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Orum Aiyê ocupa Museu Antropológico da UFG com exposições gratuitas

Redação Online

Publicado em 13 de novembro de 2025 às 20:42 | Atualizado há 7 meses

Artista visual Raquel Rocha expõe telas originadas em pesquisa sobre religiões afro-brasileiras - Foto: Lucas Almeida
Artista visual Raquel Rocha expõe telas originadas em pesquisa sobre religiões afro-brasileiras - Foto: Lucas Almeida

Marcus Vinícius Beck

O Orum Aiyê Quilombo Cultural ocupa neste fim de semana o Museu Antropológico da UFG, na Praça Universitária, com duas exposições que salientam o protagonismo negro. As mostras celebram a ancestralidade e as múltiplas facetas da arte produzida em Goiás.

“Iyá Agba – As Matriarcas” e “Entre Olhares, Raízes e Memórias” abrem amanhã, a partir das 19h. Ambas trazem cores e formas políticas. Verá a história diante de você: o Brasil e sua cultura se revelam, se descortinam, se desvendam — como numa aula de antropologia.

Na individual, a artista visual Raquel Rocha expõe telas criadas neste ano. “Iyá Agba” documenta as mães de santo brasileiras, líderes religiosas cujas tentativas de extermínio de que são vítimas se perpetuam no tecido social. Trata-se, isso sim, de uma pesquisa histórica.

Técnica

Rocha emprega a técnica de acrílica sobre peneiras bordadas com 16 búzios que refletem o jogo do merindilogun. Para fazê-los, a artista é acompanhada por uma quartinha (anfora pequena de barro) suspensa, preenchida com água (omí). É a vida do ancestral cultuado.

Sobre a narrativa visual, a pintora diz: “Estudei as manifestações religiosas afro-brasileiras.” Sua série, com base nisso, traz como poética a manutenção da vida das mulheres — as mães de santo. Nessa investigação, constatou racismo religioso, intolerância e opressão.

“Por meio do culto e da memória, seus legados nos armam diante do racismo e elas se erguem como um exército de ancestrais intrépidos e prontos para nos fortalecer na luta contra o racismo”, declara Rocha, que montou a individual no Rio, em setembro.

Artista visual pela UFG e candomblecista, Rocha aniquila preconceitos ao alimentar-se do axé matriarcal. Daí, então, forma uma série de pinturas cuja missão é estrangular o racismo e fulminar pensamentos ignóbeis — violências que sustentam o mito da democracia racial.

Mulher negra

Rocha se volta à importância da mulher negra na história da sociedade brasileira. A artista atua na afro-religiosidade vinculada à arte contemporânea. Estuda cultura visual e, por isso, pensa mecanismos de representatividade no cotidiano da mulher negra brasileira.

Para a artista visual, fundadora do Orum Aiyê e cofundadora do bloco Tambores do Orum, as rachaduras de território, pertencimento e memória produzem “um novo curso d’água em que buscam cicatrizar as feridas geradas pela violência contra o povo preto”.

“As fendas canalizam águas cicatrizantes que formam bacias, rios, lagos de resistência e luta, constituindo um grande território que fortalece a nossa cultura afro-brasileira”, afirma Rocha sobre sua inspiração para a exposição individual “Iyá Agba – As Matriarcas”.

Além de “Iyá Agba”, o Museu Antropológico da UFG recebe a ancestralidade em obras construídas por artistas negros goianos, como Rafaela Rocha, Lucas Almeida e Raquel Rocha. As mostras integram o Festival de Artes Negras, do Orum Aiyê Quilombo Cultural.

Serviço

Iyá Agba – As Matriarcas

Quando: sábado, 15, às 19h

Onde: Museu Antropológico da UFG

Endereço: Av. Universitária, 1166, Leste Universitário

Entrada gratuita


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