Política

Mabel falta à reabertura do Legislativo e sessão é marcada por críticas à gestão

Léo Carvalho

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 12:40 | Atualizado há 3 meses

Galerias da Câmara de Goiânia ficaram ocupadas por médicos da rede municipal durante a sessão de abertura dos trabalhos legislativos | Foto: Reprodução/Fábio Lima
Galerias da Câmara de Goiânia ficaram ocupadas por médicos da rede municipal durante a sessão de abertura dos trabalhos legislativos | Foto: Reprodução/Fábio Lima

A Câmara Municipal de Goiânia retomou, nesta quarta-feira, 25, as atividades legislativas após o recesso parlamentar sem a presença do prefeito Sandro Mabel (MDB). A sessão solene de abertura foi conduzida com a participação da vice-prefeita Cláudia Lira (Avante), que representou o Executivo municipal e integrou a Mesa Diretora ao lado de vereadores e secretários.

A ausência do chefe do Executivo ocorreu em um cenário de mobilização de médicos da rede municipal de saúde, que ocuparam as galerias da Casa para cobrar posicionamentos sobre a situação do setor. A presença dos profissionais ampliou a repercussão política do início do ano legislativo.

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Segundo a assessoria do prefeito, Mabel cumpria agenda institucional na Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste e teria intenção de comparecer à sessão, mas compromissos em horários distintos teriam inviabilizado a participação. Informações internas na Câmara indicaram que o prefeito estaria em São Paulo, embora a agenda oficial não registrasse compromissos nos dias 24 e 25. Até o fechamento desta reportagem, não houve manifestação adicional da equipe do Paço Municipal.

Vice-prefeita com a palavra

Durante o pronunciamento, coronel Cláudia Lira afirmou que acompanhou as atividades parlamentares ao longo do recesso e destacou que os trabalhos legislativos não foram interrompidos no período. A vice-prefeita mencionou intervenções estruturais realizadas no prédio da Câmara e desejou êxito aos vereadores neste novo ciclo. Em sua fala, não apresentou justificativa formal para a ausência do prefeito nem fez referência direta a Sandro Mabel.

A sessão também foi marcada por manifestações divergentes entre parlamentares. A vereadora Aava Santiago (PSB) afirmou que a ausência do prefeito demonstraria a relevância atribuída por ele ao Legislativo municipal. Ela citou a participação de Mabel na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e declarou que, desde a redemocratização, não haveria registro de prefeito que deixasse de comparecer à sessão por receio das galerias.

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Em contraponto, o vereador Tião Peixoto (PSDB) declarou que o prefeito teria perdido o voo de retorno a Goiânia e criticou manifestantes presentes na Casa. Já o vereador Pedro Azulão Jr. (MDB) avaliou que a ausência foi acertada, fez defesa da atual administração e citou ações recentes da gestão municipal. O parlamentar afirmou que eventuais dificuldades financeiras de órgãos como a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e o Instituto de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais (IMAS) não seriam atribuíveis à atual gestão.

Pedido de Impeachment

No campo jurídico-político, o vereador Igor Franco (MDB) protocolou representação por infração político-administrativa contra o prefeito, com fundamento no Decreto-Lei nº 201/1967. No documento, o autor reconhece não apresentar prova definitiva de ilegalidade, mas sustenta que a legislação permite a abertura de processo a partir de indícios e de narrativa vinculada a fatos verificáveis, cabendo ao Legislativo proceder à apuração.

O deputado estadual Clécio Alves (Republicanos), que havia anunciado intenção de apresentar pedido semelhante, esteve na Câmara durante a manhã.

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Em síntese, a reabertura dos trabalhos legislativos ocorreu em ambiente de tensão política, com questionamentos sobre a condução administrativa do município e manifestações públicas relacionadas à área da saúde. O desdobramento do pedido de impeachment dependerá da análise dos vereadores e do cumprimento dos trâmites previstos na legislação federal.


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