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Contaminada por Covid-19 médica foi salva por metodologia que ela mesma criou

Redação DM

Publicado em 13 de julho de 2020 às 17:23 | Atualizado há 6 anos

O reconhecido patologista da Universidade de São Paulo ( USP), Paulo Saldiva, falava ao vivo na TV, sobre a epidemia do covid-19, em meados de abril, quando não se conteve e começou a chorar em frente às câmeras.

“Naquela época, tinha gente negando a existência ou minimizando o impacto da doença, então eu fui dizer para as pessoas se cuidarem, porque nós da saúde estávamos pagando um preço alto. Aí lembrei- me da Carmem e de outras pessoas queridas e me descontrolei um pouco”, ressaltou Saldiva, médico e professor com 40 anos de experiência, segundo a BBC News Brasil.

Para vários na comunidade de médicos, atuando na linha de frente da batalha contra o novo coronavírus no país, o choro de Saldiva talvez dispensasse explicação.

A repercussão da internação da pneumologista Carmem Valente Barbas circulava dentro e fora do Brasil, abalando a capacidade dos guerreiros médicos contra um inimigo pouco conhecido.

Pois a médica dos hospitais das Clínicas e Albert Einstein, pesquisadora e professora, com 60 anos de idade e mais de 35 de carreira é uma sumidade internacional em ventilação mecânica, usada no tratamento de casos graves do covid-19.

Reconhecimento internacional

Filha do também pneumologista e ex- professor da Faculdade de Medicina da USP, João Barbas Valente, Carmen seguiu os passos do pai. Ela se formou na USP e ali iniciou , em 1995, seu doutoramento em ventilação mecânica.

Em 1998, um estudo clínico liderado por ela e pelo colega Marcelo Amato, foi publicado na New England Journal, revista científica americana de grande impacto.

Anteriormente, as chances de um paciente com doença pulmonar aguda morrer ao receber ventilação mecânica eram altas.

Em sua pesquisa, Carmem e seu grupo levantaram a hipótese de que a própria ventilação pudesse estar danificando o pulmão dos pacientes. “Estávamos estudando a ventilação mecânica em pacientes com Síndrome do Desconforto Agudo, a SDRA. Na época, a mortalidade dessa síndrome era 70%, então, todo mundo que trabalhava em terapia intensiva ficava desanimado, porque você ventilava o paciente e 70% deles morriam”, afirmou Carmem Barbas.

Naquela época, pacientes com a síndrome eram ventilados com o mesmo volume corrente, o volume de ar que entra e saí do pulmão, durante a ventilação mecânica, usada em cirurgias.

“Numa cirurgia, quando você faz uma anestesia geral, você entuba e ventila o paciente. Só que o pulmão lesado pela SDRA tem uma complacência mais baixa, ele é mais duro. Quando você colocava volume corrente alto, isso gerava pressões muito altas no sistema respiratório e acabava lesando mais o pulmão”.

Entretanto, Carmem e seu grupo passaram a ventilar esses pacientes com um volume corrente mais baixo, entre outros ajustes.

Ao final do estudo clínico, o número de mortes entre pacientes tratados com a nova técnica caiu para 40%. Em 2000, um grande estudo americano confirmou, também na New England Journal, que a abordagem do grupo da USP era muito melhor.

Desde então, o índice de mortes de pacientes com SDRA caiu ainda mais, para 30%. E a equipe liderada por Carmem e Amato ganhou voz internacional, ajudando a transformar a ventilação mecânica no mundo.

*Com informações do IG

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