Lula busca substituto para Lewandowski e avalia dividir Ministério da Justiça
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 15:01 | Atualizado há 5 meses
Reunião no Palácio do Planalto marcou a discussão sobre o futuro do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública | Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula a escolha de um novo nome para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) após o ministro Ricardo Lewandowski manifestar intenção de deixar o governo.
A sinalização ocorreu durante uma reunião entre os dois no Palácio do Planalto, em 23 de dezembro. No encontro, Lewandowski afirmou que considera concluída sua missão à frente da pasta e que o ciclo no governo federal chegou ao fim.
Diante disso, Lula pediu que o ministro permaneça no cargo até a definição de um substituto. O presidente ainda avalia nomes para a função.
Embora o titular da Justiça não pretenda disputar cargo eletivo, a ideia é aproveitar o período de mudanças previsto na Esplanada dos Ministérios. O prazo vai até abril e coincide com a data-limite de desincompatibilização eleitoral. Auxiliares do Planalto esperam novas saídas e ajustes na equipe ministerial.
Possível divisão da pasta
Auxiliares de Lula avaliam que a eventual saída de Lewandowski pode fortalecer o plano de desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A proposta prevê a criação de um ministério exclusivo para a Justiça e outro voltado à Segurança Pública. O presidente já anunciou essa intenção, mas ainda não definiu quando a mudança ocorrerá.
Durante a gestão do atual ministro, o governo tenta avançar no Congresso Nacional com duas propostas estratégicas. Uma delas é a PEC que cria o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). A outra é o projeto de lei conhecido como PL Antifacção, que integra a agenda de segurança pública e o discurso de uma possível candidatura à reeleição.
Integrantes da área jurídica do governo defendem cautela na escolha do novo ministro. Segundo esses auxiliares, o sucessor precisará manter diálogo próximo com o Supremo Tribunal Federal (STF). Essa interlocução é vista como um dos principais trunfos de Lewandowski, que atuou por 14 anos como ministro da Corte antes de assumir a pasta.