Justiça livra motorista de Mercedes de júri popular após morte de vigilante em Goiânia
Redação Online
Publicado em 7 de novembro de 2025 às 19:59 | Atualizado há 7 meses
Antônio é sócio de uma empresa de bombas de combustível, ao lado do pai
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) decidiu que o empresário Antônio Scelzi Netto, de 25 anos, não enfrentará júri popular pela morte do vigilante Clenilton Lemes Correia, de 38 anos, em junho de 2024. O desembargador Alexandre Bizzotto, da 1ª Câmara Criminal, acatou o pedido da defesa e reclassificou o caso como homicídio culposo, ao afastar a tese de dolo eventual, quando o autor assume o risco de matar.
Na decisão, o magistrado afirmou que, embora o motorista tenha dirigido alcoolizado e de forma imprudente, não há provas de que ele tenha assumido o risco de provocar a morte. Para Bizzotto, faltam elementos técnicos sobre a velocidade do veículo e as condições de visibilidade da motocicleta. Com isso, o empresário deve responder por homicídio culposo na direção de veículo automotor, crime cuja pena máxima é de quatro anos de prisão.
O atropelamento ocorreu na GO-020, em Goiânia. A vítima seguia para o trabalho em uma motocicleta quando foi atingida pela Mercedes-Benz C180FF conduzida por Antônio. O empresário havia ingerido bebidas alcoólicas e passou por seis estabelecimentos antes da colisão. O impacto foi tão forte que o vigilante foi arrastado por cerca de 100 metros. O motorista fugiu do local, mas foi identificado pela placa deixada no cenário do acidente.
Antônio é sócio de uma empresa de bombas de combustível, ao lado do pai. Após o acidente, ele afirmou em depoimento que não viu a moto da vítima e que só percebeu o ocorrido depois do choque. Disse ainda que fugiu “em estado de choque” e se escondeu em um galpão da família. Exames comprovaram a presença de álcool no sangue, embora ele tenha se recusado a realizar o teste do bafômetro.
Em julho, a Justiça decretou a prisão de Antônio. Ele foi capturado em uma operação conjunta da Agência de Inteligência da PM e da Força Tática do 31º Batalhão, e foi levado à Penitenciária Coronel Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia. O empresário permaneceu detido até 9 de agosto, quando foi novamente colocado em liberdade por decisão judicial.
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