Política

Vitória de Lula e fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA influenciaram derrota de Trump?

Léo Carvalho

Publicado em 4 de novembro de 2026 às 13:50 | Atualizado há 42 minutos

Vitória de Lula coloca proteção dos irmãos Bolsonaro nos EUA sob pressão | Foto: Reprodução/Montagem
Vitória de Lula coloca proteção dos irmãos Bolsonaro nos EUA sob pressão | Foto: Reprodução/Montagem

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial brasileira e os acontecimentos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos passaram a integrar um dos pontos de tensão entre democratas e o governo de Donald Trump. Com a conquista da maioria na Câmara e no Senado nas eleições legislativas realizadas na terça-feira (3), o Partido Democrata ganha condições de ampliar a fiscalização sobre decisões da administração republicana relacionadas ao Brasil.

O resultado das eleições americanas representa uma derrota expressiva para Trump. Os democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso, em uma votação marcada pelo descontentamento de eleitores com o custo de vida, a inflação, a guerra no Irã e a condução do governo republicano. A mudança na composição do Legislativo também abre espaço para investigações sobre decisões da Casa Branca e do Departamento de Estado.

Entre os assuntos que já estavam na agenda de parlamentares democratas está a possível participação de autoridades americanas na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após sua derrota para Lula no segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro.

Em 30 de outubro, um grupo de 25 deputados democratas encaminhou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, solicitando esclarecimentos sobre a concessão de vistos ao senador brasileiro e a seus familiares. Os parlamentares também questionaram se integrantes do governo americano teriam oferecido apoio logístico para a viagem e a entrada de Flávio nos Estados Unidos.

A iniciativa foi liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus e contou com a participação de Pramila Jayapal, integrante dos comitês Judiciário e de Relações Exteriores da Câmara americana.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Jayapal afirmou que os democratas pretendiam investigar a atuação do governo Trump e da empresa Meta em relação às eleições brasileiras caso conquistassem a maioria no Congresso.

A deputada também questionou a postura do governo americano diante do resultado eleitoral brasileiro e a concessão de apoio ao senador derrotado. A carta enviada a Rubio estabeleceu prazo até 13 de novembro para que o secretário apresentasse esclarecimentos.

A aproximação política entre a família Bolsonaro e o presidente americano é um dos elementos que colocaram o Brasil no debate entre democratas e republicanos. Durante o processo eleitoral brasileiro, Trump manifestou apoio ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e questionou a condução da disputa.

Após a vitória de Lula, o presidente americano declarou que aprovava a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. O senador deixou o Brasil depois do segundo turno, em meio a questionamentos sobre o cumprimento de uma determinação judicial relacionada à entrega de passaportes e às restrições de viagem.

A concessão de vistos ao parlamentar e a seus familiares foi confirmada por uma autoridade do Departamento de Estado, segundo informações divulgadas pela imprensa americana. O episódio motivou os questionamentos dos deputados democratas sobre os procedimentos adotados pelo governo Trump.

A cobrança por explicações ganhou relevância com a mudança de forças no Congresso. A partir de janeiro de 2027, quando os novos parlamentares assumirem seus mandatos, os democratas terão instrumentos para convocar autoridades, solicitar documentos e abrir investigações legislativas sobre a atuação do Executivo.

A vitória democrata nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, foi impulsionada principalmente por questões internas dos Estados Unidos. A insatisfação com os preços, a economia, a guerra no Irã e a avaliação do governo Trump apareceram entre os principais fatores da votação.

Segundo a Associated Press, os democratas conquistaram cadeiras em estados tradicionalmente republicanos e assumiram o controle das duas Casas legislativas. A agência também destacou o descontentamento dos eleitores com a inflação, o custo de vida e preocupações relacionadas à corrupção no governo.

Com a nova configuração, Trump terá de governar com oposição majoritária no Congresso. Os democratas poderão dificultar a aprovação de propostas, fiscalizar a administração e cobrar explicações sobre decisões tomadas pelo presidente e por seus auxiliares.

A repercussão do resultado brasileiro no cenário político americano, portanto, ganha um novo capítulo. Embora não existam elementos que comprovem que a vitória de Lula tenha influenciado diretamente o voto dos americanos, o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro já havia se transformado em objeto de questionamento por parte de parlamentares democratas antes das eleições legislativas.


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