Facção conhecida como “Yahoo Boys” rouba R$ 250 milhões de duas mil vítimas no Brasil
Redação DM
Publicado em 22 de dezembro de 2020 às 12:30 | Atualizado há 2 anos

Segundo as investigações, dois nigerianos que também foram detidos, seriam as principais lideranças da célula brasileira dos Yahoo Boys. Os suspeitos, identificados como Uchenna Ikechukwu Madu e Donald Ahize agem nos bastidores do esquema e, eles que são chamados de boss” (chefe, em inglês) não costumam se expôr, sendo os orientadores dos “fake lovers” (falsos amantes, em inglês) de forma direta.
Os integrantes da facção exibiam uma vida de luxo e ostentação nas redes sociais, com festas privadas em casas noturnas, bebidas caras, relógios, carros e mansões. Os suspeitos foram autuados pelos crimes de estelionato, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Nas investigações a polícia ainda descobriu que quase todos os membros das células superiores da organização possuem relação com a Galeria Presidente, conhecida como “Galeria do Reggae”, no centro velho de São Paulo. Além disso, alguns dos integrantes mantêm empresas (comércio de roupas ou salões de beleza) no centro comercial, enquanto outros são ou foram funcionários da galeria.
Como funciona o esquema dos ‘Yahoo Boys’?
De acordo com a polícia, o objetivo do grupi é agir para ganhar dinheiro sem o emprego de violência, para isso os bandidos se especializaram em crimes cibernéticos.
Em referência a uma lei nigeriana, os membros desse grupo também são conhecidos por “Nigerian 419″. Segundo o artigo 419, “qualquer pessoa que, por qualquer pretensão falsa e com a intenção de fraudar, obtenha de qualquer outra pessoa qualquer coisa capaz de ser roubada ou induza qualquer outra pessoa a entregar a qualquer pessoa qualquer coisa que possa ser roubada, é culpada de um crime e é responsável para prisão por três anos”.
O delegado Pablo Rodrigo França, informou que a facção criou tentáculos em praticamente todos os continentes. Na América do Sul, os Yahoo Boys tem como ponto o Brasil, em razão da extensão territorial e do tamanho da população. Para agir no país eles mantem o protocolo já colocado em prática anteriormente nos golpes praticados em outros países.
Conforme as investigações, os principais alvos são pessoas acima dos 40 anos e que desfrutam de boas condições socioeconômicas. Os suspeitos aplicam o golpe atavés de contas falsas em sites de relacionamento e redes sociais, onde assediam aqueles que, dentro deste perfil, demonstre fragilidade e boa fé acima da média. Para isso, os golpistas chegam a se passar por profissionais liberais ou militares que moram no exterior.
“Pessoas de relativa idade que procurem amigos ou alguém para bater papo. [Os golpistas] se aproximam e seduzem a vítima, que escancaram as relações de suas vidas. entregam fotos, vídeos e informações. Por amor, emprestam dinheiro”, contou o delegado Pablo Rodrigo França.
Ameaças da facção contra as vítimas
Para enganar as vítimas, os integrantes da facção usavam diversas justificativas, até conseguir que a transferência de altas somas em dinheiro fossem feitas para as contas de integrantes da quadrilha. Com os bens ou recursos exauridos, as vítimas passsam a ser chantageadas pelos criminosos. “Quando para de pagar, [os golpistas] ameaçam entregar nudes, fotos comprometedoras, conversas mais íntimas. Escancarar tudo nas redes sociais, ameaçar familiares”, complementou o delegado Pablo Rodrigo França.
Devido essas ameaças, a polícia estima que 85% das vítimas não procuraram as delegacias para denunciar o golpe. Até o momento 437 pessoas registraram boletins de ocorrência, sendo 292 somente no estado de São Paulo. Ao todo a soma do prejuízo financeiro calculado é de R$ 24 milhões.
“Muitas vítimas têm vergonha [de procurar a polícia]. O que a gente percebeu é que, muito mais que o dano patrimonial, [foi] a devolução da dignidade com as prisões. A percepção de ter caído em um golpe e prejudicado o patrimônio dos familiares causou sofrimento para essas vítimas. Há relatos de internações psiquiátricas ou até tentativas de suicídio”, comentou o chefe da investigação.
A Polícia Civil de São Paulo estima que nos últimos três anos, aproximadamente dois mil brasileiros foram vítimas de uma facção de golpistas, conhecida internacionalmente como Yahoo Boys. O grupo, criado na Nigéria, teria causado um prejuízo avaliado em R$ 250 milhões.
No mês passado, pelo menos 122 suspeitos já haviam sido presos após uma operação deflagrada pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Presidente Prudente, no interior paulista. Uma denúncia oferecida pelo Ministério Público ainda culminou na prisão decretada pela justiça de 181 pessoas.
O esquema da quadrilha foi descoberto durante uma prisão vinculada à Operação Voo de Ícaro, deflagrada em maio de 2019 pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior 8 (Deinter 8), na região de Presidente Prudente (SP). A ação tinha o objetivo prender uma facção responsável por introduzir celulares e drogas nos presídios da região.
Ao realizar uma busca na casa da suspeita Hebe Galdino Seabra, em Guarulhos, na Grande São Paulo, os policiais acabaram encontrando diversos extratos bancários em nome de terceiros, entorpecentes e celulares. Segundo o delegado responsável pela operação, Pablo Rodrigo França, os investigadores desconfiaram da falta de ligação entre os itens achados e o outro esquema criminoso.
“Analisando o material coletado na operação, nos celulares havia indicações de contas bancárias e fotografias de extratos. Percebendo que não havia convergência com a ‘Voo de Ícaro’, abri uma nova investigação com monitoramento daquelas contas referidas nos depósitos. [Descobrimos] teia de vários correntistas”, disse o delegado.
A polícia identificou que dentre os detidos há indivíduos de 19 nacionalidades diferentes e praticamente todos os continentes, e que pelo menos 120 são brasileiros. Também foram presos 35 nigerianos, oito sul-africanos, oito haitianos, sete angolanos, cinco tailandeses, quatro bissau-guineenses, quatro venezuelanos, três camaroneses, dois tanzanianos, mais cidadãos da Costa do Marfim, Croácia, França, Guiné, Malásia, Namíbia, Senegal, Togo e Zâmbia.

Segundo as investigações, dois nigerianos que também foram detidos, seriam as principais lideranças da célula brasileira dos Yahoo Boys. Os suspeitos, identificados como Uchenna Ikechukwu Madu e Donald Ahize agem nos bastidores do esquema e, eles que são chamados de boss” (chefe, em inglês) não costumam se expôr, sendo os orientadores dos “fake lovers” (falsos amantes, em inglês) de forma direta.
Os integrantes da facção exibiam uma vida de luxo e ostentação nas redes sociais, com festas privadas em casas noturnas, bebidas caras, relógios, carros e mansões. Os suspeitos foram autuados pelos crimes de estelionato, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Nas investigações a polícia ainda descobriu que quase todos os membros das células superiores da organização possuem relação com a Galeria Presidente, conhecida como “Galeria do Reggae”, no centro velho de São Paulo. Além disso, alguns dos integrantes mantêm empresas (comércio de roupas ou salões de beleza) no centro comercial, enquanto outros são ou foram funcionários da galeria.
Como funciona o esquema dos ‘Yahoo Boys’?
De acordo com a polícia, o objetivo do grupi é agir para ganhar dinheiro sem o emprego de violência, para isso os bandidos se especializaram em crimes cibernéticos.
Em referência a uma lei nigeriana, os membros desse grupo também são conhecidos por “Nigerian 419″. Segundo o artigo 419, “qualquer pessoa que, por qualquer pretensão falsa e com a intenção de fraudar, obtenha de qualquer outra pessoa qualquer coisa capaz de ser roubada ou induza qualquer outra pessoa a entregar a qualquer pessoa qualquer coisa que possa ser roubada, é culpada de um crime e é responsável para prisão por três anos”.
O delegado Pablo Rodrigo França, informou que a facção criou tentáculos em praticamente todos os continentes. Na América do Sul, os Yahoo Boys tem como ponto o Brasil, em razão da extensão territorial e do tamanho da população. Para agir no país eles mantem o protocolo já colocado em prática anteriormente nos golpes praticados em outros países.
Conforme as investigações, os principais alvos são pessoas acima dos 40 anos e que desfrutam de boas condições socioeconômicas. Os suspeitos aplicam o golpe atavés de contas falsas em sites de relacionamento e redes sociais, onde assediam aqueles que, dentro deste perfil, demonstre fragilidade e boa fé acima da média. Para isso, os golpistas chegam a se passar por profissionais liberais ou militares que moram no exterior.
“Pessoas de relativa idade que procurem amigos ou alguém para bater papo. [Os golpistas] se aproximam e seduzem a vítima, que escancaram as relações de suas vidas. entregam fotos, vídeos e informações. Por amor, emprestam dinheiro”, contou o delegado Pablo Rodrigo França.
Ameaças da facção contra as vítimas
Para enganar as vítimas, os integrantes da facção usavam diversas justificativas, até conseguir que a transferência de altas somas em dinheiro fossem feitas para as contas de integrantes da quadrilha. Com os bens ou recursos exauridos, as vítimas passsam a ser chantageadas pelos criminosos. “Quando para de pagar, [os golpistas] ameaçam entregar nudes, fotos comprometedoras, conversas mais íntimas. Escancarar tudo nas redes sociais, ameaçar familiares”, complementou o delegado Pablo Rodrigo França.
Devido essas ameaças, a polícia estima que 85% das vítimas não procuraram as delegacias para denunciar o golpe. Até o momento 437 pessoas registraram boletins de ocorrência, sendo 292 somente no estado de São Paulo. Ao todo a soma do prejuízo financeiro calculado é de R$ 24 milhões.
“Muitas vítimas têm vergonha [de procurar a polícia]. O que a gente percebeu é que, muito mais que o dano patrimonial, [foi] a devolução da dignidade com as prisões. A percepção de ter caído em um golpe e prejudicado o patrimônio dos familiares causou sofrimento para essas vítimas. Há relatos de internações psiquiátricas ou até tentativas de suicídio”, comentou o chefe da investigação.