade monetária, transparência, valorização de preceitos racionais e responsáveis de gestão pública”. Metaforicamente escrevendo, o carro da economia de mercado, ora emperrado, ora enferrujado, largado num canto, entrou a andar, francamente azeitado por aquelas conquistas todas lá. E eis o câmbio a flutuar livre e solto, sem manobras ou artifícios, quando então o valor das moedas estrangeiras passou a oscilar ao sabor das leis naturais da oferta e procura do mercado. E eis o superávit primário a cumprir eficientemente aquilo para o qual ele realmente existe, que é indicar o controle de gastos do governo, sem menoscabar a expansão dos investimentos. E eis a salutar austeridade e seriedade nas contas públicas.

O governo que se seguiu, o popular de Lula, embalado sob aquele já esquecido e tão repetido bordão “A Esperança Venceu o Medo”, embalado sob o peso histórico de 53 milhões de votos, “por pragmatismo e sabedoria”, e iluminada inteligência do titular, não ousou, sob a batuta do ministro Antônio Palocci, mexer nos fundamentos e alicerces da estabilidade monetária do Real, nem podia ser diferente, “durante os oito anos no Palácio do Planalto”. Não obstante fosse o Partido dos Trabalhadores aberta e freneticamente contra o Plano Real.

Os discursos de posse de Lula e Palocci, naquele janeiro, já não deixavam dúvidas sobre a continuidade e opção pela mesma gestão financeira responsável.

Mudar enfim uma gestão vitoriosa equivaleria enfim a mudar um time de futebol que está no auge da vitória, equivaleria enfim a trocar o certo pelo incerto.

A revista Veja saudava aliás, sob o título “Um bom começo”, página 7, coluna Carta ao Leitor, edição número 1784, a 8 de janeiro de 2003, a entrada em cena do novo governo:

“O essencial dos discursos feitos por Lula e Palocci, no entanto, é a reafirmação inequívoca das promessas de campanha de manter as conquistas da estabilidade monetária e da austeridade nas contas públicas. Recitadas em discurso de posse, as garantias de rigor contábil e da busca de maior equilíbrio social no País adquiriram uma solenidade inédita e ecoaram declarações muito parecidas feitas nos últimos anos por Fernando Henrique Cardoso e pelo ex-ministro Pedro Malan.”

“Palocci também aproveitou para dizer que seguirá de perto o ‘superávit necessário’, coisa que alguns petistas não gostam, mas o mecardo adora…”

Se bem a gente se recorda, amigos, logo após o discurso de Palocci a bolsa fechou em alta e a cotação do dólar caiu.

Se bem a gente se recorda mais, prezados leitores do Diário da Manhã…

…a 3 de janeiro de 2003, numa quinta-feira, “dois novos ministros petistas”, que então tomavam posse, “deram os sinais mais eloquentes de realismo e solidez. Um foi o ministro Palocci, da Fazenda, que marcou as diferenças de política econômica entre o antigo e o atual governo, mas não se furtou a elogiar a gestão de Pedro Malan e falar de sua disposição de preservar o que nela se criou de positivo. ‘A seriedade e a responsabilidade na gestão da coisa pública são herança inegável da condução da política do ministro Malan e sua equipe’, disse o novo ministro.”

O governo que se seguiu ao de Lula, o de Dilma Vana Rousseff, buscou, sob a batuta do ministro da Fazenda Guido Mantega, por uma série de políticas heterodoxas, consubstanciadas em intervenções na economia, corroer os pilares da almejada estabilidade. A escalada inflacionária, que voltou a assustar, mascarada pela contenção artificial do aumento dos preços, sinalizava já, no contexto de julho de 2014, alcançar a cifra de 6,5% em dezembro daquele ano e “está sendo contida”, diziam naquele contexto do ano passado, “no curto prazo pelo controle do câmbio pelo Banco Central. Isso significa que os dois primeiro pilares do Real foram para o espaço? A inflação voltou a assustar e o câmbio deixou de flutuar”. Livremente. Enquanto que “o superávit primário vem sendo atingido por meio de manobras contábeis que desvirtuam por completo sua função primordial de indicar o controle eficiente de gastos do governo”.

A gente não é daqueles de malhar o Judas, e até torcia pelo sucesso econômico da administração Dilma, mas ela, a presidenta (como aprecia ser chamada), arrisca a perder o seu lugar na história para o Dragão que consome os nossos salários e para a estagnação econômica, se não adotar medidas corretas ou não corrigir o rumo da política econômica. Deus queira que ela, na atual atmosfera de inflação alta, de crise institucional estabelecida, de dólar alçando a 3,36, já acenando com a perspectiva de 3,40, consiga realizar isso sem um custo social elevado.

 

(Pedro Nolasco de Araujo, mestre pela PUC-Goiás em Gestão do Patrimônio Cultural, advogado, membro da Associação Goiana de Imprensa – AGI)

 


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