Lula ironiza Trump, defende multilateralismo e critica disputa por supremacia
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 13:10 | Atualizado há 4 meses
Com foco em vacinas e SUS, Lula anuncia investimentos e agenda internacional | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Nesta segunda-feira (9), durante cerimônia no Instituto Butantan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou investimentos para ampliar a estrutura da instituição, com aumento da capacidade de produção de vacinas e insumos imunobiológicos. O investimento total previsto é de R$ 1,4 bilhão.
De olho nas eleições de 2026, Lula adota como estratégia política o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a reconstrução de políticas públicas que, segundo o governo, foram desmontadas na gestão anterior.
“Vai ser difícil a gente convencer a sociedade a tomar vacina como era antigamente. Mas temos a obrigação de não desanimar. De fazer campanha, de falar na escola, de os professores falarem, os pastores falarem, os padres falarem, os políticos falarem”, disse o presidente.
Tratativas com os Estados Unidos
Em janeiro deste ano, Lula e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, conversaram por telefone. Na ocasião, combinaram uma visita do presidente brasileiro a Washington, prevista para ocorrer ainda em março. O objetivo do encontro é ampliar parcerias em temas como o congelamento de ativos de grupos criminosos, a repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.
O líder brasileiro também pretende retomar uma pauta que defende desde o primeiro mandato, iniciado em 2003: a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Durante a cerimônia, o petista discursou ainda sobre a importância do multilateralismo. Segundo Lula, esse é o verdadeiro ponto de embate nas relações internacionais, inclusive com os Estados Unidos.
“Eu não quero ter supremacia sobre o Uruguai, eu não quero ter supremacia sobre a Bolívia, mas também não quero ser menor que os Estados Unidos ou do que a China”, declarou.
O presidente também adotou um tom descontraído ao tratar do tema, citando o cangaceiro Lampião. “Se o Trump conhecesse a sanguinidade de Lampião no presidente, ele não provocaria a gente”, afirmou o petista.
Lula disse ainda que: “não adianta ficar falando na televisão ‘eu tenho o maior navio de guerra’, ‘eu tenho o maior submarino do mundo’, ‘eu tenho um navio que é cem vezes mais importante que o da Suíça’. Eu não quero briga com ele, não sou doido. Vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer?”, brinca o presidente.