Cotidiano

Dia D contra a febre amarela mobiliza Goiás neste sábado (31) e mais de 60 postos abrem em Goiânia

Léo Carvalho

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 15:37 | Atualizado há 4 meses

Médico infectologista Eder Gatti destaca que a vacina contra a febre amarela é segura e garante proteção por toda a vida com apenas uma dose | Foto: Ascom
Médico infectologista Eder Gatti destaca que a vacina contra a febre amarela é segura e garante proteção por toda a vida com apenas uma dose | Foto: Ascom

O Estado de Goiás realiza neste sábado (31) o Dia D de vacinação contra a febre amarela, em uma ação conjunta do Ministério da Saúde (MS), da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) e das prefeituras. A mobilização ocorre após a confirmação de 37 casos de febre amarela em primatas não humanos em áreas silvestres do estado, um sinal de alerta para o risco de transmissão da doença para pessoas.

“Macacos não são responsáveis pela transmissão da febre amarela e ajudam a alertar sobre a circulação do vírus da doença”, afirma o médico infectologista Eder Gatti do Ministério da Saúde | Foto: Divulgação

Em entrevista concedida na sede do jornal Diário da Manhã, o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, médico infectologista Eder Gatti, explicou que os municípios que aderiram à campanha vão abrir postos de saúde e pontos volantes de vacinação, instalados fora das unidades tradicionais. “O objetivo principal é intensificar a cobertura vacinal contra a febre amarela e proteger a população”, afirmou.

Em Goiânia, mais de 60 unidades de saúde estarão abertas ao longo do dia, além de ações itinerantes organizadas pelo município. A vacina estará disponível gratuitamente para pessoas de 9 meses a 59 anos, mesmo para quem não tiver caderneta ou não souber informar se já foi vacinado. “Se não houver registro, a recomendação é vacinar. O ideal é não perder a oportunidade”, destacou Gatti.

Alerta sanitário

A febre amarela é uma doença viral grave, que pode levar à morte e não tem tratamento específico — apenas suporte em UTI nos casos mais severos. O vírus circula naturalmente em ambientes silvestres, transmitido por mosquitos que infectam primatas, como os bugios, altamente sensíveis à doença.

Em Goiás, não há registro de casos humanos até o momento, o que, segundo o Ministério da Saúde, torna este o momento ideal para agir preventivamente. “Não tendo caso humano, é o melhor momento de fazer a prevenção, para que ninguém adoeça ou morra”, explicou o diretor do PNI.

O monitoramento da morte de macacos é fundamental para a vigilância epidemiológica. Gatti reforçou que os primatas não transmitem a doença diretamente e não devem ser atacados. “Os macacos não têm culpa. Eles são sentinelas da doença. A morte deles é um alerta para proteger as pessoas.”

Risco de urbanização

Um dos principais objetivos da campanha é impedir que a febre amarela volte a se tornar urbana — cenário que o Brasil não registra desde a década de 1940. Caso o vírus chegue às cidades, o Aedes aegypti, mesmo mosquito da dengue, pode atuar como vetor. “A vacinação evita que a doença se urbanize e vire um problema nas cidades”, afirmou Gatti.

O médico infectologista Eder Gatti, do Ministério da Saúde, destaca que a vacina contra a febre amarela é segura, gratuita e protege por toda a vida | Foto: Ascom

Cobertura desigual

Dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura vacinal contra a febre amarela em Goiás é desigual. Enquanto municípios como Aparecida de Goiânia têm índice de 91%, outros preocupam, como Abadiânia de Goiás, com 50%, e Hidrolândia, com 46%, mesmo após registro de casos em macacos. “O ideal é trabalhar com cobertura acima de 90%”, alertou o diretor Eder Gatti.

Vacina segura e eficaz

A vacina contra a febre amarela é utilizada no Brasil desde a década de 1940, é produzida por Bio-Manguinhos/Fiocruz, no Rio de Janeiro, e considerada extremamente segura. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma dose é suficiente para garantir proteção por toda a vida em pessoas acima de 5 anos.

“O Ministério da Saúde já enviou 290 mil doses ao estado de Goiás entre 2025 e 2026 para garantir a execução da estratégia”, conclui o diretor do PNI do Ministério da Saúde.


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