Os caminhos do coração: quando viram labirintos e quando se preocupar
Redação DM
Publicado em 5 de abril de 2022 às 18:23 | Atualizado há 5 anos
Ele trabalha sem parar, mantém o corpo vivo e bombeia sangue o tempo todo, o protagonista do corpo humano possui duas maneiras de se ver, uma pela ótica dos desenhos animados e outra pela anatomia, o coração assume uma grande responsabilidade para que o organismo não pare, afinal, ele está quase que no centro da atenções, sentimentos e do corpo em que ele se encontra. É ainda nele que são encontradas as válvulas que impedem o refluxo sanguíneo. Mas e quando estas válvulas param de funcionar, o que pode acontecer?
O médico cardiologista do Hospital Albert Einstein em Goiânia, Tannas Jatene, concedeu entrevista ao Diário da Manhã esclarecendo dúvidas e explicando sobre as questões estruturais deste órgão tão importante.
Tannas explica que existem quatro válvulas no coração e alerta para seus potenciais problemas.
“Nós temos a válvula tricúspede, a válvula pulmonar, a válvula mitral e aórtica, cada uma dessas válvulas pode ter dois problemas: ou ela está entupida, que não consegue abrir, impedindo a passagem do sangue, ou ela está insuficiente, ou seja, ela não fecha adequadamente e o sangue volta para onde não deveria voltar”, explica.
As doenças das válvulas, segundo o médico, não tem correlação com hábitos de vida saudáveis, alimentação, atividade física.
“As principais causas de problema valvar são as doenças congênitas, ou seja, a pessoa nasce com um problema na válvula, que a torna ou entupida (estenótica) ou insuficiente. Nós temos também as causas reumáticas, que fazem com que a válvula adoeça em crianças com amigdalite ou doenças reumatológicas”, afirma.
“Quando o acometimento são das válvulas do lado esquerdo, o paciente se torna mais sintomático, sentindo-se cansado, com falta de ar, inchaço, acúmulo de líquido nos pulmões, entre outros”, alerta o médico sobre os principais sintomas em pacientes com problemas valvares.
O médico fala também sobre a estenose da válvula aórtica na população idosa devido a degeneração da válvula. Em geral, até 4% da população com mais de 65 anos pode ter estenose, e faz um alerta: “É uma doença com evolução bem desfavorável, a partir do momento em que o paciente tem falta de ar, ele vai sobreviver em média por dois anos”.
Contudo, a tecnologia aliada à medicina fez com que o tratamento para esse tipo de doença pudesse ter um tratamento que melhorasse a qualidade de vida do paciente, prolongando seu tempo de vida.
“Atualmente, com a TAVI (implante valvar transcateter em português), podemos substituir essa válvula por catéter. Não sendo necessário abrir o peito do paciente, fazemos uma punção na artéria da perna, por dentro dela posicionamos a válvula e quando chegamos no local da válvula doente, ela é substituída pela válvula nova”, conta.
A TAVI, presente nos hospitais há dez anos, é recomendada para pacientes idosos. Tannas explica que com este procedimento há uma redução no complicamento de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e na mortalidade.
O médico afirma pacientes jovens também podem sofrer de estenose aórtica.
“A partir do momento em que esses pacientes se tornaram sintomáticos, podem evoluir com insuficiência cardíaca e morte súbita, mesmo em idade jovem. A prevenção é feita pelo diagnóstico e no próprio exame físico pode ser observado um sopro no coração, e é isso que vai levar o médico a fazer eletrocardiograma, raio-x e um ecocardiograma, que é o padrão ouro que diagnostica essas doenças valvares” afirma.
Como em pacientes jovens não se faz o procedimento com TAVI, é realizado portanto o procedimento cirúrgico, que pode prevenir a morte súbita em um paciente novo.
Ao mesmo tempo em que é forte, o coração, assim como qualquer outro órgão, precisa de atenção e de exames de rotina, afinal, o corpo pode desarmonizar a qualquer momento, por isso é necessário ficar atento a qualquer sinal de alerta.
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