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Marco histórico: primeiras mulheres são incorporadas como soldados no Brasil

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 3 de março de 2026 às 15:17 | Atualizado há 5 meses

Após decreto, Forças Armadas recebem primeiras recrutas como soldados | Foto: ST Sionir (Centro de Comunicação Social do Exército)
Após decreto, Forças Armadas recebem primeiras recrutas como soldados | Foto: ST Sionir (Centro de Comunicação Social do Exército)

Este mês de março, período em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, fica marcado por uma vitória das mulheres para a ocupação de espaços majoritariamente masculino. Nesta segunda-feira (2), as primeiras mulheres foram incorporadas às Forças Armadas Brasileiras como soldados por meio do Serviço Militar Inicial Feminino Voluntário.

Ao todo, 1.467 jovens (nascidas em 2007) foram selecionadas. Destas, 1.010 serão incorporadas ao Exército, 300 à Força Aérea e 157 à Marinha. Essas são, portanto, as primeiras recrutas incorporadas em organizações militares de todo o território nacional.

Como funcionava antes

Anteriormente ao Decreto nº 12.154 – publicado em 2024 no Diário Oficial da União e que trata do Serviço Militar Inicial Feminino por mulheres voluntárias –, a entrada de mulheres nas Forças Armadas era limitada a concursos. Dessa forma, elas ingressavam diretamente como oficiais ou sargentos. Além disso, a presença feminina era direcionada principalmente às áreas técnicas, administrativas e de saúde.

Em números, a quantidade de jovens mulheres que conseguiam entrar era consideravelmente menor, tendo em vista que o concurso “filtrava” a participação delas.

Em 2025, uma pesquisa divulgada pelo Poder360 revelou que, ao todo, as mulheres ocupam apenas 11% dos cargos militares. No Exército, são 6,7%; na Marinha, elas correspondem a 12,6%; e na Força Aérea – onde houve maior avanço na ocupação feminina –, elas representam 22%.

“É um dia histórico e uma vitória para as Forças Armadas. A cada ano, uma classe de jovens brasileiros atende ao chamado para servir ao País, como dever cívico e patriótico. A chegada das mulheres para servir como soldados é um marco na evolução da Defesa do Brasil. As mulheres já somam cerca de 10% dos efetivos militares em diferentes funções, incluindo a primeira oficial alçada ao generalato, Coronel Claudia, aqui presente. É um orgulho perceber a participação feminina voluntária agora como soldados”, disse José Múcio Monteiro, Ministro da Defesa, durante a solenidade que recebeu as novas recrutas.

Essas soldados realizaram seus alistamentos em 2025 e serão incorporadas em duas etapas: a primeira neste mês de março de 2026, entre os dias 2 e 6, e a segunda de 3 a 7 de agosto.

Incorporação feminina como soldados marca nova fase nas Forças Armadas | Foto: ST Sionir

Mudança no status quo

Este marco, além de democratizar o acesso feminino e ampliar o número de mulheres nas tropas, também exige a adaptação da infraestrutura. Para tanto, a página oficial do Exército Brasileiro informou:

“A inédita presença do público feminino na função de soldados trouxe necessárias adaptações, como alojamentos exclusivos para as mulheres e adequação de outras instalações. Do mesmo modo, oficiais e sargentos femininas foram capacitadas para a realização das instruções previstas para as soldados, que têm os mesmos direitos e obrigações de seus colegas de farda.

Respeitando as peculiaridades e capacidades físicas de cada gênero, as recrutas viverão os desafios próprios da rotina da caserna de igual maneira, como exercícios no terreno, instruções de tiro e serviços de guarda ao quartel.”

No momento da incorporação, também será lançado um aplicativo voltado às novas militares. A ferramenta reunirá informações sobre direitos e deveres, legislação aplicável e canais oficiais de denúncia e acolhimento, com o objetivo de orientar e garantir suporte às recrutas durante o serviço.

Mulheres realizadas

Um sonho realizado. É assim que Rebeca Castro, 18 anos, define sua incorporação nas Forças Armadas. “Foi algo que sempre sonhei. O mundo militar sempre esteve na minha vida. Foi muito difícil chegar até aqui. Então estar aqui é uma grande conquista e uma grande honra participar dessa turma”, comemora a jovem.  

Rebeca Castro, de 18 anos | Foto: Reprodução

A jovem Eduarda Suzano, 18 anos, não esconde a alegria de ser incorporada às Forças Armadas. “Era meu sonho servir ao país. Agora estar aqui é uma conquista muito grande. Sei que será desafiador, mas também é uma oportunidade de crescimento, de aprendizado”, afirmou.             

Ohanna Nobre conta como se sente orgulhosa por ter sido recrutada, após vencer tantas etapas de seleção. “Estou muito feliz de estar aqui honrando o nome de minha família”, disse. 


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