Bad Bunny transforma o Super Bowl em palco da cultura latina
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 14:50 | Atualizado há 5 meses
Bad Bunny leva representatividade latina ao Super Bowl e bate recorde | Foto: Kevin Sabitus/Getty Images
Neste domingo (8), o show do intervalo do Super Bowl bateu recordes de audiência com a apresentação do cantor porto-riquenho Bad Bunny. Segundo a NBC, cerca de 135 milhões de pessoas assistiram ao espetáculo somente nos Estados Unidos, superando o show do ano passado, de Kendrick Lamar, que havia alcançado 133 milhões de espectadores.
Bad Bunny, Benito Antonio Martínez Ocasio, ganhou recentemente o Grammy de Álbum do Ano com o disco “DeBÍ TiRAR MáS FOToS (DTMF)”, tornando-se o primeiro artista a conquistar o prêmio com um trabalho totalmente em espanhol. O momento foi relembrado durante a apresentação: em uma tela de televisão antiga, o cantor aparece fazendo seu discurso de aceitação do Grammy e se posicionando politicamente contra a atual situação dos Estados Unidos. Na sequência, uma criança (Lincoln) recebe a estatueta das mãos de Benito. A cena retoma a importância da representatividade latina.
Referências latinas e participações especiais
O show começou com “Tití Me Preguntó”. Enquanto cantava, Benito caminhava por um canavial em um cenário rico em referências à cultura latina, como uma mesa com senhores jogando dominó, um salão de manicure, uma barbearia, uma luta de boxe entre os pugilistas porto-riquenhos Xander Zayas e Emiliano Vargas, além de uma barraca do Villa’s Tacos e de Toñita, dona do Caribbean Social Club, que ofereceu ao cantor uma dose de rum.
Em seguida, ao som de “Yo Perreo Sola”, Bad Bunny surge no terraço da “casita” recriada para a apresentação do intervalo. No local, estavam presentes convidados especiais de grande notoriedade, entre eles Pedro Pascal (ator), Karol G (cantora), Cardi B (cantora) e Jessica Alba (atriz).
Lady Gaga também teve participação especial ao cantar o hit “Die With a Smile” em ritmo de salsa. A cantora integrou o ato do casamento, cerimônia que aconteceu de fato naquele momento. Além dela, o conterrâneo de Benito, Ricky Martin, cantou “Lo que le pasó a Hawaii”, com uma simulação da capa do álbum DTMF como plano de fundo.
Ao fim da apresentação, Bad Bunny falou pela primeira vez em inglês durante todo o show. “Deus abençoe a América”, disse, antes de citar todos os países do continente americano, com a bandeira de cada um ao seu redor.
O trecho viralizou nas redes sociais por reforçar que, embora “America” seja frequentemente usado para se referir apenas aos Estados Unidos, especialmente no lema utilizado na campanha política anti-imigração de Donald Trump (“Faça a América grande novamente”), a América engloba países do Canadá ao Chile.
Estilo, simbolismo e identidade
As referências não se limitaram às músicas e aos cenários. O look usado por Bad Bunny foi desenhado por Janthony Oliveras. O conjunto creme de três peças, da marca espanhola de fast fashion Zara, surpreendeu internautas que esperavam uma grife de luxo. A blusa usada por Benito trazia o sobrenome de sua mãe, Ocasio, nas costas, e o número 64 na parte da frente, especula-se que seja uma referência ao número de mortos pelo Furacão Maria, em 2017, em Porto Rico, ou ao ano de nascimento de sua mãe.
Nos pés, Bad Bunny usou calçados de sua parceria com a Adidas.