Governo do Rio de Janeiro solicita prazo ao STF para envio de imagens da megaoperação
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 15:08 | Atualizado há 5 meses
Registros da operação mais letal do Rio seguem em análise para garantir integridade dos dados | Foto: Tercio Teixeira
O Governo do Rio de Janeiro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação do prazo para entregar as imagens da megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro do ano passado. A solicitação prevê mais 20 dias para o envio do material. A ação terminou com 121 mortes e entrou para a história como a mais letal já registrada no estado.
Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes determinou que as gravações feitas pelos policiais fossem encaminhadas à Diretoria-Geral da Polícia Federal (PF) em até 15 dias. Esse prazo segue válido até 20 de fevereiro, caso o Supremo não acolha o pedido do governo fluminense.
Segundo o Executivo estadual, a operação produziu um volume elevado de arquivos audiovisuais. Além disso, os registros foram gerados por diferentes órgãos, o que exige um trabalho técnico detalhado. Por isso, o governo afirma que precisa de mais tempo para consolidar, organizar e verificar a integridade das informações.
O pedido também destaca a necessidade de preservar a cadeia de custódia dos arquivos. De acordo com o governo, esse cuidado é essencial para evitar questionamentos futuros sobre a autenticidade do material entregue às autoridades federais.
Operação Contenção
A Operação Contenção ocorreu em 28 de outubro de 2025 e teve como alvo os complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. A ofensiva buscava enfraquecer a estrutura do Comando Vermelho (CV), uma das principais facções criminosas do estado. No entanto, o alto número de mortos provocou forte repercussão e levantou críticas sobre a condução da ação policial.
Diante desse cenário, Alexandre de Moraes determinou o envio das imagens no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como ADPF das Favelas. A ação estabelece parâmetros para operações policiais em comunidades do Rio.
Além disso, o ministro solicitou esclarecimentos ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Ele quer informações detalhadas sobre a atuação do órgão em todas as fases da Operação Contenção, incluindo o acompanhamento e a fiscalização das ações policiais durante a ofensiva.