Política

Ex-diretor da PRF, Silvinei Vasques preso no Paraguai tem tornozeleira encontrada

Léo Carvalho

Publicado em 29 de dezembro de 2025 às 13:28 | Atualizado há 6 meses

O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi preso no Paraguai, na última sexta-feira (26), ao tentar embarcar para El Salvador utilizando um passaporte falso em nome de Julio Eduardo Baez. A prisão ocorreu após autoridades paraguaias suspeitarem da documentação apresentada e confirmarem a verdadeira identidade do brasileiro por meio de impressões digitais e de uma pinta no pescoço.

Passaporte falso utilizado por Silvinei Vasques estava em nome de Julio Eduardo | Foto: Divulgação

Segundo as autoridades locais, Vasques também apresentou um atestado médico falso alegando tratamento contra câncer, na tentativa de justificar sua situação migratória. Diante da constatação de crime migratório e do uso de documento falso, ele foi expulso sumariamente do Paraguai e entregue à Polícia Federal (PF) brasileira na fronteira, em Foz do Iguaçu. Em seguida, foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Silvinei Vasques havia sido condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a 24 anos e seis meses de prisão por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A condenação está inserida no conjunto de ações penais que apuram a tentativa de ruptura institucional relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Vasques também teve atuação relevante nas eleições de 2022, quando, à frente da PRF, teria ordenado operações de fiscalização em rodovias com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores em regiões onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva tinha maior vantagem eleitoral.

Tornozeleira de Vasques é localizada em rodoviária no Paraguai

Antes da fuga, o ex-diretor da PRF respondia ao processo em liberdade, sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. O dispositivo foi rompido quando ele deixou Santa Catarina rumo ao Paraguai. A tornozeleira utilizada por Silvinei Vasques foi localizada nesta segunda-feira, 29, no Terminal de Ônibus de Ciudad del Este, no Paraguai, município situado na fronteira com o Brasil. O equipamento foi encontrado a partir de uma ação integrada entre autoridades paraguaias e brasileiras.

Após a confirmação da fuga de Vasques, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva, convertendo as medidas alternativas em detenção, com o argumento de garantir a aplicação da lei penal e evitar novas tentativas de evasão.

Vasques já havia sido preso em 2023 e posteriormente solto com restrições enquanto aguardava o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A tentativa de deixar o país ocorreu antes do esgotamento de todos os recursos possíveis na Suprema Corte. No caso do Paraguai, não houve extradição formal, mas sim expulsão administrativa imediata, procedimento previsto na legislação local para estrangeiros flagrados com documentos falsos.

Documento de identidade falso usado pelo ex-diretor-geral da PRF ao tentar embarcar para o Panamá, de onde seguiria para El Salvador | Foto: Divulgação
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