Internacional

EUA e Israel atacam Irã e abalam China, Rússia, o pré-sal brasileiro e terras raras

Léo Carvalho

Publicado em 2 de março de 2026 às 17:20 | Atualizado há 3 meses

Guerra no Irã e o efeito dominó sobre China, Rússia, pré-sal e terras raras | Foto: Reprodução
Guerra no Irã e o efeito dominó sobre China, Rússia, pré-sal e terras raras | Foto: Reprodução

A ofensiva conjunta de EUA e Israel contra o Irã, ordenada por Donald Trump, expõe a fragilidade da dependência chinesa do petróleo iraniano barato e abre um tabuleiro de riscos globais. Enquanto Pequim lucra com um regime de Teerã enfraquecido, a escalada ameaça data centers de inteligência artificial, terras raras e até uma Terceira Guerra Mundial. Três cenários emergem do ataque americano-israelense ao Irã. China protesta e desgasta os EUA sem disparar um tiro. Brasil se torna polo de terras raras e petróleo para o Ocidente. Moscou e Pequim testam a OTAN rachada em dois fronts. Qualquer um deles altera o mapa de poder do século.

Quem lucra

A China absorve quase todo o petróleo exportado pelo Irã, cerca de 1,5 a 2 milhões de barris diários, a preços com descontos de até 14 dólares abaixo do Brent. Isso cria uma vantagem energética imensa para Pequim, especialmente para setores intensivos como inteligência artificial, que demanda energia barata e constante para data centers. Um regime iraniano fraco, pressionado por sanções, joga os preços para baixo para garantir fluxo de caixa, cenário ideal para a China.

Mas a queda total do regime é a pergunta que o mundo faz. Interessa aos EUA, que ganham um Irã pró-Ocidente, mais petróleo para si e menos para Pequim, além de cortar custos com defesa de Israel e enfraquecer proxies como Hezbollah e Houthis.

Trump atacou o Irã em conjunto com Israel seis dias antes do cronograma esperado, mirando não apenas infraestrutura nuclear e militar, mas também forças internas como a Guarda Revolucionária. Desta vez, o objetivo declarado é derrubar o regime do aiatolá, criando condições para uma revolta interna, como o próprio presidente pediu publicamente aos iranianos. O o momento coincide com manobras regionais e expõe a estratégia: enfraquecer Teerã enquanto a Rússia observa a Europa e a China calcula custos energéticos.

Se Pequim apenas protesta, como no passado em Taiwan ou Ucrânia, ganha influência global sem gastar uma bala. Washington mergulha em mais conflito, a dívida pública explode, gastos militares disparam e inovação tecnológica desacelera. Pequim posa de campeã da ordem internacional enquanto os EUA sangram. Hoje, o maior poder do mundo não faz nada e ainda lucra com isso.

Brasil das terras raras

Os americanos buscam alternativas. O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Araraquara mapeou 40 milhões de toneladas, controlando 94% do nióbio global, o botão nuclear da economia, essencial para chips, mísseis, turbinas e motores elétricos. A China domina 90% do refino dessas terras raras. Se bloquear exportações em retaliação, os EUA colapsam tecnologicamente. A guerra no Irã dispara preços e demanda pelo pré-sal brasileiro, configurando a maior oportunidade.

Recurso EstratégicoControle Chinês AtualPotencial Brasileiro
Petróleo Iraniano90% das exportaçõesPré-sal para 4 milhões de barris/dia
Terras Raras/Nióbio90% refino global2ª reserva mundial, 94% nióbio
Impacto em IA/TechEnergia barata para data centersFornecedor Ocidente vs embargo chinês

E o “se” que não quer calar


Se a China defender o Irã militarmente, alinha-se a Moscou contra EUA, Israel e OTAN. A aliança atlântica se racha após humilhações de Trump aos europeus e ninguém sabe se resiste a um teste real.

Um vácuo na Europa, nos países da Polônia e dos Bálticos, atrai mais a atenção de Putin do que o Oriente Médio. A guerra no Irã distrai os Estados Unidos e a Rússia avança em dois fronts, dividindo a OTAN. Esse é o pesadelo estratégico.

O que a China fará?

Depende do cálculo: um regime fraco em Teerã mantém o petróleo barato, enquanto um colapso caótico paralisa as exportações pelos portos como o de Kharg. Pequim deve atuar diplomaticamente para conter tensões, diversificar fontes com a Rússia e os países do Golfo e acelerar sua autossuficiência energética, sem provocar uma escalada militar que comprometa sua ascensão pacífica.

O conflito no Irã não é apenas uma disputa regional. Ele redesenha fluxos de petróleo, ativa a geopolítica das terras raras, desafia alianças globais e projeta impactos diretos sobre o pré-sal brasileiro e a tecnologia mundial. Cada movimento de Pequim, Moscou e Washington pode alterar o equilíbrio de poder e definir quem lucra e quem perde nesta nova configuração global. O “se” permanece no centro do tabuleiro estratégico e o mundo inteiro observa, consciente de que decisões tomadas hoje moldam o planeta em que nós e as próximas gerações irão herdar


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