Toffoli admite sociedade em resort e nega repasses de Vorcaro, diz PF
Léo Carvalho
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 10:43 | Atualizado há 5 meses
Ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro em imagens de arquivo, citados em relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal | Foto: Reprodução Redes Sociais
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, confirmou que integrou o quadro societário da empresa familiar Maridt Participações, que detinha cerca de 33% do resort Tayayá, localizado no Paraná. A participação foi vendida, em etapas, a um fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central (BC) e é alvo de investigação por suspeitas de irregularidades financeiras.
Segundo manifestação do ministro, as operações envolvendo a Maridt foram regularmente registradas e declaradas à Receita Federal. Toffoli afirmou que sua participação societária foi encerrada antes de assumir a relatoria do inquérito relacionado ao Banco Master no Supremo. Também declarou que a legislação permite a magistrados integrar sociedade empresarial, desde que não exerçam função de gestão.
Relatório da Polícia Federal (PF), com cerca de 200 páginas, foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. O documento reúne dados extraídos de aparelhos telefônicos apreendidos com Daniel Vorcaro e com seu cunhado, Fabiano Zettel. Entre os registros analisados estão mensagens e referências a tratativas sobre pagamentos vinculados ao resort e à empresa Maridt.
De acordo com o relatório, há menções a combinações de repasses financeiros destinados à empresa ligada à família de Toffoli. A Polícia Federal também identificou registros de ligações telefônicas entre o ministro e o banqueiro, além de conversas entre Vorcaro e Zettel tratando de transferências relacionadas ao empreendimento.
Com base nesses elementos, a PF sugeriu ao Supremo que seja analisada a eventual suspeição de Toffoli para conduzir o inquérito do Banco Master. A decisão sobre a permanência do ministro na relatoria cabe ao presidente da Corte.
Em nota, Toffoli negou ter recebido qualquer valor diretamente de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel. Também afirmou que não mantém relação de amizade com o banqueiro e contestou a interpretação de que os fatos comprometam sua imparcialidade.