Suspeito deixa a prisão após polícia apontar fraude em denúncia de estupro, no DF
Redação DM
Publicado em 23 de dezembro de 2020 às 13:09 | Atualizado há 6 anos
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apontou à Justiça uma possível fraude na denúncia de estupro de uma adolescente de 17 anos. Segundo a polícia, a suposta vítima pode ter fraudado a investigação, que levou Marco Antônio Cardoso do Nascimento, de 19 anos, para a prisão por quase 30 dias.
A jovem relatou que estaria com um bebê de 1 ano no momento do crime. Segundo ela, dois homens armados com uma faca teriam a abordado na Vila São José, em Brazlândia, por volta das 11h50 do dia 10 de novembro de 2020. Na denúncia de estrupro, a adolescente ainda conta que que os criminosos teriam a obrigado a deixar a filha jogada no chão. Após isso, os criminosos tiraram o short e a calcinha dela para tentarem estuprá-la.
De acordo com a jovem, por ter negado fazer sexo oral em um deles, o segundo homem teria feito um corte superficial na perna dela. Mas conforme a suposta vítima, não houve “penetração completa ou coito”, já que os criminosos ouviram pessoas chegando no local e fugiram. Como prova, a moça entregou uma calcinha ensanguentada à polícia.
Marco Antônio Cardoso do Nascimento, foi apontado como um dos criminosos e no dia 13 de novembro teve prisão decretada pela Justiça. A prisão aconteceu após o reconhecimento da susposta vítima e da denúncia de ameaças e intimidações.
Mas, no dia 9 de dezembro ele foi solto, depois que o delegado Mozeli da Silva, da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia) pediu a revogação da prisão temporária. Segundo Mozeli havia “elevada probabilidade de a vítima ter fraudado a investigação”.
Na época que denúnciou o estupro, a jovem tinha 17 anos, mas conpletou 18 anos neste mês. Devido o processo estar em segredo de Justiça já que a jovem era menor de idade quando ocorreu o suposto crime, o nome dela será preservado.
A suspeita de fraude na denúncia de estupro
Na denúncia de estupro a adolescente relatou ameaças sofridas por Marco Antônio através de um perfil falso no instagram, quando ele estava preso e o seu celular, apreendido. Com isso, a polícia pediu a quebra de sigilo telemático de todos os perfis da rede social que encaminharam mensagens ameaçadoras.
Para a investigação, a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos, da PCDF, recebeu informações do Facebook, dono do Instagram, que o telefone da jovem recebeu o código de confirmação e efetuou o registro da conta, em 13 de novembro, constatação essa que está no documento da revogação em que o delegado Mozeli da Silva pediu a revogação da prisão de Marco Antônio.
Questionada sobre isso, a suposta vítima negou ter criado o perfil falso e sugeriu que alguém teria, “de algum modo”, obtido o código de confirmação e informado ao Instagram, possibilitando a criação no seu ramal telefônico.
Outro fator que indica a fraude para a polícia, foi a ánalise de duas câmeras escondidas que mostram exatamente a localização onde a vítima disse ter sido estuprada, em que de acordo com a investigação, nenhum delito foi encontrado.
“E a bem da verdade, [um agente que conferiu as imagens] verificou que no local, naquele horário apontado como possível ocorrência do crime, havia uma intensa movimentação de crianças brincando”, relatou o delegado Mozeli da Silva. “As imagens obtidas por estas câmeras filmaram todo o trajeto apontado pela vítima e nada foi flagrado”, concluiu.
Na soltura do jovem promotor de Justiça Diógenes Antero Lourenço destacou, em documento expedido após o pedido da 18ª DP que “o trâmite das investigações indica que os elementos colacionados são dissonantes da narrativa produzida pela suposta vítima”.
Processo por calúnia
Marco Antônio disse que nunca viu a suposta vítima do estupro e afirmou que estava em casa capinando lote com o primo Paulo Ricardo Costa de Souza, 18 anos, no dia e horário em que a adolescente afirmou ter sido estuprada. Essa versão foi confirmada à polícia por três testemunhas que relataram, em depoimento, terem visto o rapaz no imóvel onde mora.
Após ter sido solto, a defesa do rapaz disse que pretende processar a moça por denunciação caluniosa e pedir indenização. A Advogada dele, Patrícia Zapponi informou que vai entrar com as ações pertinentes assim que o caso for arquivado.
O delegado-chefe da 18ª DP informou que as investigações estão em andamento e somente se manifestará no momento oportuno.