Irã anuncia exercício naval com China e Rússia em meio à pressão militar dos EUA
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 15:03 | Atualizado há 5 meses
Irã, China e Rússia realizam exercício militar | Foto: Sergei Karpukhin/Reuters
(Igor Gielow/Folhapress)
Não bastasse a presença, nas águas do Oriente Médio, de navios de guerra dos dois maiores rivais estratégicos de Washington, a manobra batizada de “Cinturão de Segurança Marítima” ocorrerá no ultrassensível estreito de Hormuz, gargalo por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás produzidos no mundo.
Desde a última segunda-feira (16), estão sendo realizados na região exercícios com tiro real envolvendo lanchas rápidas e outras embarcações da Guarda Revolucionária, a elite militar de Teerã. As manobras foram programadas para coincidir com a negociação realizada nesta terça-feira (17), em Genebra, de forma indireta, entre Estados Unidos e Irã.
O envio de navios russos e chineses havia sido anunciado no início do mês pelo comandante da Marinha regular iraniana, almirante Shahram Irani. Nesta terça, a participação foi confirmada pelo assessor presidencial russo Nikolai Patruchev, figura de destaque da área militar durante os governos de Vladimir Putin.
A data exata das manobras não foi divulgada; apenas que ocorrerão na segunda metade de fevereiro.
Embora o exercício seja considerado rotineiro, desde 2019 o Irã promove o Cinturão de Segurança Marítima em águas próximas ao país , esta é a primeira vez, no entanto, que ele acontece enquanto grupos de porta-aviões americanos e outras embarcações realizam treinamentos ativos voltados a um possível ataque a Teerã.
Atualmente, ao menos 12 navios de guerra dos Estados Unidos estão posicionados nas proximidades do Irã. Um segundo grupo de porta-aviões, liderado pelo USS Gerald R. Ford, o maior do mundo em sua categoria, está a caminho da região. Quando todas as forças estiverem posicionadas, estima-se que cerca de 600 mísseis de cruzeiro Tomahawk estejam disponíveis para um eventual ataque inicial.
Além disso, cada porta-aviões transporta cerca de 90 aeronaves, somadas ao reforço de caças, aviões de ataque, transporte, reabastecimento aéreo e guerra eletrônica enviados para ao menos três das principais bases americanas no Oriente Médio.
Toda essa mobilização ocorre enquanto as negociações diplomáticas continuam. Trump também havia prometido apoio a manifestantes contrários à teocracia iraniana, responsáveis pelos maiores protestos desde a instalação do regime islâmico em 1979, no início do ano. Posteriormente, porém, o foco passou a ser o programa nuclear do Irã, visto pelo presidente americano como um passo preliminar para o desenvolvimento de uma bomba atômica.
Apesar de ser conhecido por sua postura linha-dura, Patruchev evitou relacionar diretamente a manobra naval com a crise atual. A Rússia está envolvida em negociações mediadas pelos Estados Unidos para tentar encerrar a Guerra da Ucrânia, com sinais recentes de boa vontade por parte do governo Trump.
Embora não haja expectativa de confronto imediato, a presença de navios de guerra russos e chineses tende a reduzir a probabilidade de uma ação militar direta dos Estados Unidos contra o Irã.
A China deve enviar embarcações de sua base em Djibouti, no nordeste da África, onde atualmente opera um destróier, uma fragata e um navio de apoio. Já a Rússia pode empregar navios que participaram recentemente de exercícios no Oceano Índico e permanecem na região: duas fragatas e um navio de reabastecimento.
Os iranianos, por sua vez, devem utilizar meios da 103ª Flotilha, incluindo uma corveta, um navio de comando e um de suprimentos, segundo a imprensa local.