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PF aponta plano de intimidação de Vorcaro contra jornalista Lauro Jardim

Léo Carvalho

Publicado em 4 de março de 2026 às 12:17 | Atualizado há 3 meses

Mensagens analisadas pela Polícia Federal apontam plano de monitoramento e simulação de assalto contra o jornalista Lauro Jardim | Foto: Foto: Divulgação
Mensagens analisadas pela Polícia Federal apontam plano de monitoramento e simulação de assalto contra o jornalista Lauro Jardim | Foto: Foto: Divulgação

A nova prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi determinada após a Polícia Federal identificar, em mensagens no celular do empresário, referências a um plano de intimidação contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

A decisão foi proferida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo o despacho, diálogos indicam a intenção de monitorar o jornalista e simular um assalto como forma de intimidação.

Nas mensagens reproduzidas na decisão, o nome do jornalista aparece tarjado no processo, mas ele foi informado sobre o teor do material. Os diálogos citam Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado como operador financeiro do grupo e identificado pelo apelido “Sicário”. Mourão foi preso nesta quarta-feira (4).

Em uma das conversas, há referência à possibilidade de “dar um pau” no jornalista durante um assalto simulado. Em outro trecho, é mencionada a intenção de monitorar e levantar informações sobre o colunista. Segundo o STF, Vorcaro confirmou a intenção ao ser questionado por Mourão sobre a execução do plano.

Em nota, O Globo afirmou que a ação tinha como objetivo “calar a voz da imprensa” e defendeu a apuração rigorosa dos fatos. O jornal declarou que não se intimidará diante de ameaças e seguirá acompanhando o caso.

À rádio CBN, Lauro Jardim afirmou que a ideia descrita nas mensagens era monitorá-lo, levantar informações e simular um assalto com agressão física. Segundo ele, o plano teria recebido aval de Vorcaro.

A coluna de Lauro Jardim revelou, no ano passado, a viagem do ministro Dias Toffoli com um advogado ligado ao caso Master para assistir à final da Libertadores no Peru. Também noticiou a evolução patrimonial de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, entre 2023 e 2024.

Na decisão, Mendonça afirma que há indícios de que o investigado manteve relação contratual com pessoa responsável por coordenar atividades de monitoramento e obtenção de informações consideradas relevantes ao grupo.

O ministro destacou que não há indícios de envolvimento dos advogados de Vorcaro no suposto plano contra o jornalista, nem menção a ligações do banqueiro com Toffoli ou Moraes.

Foram identificadas ainda invasões indevidas a sistemas, inclusive da própria Polícia Federal e do Ministério Público Federal, além de falsificação de documentos públicos, com simulação de assinatura de membro do Ministério Público.

Um grupo denominado “A Turma”, liderado por pessoa identificada como “Sicário”, também teria feito ameaças à integridade física de outras pessoas. Há suspeita de envolvimento de dois ocupantes de altos cargos no Banco Central, que teriam auxiliado Vorcaro. Ambos foram afastados por decisão judicial.

De acordo com a investigação, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, com apoio do Banco Central.

Mendonça está em Frankfurt, na Alemanha, onde participa de evento do Dinter na Universidade Goethe. Ele deixou o local antes do cumprimento da prisão e não falou com a imprensa. Segundo sua assessoria, acompanhará sessão do STF de forma remota.


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