Economia

Surpresa no aumento do PIB faz dólar subir e Bolsa cair

DM Redação

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 15:31 | Atualizado há 5 meses

Dólar sobe e bolsa cai com surpresa do PIB
Dólar sobe e bolsa cai com surpresa do PIB

(FOLHAPRESS) – O dólar está em alta nesta sexta-feira (16), com investidores avaliando os dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) referentes a novembro, divulgados nesta manhã.
Também estão no radar do mercado a agenda do presidente Lula (PT), que se reúne com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, e os desdobramentos do caso Master.
Às 14h07, a moeda subia 0,13%, cotada a R$ 5,374. Já a Bolsa recuava 0,59%, a 164.583 pontos.
Segundo dados divulgados pelo BC, o IBC-Br teve alta de 0,7% em novembro, acima do esperado. A expectativa de economistas consultados pela Reuters era de avanço de 0,3%. O indicador é considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto).
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 1,2%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 2,4%, de acordo com números não dessazonalizados.
O resultado, na visão de André Valério, economista sênior do Inter, “praticamente elimina a possibilidade de um corte da Selic em janeiro” por sinalizar “robustez da atividade econômica”.
A leitura leva em conta, também, os dados de inflação medidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados na semana passada.
O índice mostrou que a inflação ficou abaixo do teto da meta do BC ao fechar o acumulado do ano em 4,26%. No entanto, economistas ainda viram um cenário de pressão aos preços ao consumidor, o que afastou a possibilidade de corte da taxa básica de juros do país na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) deste mês.
“Ainda assim, acreditamos que as condições para o início da flexibilização da política monetária estão dadas, o que deve ocorrer a partir da reunião de março”, diz Valério. A Selic está em 15% ao ano desde junho do ano passado, maior patamar em quase duas décadas.
A Selic alta por mais tempo tira atratividade da renda variável, já que torna a renda fixa um investimento rentável e de baixo risco. No mercado de câmbio, por outro lado, o diferencial de juros joga a favor do real, já que os investidores se aproveitam das taxas baixas de outros mercados, como o norte-americano, para tomar empréstimos e, depois, aportar esse dinheiro no Brasil. Investir aqui implica na conversão de dólares em reais, o que valoriza a moeda brasileira.
Em paralelo, os investidores também monitoram a reunião entre Lula e Ursula von der Leyen nesta tarde.
O encontro acontece às vésperas da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. De acordo com a Secom (Secretária de Comunicação Social da Presidência da República), os líderes irão discutir “temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo”.
Lula será o único chefe de governo dos países membros do Mercosul que não participará da cerimônia de assinatura neste sábado (17), no Paraguai. O Itamaraty afirmou à Folha que o Brasil será representado pelo chefe da pasta, o chanceler Mauro Vieira.
Ainda, os investidores acompanham os desdobramentos do caso do Banco Master. Na quarta, o BC decretou a liquidação extrajudicial da Reag, instituição investigada por participar de suposta ciranda financeira que inflava artificialmente ativos no caso Master com o uso de fundos de investimento. Ela também é suspeita de elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A liquidação não gerou “grandes impactos na entrada de capital e na alocação”, avalia Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos.
A percepção do mercado, segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, é que a liquidação da Reag não gera risco sistêmico.
“O movimento já era, em parte, esperado pelo mercado, especialmente após a instituição ser citada em investigações recentes”, afirma. “No momento, o caso é tratado como um evento isolado, e uma reação mais negativa só ocorreria caso as investigações avançassem para instituições de maior relevância ou trouxessem algum risco de contágio financeiro, o que parece limitado.”
Já na ponta internacional, o mercado segue acompanhando os atritos entre Donald Trump e Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano).
Trump afirmou, na quarta-feira, que não tem planos de demitir Powell, apesar de uma investigação criminal contra o chefe da autoridade monetária norte-americana estar em curso. O inquérito apura se Powell mentiu ao Congresso sobre o escopo da reforma de dois prédios do Federal Reserve em Washington, em projeto estimado em US$ 2,5 bilhões. Ele nega ter cometido qualquer irregularidade e disse que as ações “sem precedentes” são um pretexto para pressioná-lo.
Powell não tem atendido às demandas de Trump por taxas de juros mais baixas, e as decisões de polícia monetária do comitê do banco central estão sendo tomadas a partir da análise de dados econômicos.
O mandato de Powell à frente do banco central termina em maio. Trump disse estar inclinado a nomear o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, ou o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, para o cargo. “Os dois Kevins são muito bons”, disse Trump. “Tem outras pessoas boas. Anunciarei algo nas próximas semanas.”
Ele ainda rejeitou a opinião amplamente difundida entre analistas, investidores e autoridades econômicas em todo o mundo de que a erosão da independência do banco central poderia prejudicar o valor do dólar e provocar inflação. “Não me importo”, disse ele. “Eles devem ser leais. É isso que eu digo.”


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