A criança precisa ter temor do adulto
Redação DM
Publicado em 9 de agosto de 2021 às 17:26 | Atualizado há 5 anos
Trabalhei como médico-chefe numa Unidade Hospitalar Psiquiátrica para Adolescentes “Psicopatas” (antissociais) entre 1989 e 2016, quase trinta anos exclusivamente, e aprendi uma coisa sobre a figura do pai e sobre a criação dos filhos para que eles não sejam anti-sociais:
1) A criança precisa ter “medo” (ou uma palavrinha mais doce, “temor”) de um adulto. Não basta apenas “amar ela”, “conversar com ela”, apoiar ela, dar segurança. Ela precisa ter muito respeito pelo adulto. Eventualmente, ter medo do adulto. Esse medo é que irá vaciná-la de ser totalmente destemida perante a autoridade.
Sem esse “medo”, instala-se a arrogância, os “direitos de ter tudo”. Tanto a mãe quanto o pai podem passar esse “medo” para ela, mas as boas mães têm dificuldade para isso, pois tendem a ser muito complacentes e amorosas.
O pai parece ser muito importante nisso. O “respeito” da criança não tem só amor embutido nele – apesar do amor ser um ingrediente indispensável para o respeito. No entanto, só o amor não basta, é preciso também o “medo”. É preciso uma assimetria, a criança não pode tratar o adulto como um igual. E essa assimetria implica, inclusive, assimetria de força, medo. Querer criar uma criança sem esse “medo” é prepará-la para a desobediência, o descontrole, a anarquia, a insubordinação, a revolta, a eterna reivindicação, os eternos direitos, as eternas querelas, arrogâncias, orgulhos.
2)O pai, a figura masculina, tem a mente mais lógica, mais matemática, mais engenheira, mais antenado com as coisas materiais do mundo. A mãe, a mulher, é mais antenada, de modo geral (para tudo tem exceções), com as coisas afetivas, relacionais. Sendo mais antenado com o mundo material, o homem é mais afeito às regras, leis, princípios, do Universo. Esses princípios regulam a vida do homem (sexo masculino), o homem convive mais com a matéria, respeita mais a matéria. Essa matéria reflete as duras Leis de Deus e o homem, sexo masculino, é seu portador mais concernido.
3) A ordem do mundo feminino é mais afetiva, mais complacente, mais frouxa, com mais compaixão, mais flexibilidade, pois seu mundo, o mundo afetivo, o mundo das relações humanas, é mais aberto. O mundo do homem, o mundo material, o mundo das Leis Físicas do Universo, é mais fechado, é mais duro, mais rígido. O “Deus” dos homens é diferente do Deus das mulheres, é mais rígido, é mais moral. Os filhos precisam desse Deus mais rígido.
4)O mundo mais rígido dos homens faz com que os pais coloquem os filhos nas duras disciplinas, obrigações, trabalhos, do mundo material, e isso é muito importante para moldar o caráter da criança, adolescente. Muitas crianças, adolescentes, fechadas dentro dos quartos, no videogame, engordando, tomando coca-cola, virando a noite, trocando o dia pela noite, sem estudar e sem trabalhar, nas drogas, nas baladas, etc, padecem dessa “falta da figura masculina”, falta do elemento fálico-autoridade